quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Feliz dia meu


... Balões coloridos recheados de bons pensamentos ...
Cada um lançado pro céu, porque é pra lá que nossos sonhos devem ir.
- pelo menos os meus -

E viva mais uma translação da Terra!
Parabéns, pra mim.
Do blog entrelinhas gritantes com modificações condizentes com a data.
Imagem: Nicoline Ramussen

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Bagunça arrumadinha


Hoje o sol chegou mais cedo...e em dia de acordar mais tarde...nada feito!
Há dias minha cabeça tá cheia de idéias... e meio que sem saber o que fazer com elas sento aqui e escrevo...porque essa é uma libertação: dizer do que pensa para si mesma em registros virtuais sem conseguir tocar as palavras que ficam flutuando na tela de LCD.
Sempre escrevo ouvindo música e "capinando" noutras telas flutuantes...
O fato é que minhas idéias estão iguais às telas que se misturam com as músicas, que se misturam com as letras do teclado, que se misturam com a luz que entra pela fresta da persiana, que balança com o pouco vento, que me diz que pensar é bom( sim! pensar é bom!)... mas tem que haver um freio.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Arquivo pessoal

Em poucas palavras


Ele a visitava todo dia...
Há muito tempo que ela não o via...
Mas todo dia ele estava ali...
E as palavras que ela tinha em mente se apagavam...evaporavam...sumiam e voltavam de outro jeito.
O sentimento não seguia essa rotina... dava a impressão que cada dia se agarrava mais em sua alma...
Esquecer para ela era lição árdua...e não sabia cumprir...
Pensava que amar não era pra qualquer um...e ser amado também não...
Mas achava que quando é pra ser, vem fácil que nem palavra de criança...sem medo...sem culpa...só vem...e é por si só...
E ela acha engraçado... ri por dentro...e esse sorriso aparece no seu rosto...e se havia lágrima e lenço molhado ela já nem lembra mais...
Porque amar para a doce menina tem perfume e imagem...e esses só ela sabe quais são...
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Martien Mulder

domingo, 28 de agosto de 2011

Fumaça




Minha cabeça cheia de idéias...anda movimentada demais

Eu vou



Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amiga do rei

Lá tenho o homem que eu quero

Na cama que escolherei



Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive



E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansada

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menina

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada



Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem homens bonitos

Para a gente namorar



E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amiga do rei —

Terei o homem que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

Texto: Manuel Bandeira com mudança de gênero
Imagem: Yulia Gorodinski

Lindíssimo

Amo essa



I've found out a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
And the reason is you
Composição: Hoobastank
Imagem: Arquivo pessoal

sábado, 27 de agosto de 2011

Viaje na viagem




Hoje pensando em montes de coisas para ver...montes de coisas para viver...vontade grande de viajar...com mochila nas costas...tênis...trilhas...sem rumo...ou com ele...a tarefa agora é achar tempo/espaço...

Soslaio


Competindo por uma posição no topo do mundo...
Com a luz ofuscando seus olhos...
Andava com os pés descalços por cima das cinzas...
Não era dor o que sentia...
Era um incerto e agudo som...
Latejava abafando tudo que ouvia...
As lágrimas eram sangue...
Reflexo soturno e descabido...
Era vertigem...tontura...torpor...
Muitas vezes anestesia...som de riso...fuga de casa...
Liberdade da rua...prisão dentro de si...
Tantas outras perdas irremediáveis...
Ela era o sorriso da Monalisa...
Ela era a dor da mãe...e resignação...
Dizia que até a mágoa tinha ido embora...
É que um tanto dela também se foi...
É o tal amor...
Aquele que é consumado e instantâneo como leite em pó em copo com água...
É o tal do amor...aquele que é desejo e realização...
É aquele amor...que ela sabe...que por si só é aquele amor.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Ray Caesar

Ouvindo agora

Vi hoje


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Um trecho de uma música que amo


Woke up them for the first time
The animals were gone
Our clocks are ticking now
So before our time is gone
We could get a house and some boxers and on the lawn
We can make babies in accidental songs
Composição: Damien Rice
Imagem: Yulia Gorodinski

Explicação


Porque minha face emudeceu nas tuas palavras.
Porque meus olhos cegaram diante dos teus.
Porque tua fala foi música aos meus ouvidos.
Porque meus pulsos foram fracos pra te prender.
Porque teu coração parado pareceu bater no meu peito.
Porque tuas mãos não me tocaram.
Porque meus pés não foram capazes de te alcançar.
Porque meus passos foram lentos.
Porque minha força se fez fraca.
Porque tua ausência me preencheu.
Porque tua presença invadiu a rua.
Porque eu desatei os nós.
Porque eu teci a colcha.
Porque nós não fomos dois.
Porque ao final não preciso de redenção.
Porque serei eu com fardos ou não, mas serei eu.
Única...igual...diferente...sentimental...mas serei eu...
Enquanto você...será o sonho...o fato...o impalpável...o inatingível...o cáustico...o profano.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Yulia Gorodinski

Casualidade


A tempestade é para mim o disco mais triste da Legião Urbana.
Onde Renato Russo me pareceu exposto como nunca antes. Hoje..num momento e lugar incomuns ouvi a Via Láctea tocar e a saudade...sempre ela... se aninhou no meu coração...

Parafraseando


Quando amanhece o dia...o início é quase sempre assim: tocam o despertador do Nokia e o despertador biológico de maneira sincrônica...ela paralisa o alarme por 5 minutos em sequência...pra ter aquele gostinho de ficar na cama por mais uns minutinhos...até que não dá mais...levanta...e inicia a rotina do banho e companhia pra ir pro trabalho.
Enquanto se organiza sente como diz a música: "sorri um sorriso pontual..." "depois pensa na vida pra levar" e se "cala com a boca de paixão".
Texto: Wandréa Marcinoni com inspiração no cotidiano do Chico Buarque( com alguns trocadilhos)
Imagem: Ann Mei

Do que me faz lembrar você


Desde as luvas azuis até o oceano abissal
Imagem: Ann Mei

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O amor entorna tudo


O amor assusta porque ao nascer já anuncia: posso acabar. Pior: o amor do outro pode acabar. Ou nada disso: pode a vida e o dia e as horas serem mais fortes que qualquer impulso, e o que era um-mais-um torna-se um a um. E o que resta é cada um levando como pode o que pulsa em si.
O amor é ter a perder.
Ou não ter nada. É tudo e todo o medo e todos os perigos. Ou nada e paz. Ou nada.
O amor que nasce é assustadoramente amor. O amor que segue sozinho é assustadoramente só. Não há meio-termo porque o que o amor quer é coragem, o amor quer entrega, o amor sempre quer. Nem sempre é harmonia, nem sempre delicadeza. Mas sempre amor. Até não mais. E isso demora.
É maior que nós, o amor. Faz sombra e assusta. Até que se veja dele o seu verdadeiro tamanho. A sombra do amor assusta. Até que se entenda que ela é sombra e só.
O amor nos pede a escolha: ser do tamanho do medo ou da coragem.

Texto: Cristiana Guerra
Imagem: Yulia Gorodinski

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Parada no ar


Fotos são maneiras de guardar momentos.
Como se no segundo seguinte eles pudessem desaparecer da memória.
Nas fotos quase sempre guardamos sorrisos.
Que são marcos pra momentos felizes...ou pra outros nem tanto.
Naquelas fotos meu olhar míope me olha.
De fora pra dentro...e por incrível que pareça não está tudo nublado.
E como eu sei de todas as minhas verdades...por vezes...me traio em lágrimas.
Por lembrar que em algum momento...perdida em meio a tudo aquilo...eu tentei sorrir para ti...para mim e para o mundo...
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem:Yulia Gorodinski

?


Ontem conversamos sobre as coincidências daquele domingo.
Não havia nada de especial pra acontecer...mas abri a janela e dei de cara com aqueles dias lindos e clássicos dessa época em Brasília. Por conta da vida fora da janela...decidi buscar algo de novo na cidade...e eis aqui que falo novamente sobre aquele passeio... Mas é que desde aquele dia...as perguntas não me saem da cabeça.
Era 14 de agosto...era domingo...era dia de sol...era um dia sem os meninos...
Esse tal de embarque no dia 10 de abril tem algo a ver? E o fato do bote salva vidas ter o mesmo número do dia em que estive lá? E o fato da sobrevivência com uma só pessoa?
Bom...falei sobre isso...pensei sobre isso...mas a bem da verdade...não sei de nada não...
Texto: Wandréa Marcinoni baseado em contos do além mar
Imagem: Ray Caesar

Cartas e memórias




Acordei com muita saudade de você. Uma maneira incrível que arrumei de não sucumbir à sua falta é te ter sempre ao meu lado de alguma forma.

Então ouço U2. Nada mais você do que U2. Ouço Kite na versão que você me mandou (pra ouvir sua voz) e na versão original.

Não apaguei as nossas fotos digitais. E também não te tirei do álbum do Ian. Você faz parte da minha história e da história dele.

Daí, em momentos como os de hoje, ouço a música e revejo as fotos.

Estranho que não me reconheço nelas. É bom ver você. Mas aquela que está ali não sou eu.

Concordo com você que não temos jeito. Não vou tentar nem esmiuçar detalhes e culpas, só concordar.

Olho pra trás e parece que ficou um filme. É como se eu estivesse deixando uma cidade em que amei muito estar. É como uma daquelas nossas despedidas no aeroporto em que eu não queria voltar pra São Paulo, mas tinha que voltar. É como aquele abraço que dei no seu filho sabendo que ia ser o último.

As lágrimas surgem ao pensar nisso. Foi difícil demais largar o osso porque todo dia surgia um fio de esperança. Mas eu precisava deixar de ser eu e você precisava deixar de ser você para sermos nós dois. E a essência do ser humano não muda. A gente nunca ia mudar.

A vida parece, finalmente, deixar a largada. Parei de patinar a dois para largar sozinha. Acredito que com você tenha acontecido o mesmo. Ainda que você não tenha necessariamente largado sozinho.

Hoje ouço “I know that this is not goodbye” e meu coração não bate mais forte. Eu sei que foi.

A vida segue.

Preciso te dizer que não repeti o mesmo erro. Segurei minha onda e tenho segurado sem dar passos pra trás. Por mais que, às vezes, a carência bata forte e a oferta seja tentadora, não voltei. Acho isso bom. Achei que fosse me render ao cômodo. Mas não. Nunca fui disso, lembra? Nunca fui de ficar acomodada em coisa nenhuma por muito tempo. Tampar buraco quadrado com rolha redonda não funciona.

Você foi um grande amor na minha vida. O maior que já tive. E se não surgir ninguém novo, vai ser O grande amor. E eu vou ficar feliz por ter sido. Como hoje sou.

Ter e não ter você foi uma das melhores coisas que já me aconteceram.

Tê-lo me inspirou muitos sonhos. Não tê-lo me mostrou que tenho força e capacidade para realizar todos. Sozinha. Obrigada.

Hoje posso dizer que te amo da melhor maneira que se pode amar alguém: tranquilamente. Sem mágoa, sem insegurança, sem medo. Amo o cara que tenho dentro de mim e que vou ter sempre em forma de lembrança e saudade. Que são coisas que ninguém pode me tomar. Mas que ocupam um lugar bem mais gostoso e menor que a dor e o ressentimento.

Um beijo, um abraço apertado… Bom dia…
Texto: Camila Cantoni Coutinho
Imagem: Achei aqui http://ffffound.com

Pra começar bem o dia


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Instantes




Quantas vezes a gente, em busca da ventura, Procede tal e qual o avozinho infeliz: Em vão, por toda parte, os óculos procura Tendo-os na ponta do nariz!
Texto: Mario Quintana
Imagem: Arquivo pessoal

É isso que quero te dizer, mas não consigo


Há uma grande relevância no que você me fala mesmo que usando meias palavras.
É que faz todo sentido, embora muitas vezes finja que não.
Durante anos você foi meu porto seguro...e esses poucos/muitos dias de ausência tua me parece como água na represa...acima do nível normal...quase a transbordar sobre a cidade.
Tu és parte de mim...és minha vida também...e será para todo o sempre.
Mas é que eu não sei como te falar...
Acho que estou fazendo para o teu bem...
E se é para o teu bem...farei tudo que estiver ao meu alcance.
Lá na frente...quando pensares que tuas pernas não te possam sustentar...chama por mim...que eu andarei por ti.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Istvan Labady

ARMANI


Adormeci enfiada na sua camiseta. Talvez pra me dizer que sinto falta da sua alegria em mim. Das vezes em que ela me frequentou. Da sua boca perfeita que ao sorrir convidava os olhos, apagando a dureza do resto. E ao acordar e me ver com sua malha de camisola em mim, lamentei o que não nos veste mais. Quis arrancar da nossa história o absurdo das coisas. Mudei o criado-mudo de lugar na tentativa de alterar um desfecho. Dormi enfiada na sua camiseta como se amanhã pudesse ser de fato outro dia. Mas foi na cama vazia e leve que acordei. O silêncio ecoando fúria. Enfiada em sua blusa. Triste, sim. Mas livre. Sem você. Sem o medo.
Texto: Cristiana Guerra
Imagem: Sheryl Nields

Esquenta patas


Não sei se foi Platão ou minha mãe que me ensinou a ser metade incompleta. Sei apenas que sou (ou quase sou, por ser metade). Como se sozinha eu não fosse inteira, precisando sempre ser dois. Aprendi por inteiro a ser essa metade – e agora não sei desaprender. Meio feliz. Meio completa. No meio do caminho. E o meio que resta é pra ir – não tem volta.
Texto: Cristiana Guerra
Imagem: Ai Shinohara

Lindo


“This photograph is my proof. There was that afternoon, when things were still good between us, and she embraced me, and we were so happy. It did happen. She did love me. Look see for yourself!”:
Texto e imagem: Duene Michals(Registro feito em 1974)
Postado aqui: http://mateipormenos.apostos.com


The best


A importância da leitura


Minha escrita


Então, quando você me beijar,
Vai sentir o gosto da minha escrita,
Pois a fim de nunca esquecê-las,
Eu trago todas as minhas palavras,
Na ponta da língua.
Texto: Rita Apoena
Imagem: Ann Mei

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Mensagem


Ela dividia os dias em blocos.
Encaixotava seus sonhos em quadrados de madeira.
Queria despachá-los em algum porto com um carimbo de frágil ou "este lado para cima".
Queria e assim o fez...
Achava que mesmo grandes, eles seriam como pequenas mensagens em uma garrafa vagando no mar.
O conteúdo não seria nenhum segredo, pois que por toda vida ela espalhou ao vento seu maior desejo.
Talvez fosse uma forma de coordenar sentimentos...organizar sua posição...centrar o seu eixo...estagnar a agonia...torná-la passageira...por questão de domínio...por questão de sobrevivência.
Depois de tudo embalado...misturou a todo o resto uma mensagem...e então ela se projetou no futuro e seguiu seu caminho.
Ela estava na praia quando tudo chegou...
A mensagem dizia: A menina do girassol...que andou por todos os caminhos cá da terra...amou por demais...e por amar assim ela foi feliz...
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Yulia Gorodinski

sábado, 20 de agosto de 2011

Coisas perfeitas



Vesti roupas coloridas, para meu coração transparente...

Texto: José Zenildo
Imagem: Yulia Gorodinski

Ouvindo esta


He stumbled into faith and thought,
God, this is all there is
The pictures in his mind arose
And began to breathe
And all the gods in all the worlds
Began colliding on a backdrop of blue

Blue lips
Blue veins

He took a step but then felt tired
He said, i'll rest a little while
But when he tried to walk again
He wasn't a child
And all the people hurried past
Real fast and no one ever smiled

Blue lips
Blue veins
Blue, the color of our planet from far, far away

He stumbled into faith and thought,
God, this is all there is
The pictures in his mind arose
And began to breathe
And no one saw and no one heard
They just followed lead
The pictures in his mind awoke
And began to breed

They started off beneath the knowledge tree
Then they chopped it down to make white picket fences
They marched along the railroad tracks
And smiled real wide for the camera lenses
They made it past the enemy lines
Just to become enslaved in the assembly lines

Blue lips
Blue veins
Blue, the color of our planet from far, far away...

Blue...the most human color...

Blue lips
Blue veins
Blue, the color of our planet from far, far away...
Composição: Regina Spektor
Imagem: Ray Caesar

Vi hoje


Sutil


“O que tem de ser, tem muita força. Ninguém precisa se assustar com a distância, os afastamentos que acontecem. Tudo volta! E voltam mais bonitas, mais maduras, voltam quando tem de voltar, voltam quando é pra ser. Acontece que entre o ainda-não-é-hora e nossa-hora-chegou, muita gente se perde. Não se perca, viu?”
Texto: Caio Fernando Abreu
Imagem: Valéria Docampo

Especificidade


"NÃO QUERO STEP
Não quero outro olhar
outra boca
outro beijo
não quero outra mão
outra carícia
minha saudade é específica."
Texto: Elisa Lucinda
Imagem: Yulia Gorodinski

Relatividade


Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.
Texto: Antoine de Saint-Exupéry
Imagem: Achei aqui http://petipoa-cs.deviantart.com

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Branco e preto


Escrever é exercer uma catarse.
Escrever é algo que pra mim vem fácil como é fácil caminhar pra quem tem boas pernas.
Viver é um tantinho mais difícil...porque é a luta do desejo com o não realizado...e é esse embate entre realizar ou não algo que nos coloca a planejar o futuro...
É também o que dá sentido à vida.
Há um pequeno-grande-inenarrável tempo venho vivendo de planos...
Pergunto-me todo dia como construir um alicerce sólido para eu repousar...venho me questionando todo dia por que enfio os pés pelas mãos em tantas ocasiões dignas de uma comédia da vida privada.
Eu sou só uma garota...presa em um corpo...com tantas idéias...tantos questionamentos...tantas dúvidas...tantas indagações não clássicas de uma garota de trinta e alguns anos...perguntas típicas da vida adulta...essa vida, que se encaixa e desencaixa como quando monto um quebra cabeças.
Eu falo coisas que não quero...faço coisas que eu quero...passeio pelo tempo num vai e volta...como filme de diretor consagrado...
Penso no quanto é simples e complicado viver.
Penso que as coisas que me dão prazer...na infinita maioria das vezes...são sutis e impalpáveis...
Penso no quanto pessoas e fatos são tão incertos...
Penso no quanto quis acertar com você...
E me certifico do quanto minha vida torta...fez com que eu fosse um reflexo borrado e distorcido de quem eu realmente sou...
Toda semana eu faço tudo sempre igual: Lembro...reflito...pontuo...interrogo...compactuo...somo e divido infinitas vezes.
Toda semana o resultado é diferente...
Só que nesse caso...não acho que se trata da minha dificuldade com os números...
Concluo em poucas linhas que é por causa da tua ausência...
Afirmo então: Você me faz falta...e nessa falta eu adormeço...adormeço e teimo em sonhar que estou contigo...que é pra nunca mais lembrar de te esquecer.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Yulia Gorodinski

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Para distrair


Clique na imagem para ampliar

O som que toca no meu carro agora


Crônicas



Tua ausência às vezes dá falta de ar.
Tua presença também dava.
Embora eu bem saiba que preferia não respirar se estivesse contigo.
Então em uma tarde de calor como hoje, eu cometo um contra senso e brindo aos nossos dias com um café bem quente...e uma música bem minha.
Texto: Wandréa Marcinoni baseado em memórias de um sargento de milícias
Imagem: Mary Jane Ansell

Leituras



Entre uma agonia mental e a vontade de estar perto sem estar, vem a necessidade de abrandar pensamentos corriqueiros;
Entre um passo e outro, a queda grita que veio só de passagem e que leva o medo consigo; (agradeço)
Entre a mão pensante no queixo e o barulho da chaleira na cozinha, dez passos até o sachê do chá que mais aprecio, me avisa o quanto às vezes demoro pra satisfazer vontades tão genuínas;
Entre a preguiça na rede e o atraso dos cadernos, percebo pelo que devo jogar ao vento e o que devo reter em mim;
Entre frases desfeitas e desacatos à Maior das Leis, renasce um Eu sempre tão necessitado de Ti;
Entre um riso aberto e aquele que procura se esconder na primeira brecha, ela luta para não escorregar no calabouço de uma mente fraca;
Entre um olhar de relance e aquele que permanece, o coração escolhe minuciosamente o que quer enxergar;
Entre a pressa do lado de lá e o mecanismo das horas, ela lembra de respirar e vive o seu próprio tempo:
O tempo que lhe cabe.
Achei aqui: Entrelinhas gritantes
Imagem: David Ho

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Coisa mais linda


Achei no Don't touch my moleskine

Certezas improváveis



Entre um passo mal dado e o andar com cuidado, sempre preferi ficar com a segunda alternativa.
Pensar mil vezes antes de agir...não significa que eu faça aquilo que pensei fazer.
Muitas vezes não compreendo a atitude dos outros por achar que elas não se encaixam no meu conceito de certo ou errado...essa é uma justificativa, mas que muda quando olho de outros ângulos.
O meu sentimento não mudou.
O meu modo de pensar também não.
A minha vida foi que mudou.
E a menina que eu era mudou também.
Sexta eu falei sobre isso...no quanto é possível...e no quanto ela tem que acreditar que o é.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Ray Caesar

domingo, 14 de agosto de 2011

Programa de domingo




Hoje a pergunta era: o que fazer em uma manhã de domingo, com um lindo sol lá fora, entre o acordar mais tarde e chegar ao plantão às 13:00 horas( o que para mim significa às 12:30)?
Depois de fuçar na internet me deparei com duas coisas legais:
1-A exposição sobre o naufrágio mais famoso do mundo( sim...o naufrágio do Titanic)
2-Na página do correioweb...a exposição saía por meia-entrada para os assinantes( categoria na qual me enquadro).
Bom, opção feita, houve apenas um porém: as "benditas" facilidades da internet se transformaram em uma dificuldade tamanha na hora de conseguir imprimir o cupom, que sabe-se lá por qual motivo nefasto, não abria. Devia ser algo relacionado à minha amiga sempre presente: a Lady Murphy. Após telefonar para a central de relacionamento ainda assim persistia o problema. Fato é que enfim acabei por imprimir foi a página inteira...e pernas ou rodas pra que te quero, afinal agora me restava pouco tempo para o HPAP. Cheguei ao meu destino às 11:30. Estacionamento vazio...gratuito...pertinho, enfim, tudo de bom.
Vamos à minha impressão pessoal: na verdade, achei que a exposição seria legal, mas confesso que me surpreendi...foi mais que interessante.Ao chegar estamos prontos para a viagem... recebemos um passaporte para embarcar no Titanic, onde consta o nome de um personagem da história da embarcação, a classe em que viajava, sua origem e um pequeno resumo da sua vida. Ao final da exposição há uma grande lista onde teremos que descobrir se o nosso personagem foi um dos 700 e poucos sobreviventes ou um dos 1500 e muitos que passaram desta para a melhor( fazendo bom uso do eufemismo).
Dos objetos resgatados muitos estão em perfeitíssimo estado apesar de terem sido encontrados 73 anos depois do naufrágio. A maioria dos pertences encontrados estavam dentro de objetos de couro como carteiras e malas que formaram como que uma couraça protetora. Observa-se na exposição também uma grande diferença entre os artefatos da primeira classe em relação às outras. As louças( centenas delas ) foram encontradas intactas na areia do fundo do oceano, praticamente como estavam no interior de armários que se deterioraram com o passar do tempo. As fotos expostas mostram como os objetos foram encontrados. Há ainda pequenas biografias com fotos de pessoas que se encontravam à bordo e ao lado pertences dos mesmos. Há relatos bem interessantes como o caso da dona da conhecidíssima loja Macy's em Nova York que teve a possibilidade de embarcar em um bote e ser resgatada, mas que preferiu ficar, pois seu marido não conseguiu se salvar. A exposição é feita em homenagem à última sobrevivente do naufrágio Millvina Dean, que morreu recentemente em 31 de maio de 2009, aos 97 anos.


OBS: antes que me esqueça...eu era a Sra. Esther Ada Hart (n.s. Bloomfield)...embarquei no bote salva vidas número 14. Meu marido o Sr. Benjamin Hart infelizmente veio a falecer(TRAGÉDIA!!!!!)
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagens: Arquivo pessoal

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A menina com uma flor


Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca, porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado. E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim, no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo. E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro. E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.
Texto: Vinicius de Moraes
Imagem: Arquivo pessoal

Past


Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga.
E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer à tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.


(Então eu pego o passado, e transformo em poesia-ou-coisa-assim.)
Text: Caio Fernando Abreu
Imagem: Arquivo pessoal

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Da constatação


Ontem e hoje foram como um dia só.
Um dia particularmente difícil.
Não foi reflexo da sexta passada.
Foi medo mesmo...
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: David Ho