domingo, 22 de novembro de 2009

A lenda do carteiro mascarado


Um pouco longa, mas bem divertida...tenha calma...leia devagar...

Quando eu era criança eu era um molequinho bastante criativo. Talvez criativo não seja a melhor palavra, eu era bastante retardado.

Eu estava na 6.a série e era completamente apaixonado por uma menina chamada Christiane Borghi. Ela era a menina mais bonita da escola, pelo menos pra mim.

TODOS os caras achavam ela uma belezoca mesmo!

Uma vez uma cara foi falar com ela e ela quase bateu no rapaz. Xingou em alto e bom som e a escola inteira ouviu.

Reagiu desta forma porque ela namorava e o namorado dela era tipo o bonitão do pedaço, manja?

Pra mim eu não teria nenhuma chance.

Mas eu era tão afim dela que resolvi, mesmo assim, me declarar!

Mas eu tinha muita vergonha!

Mas eu tinha que dizer pra ela o que eu sentia.

Mas era muito difícil chegar e dizer que eu gostava dela.

Mas eu tinha que fazer isso.

Mas e se ela me desse um fora?

Resolvi escrever uma carta. Se ela não gostasse, pelo menos não estaria presente se ela tivesse um ataque de fúria parecido com o que ela teve com o outro moleque.

Mas como eu iria entregar a carta? Iria dizer o que?

- Um amigo meu mandou entregar!

Essa nunca cola. E se eu realmente mandasse um amigo meu entregar? Foi aí que eu pedi pra um amigo meu, o Paulo Sérgio, dar uma carta pra ela.

- Nem FODENDO! - Ele respondeu. - Tá louco Oscar? Por que você não entrega?

- Ué, e se ela ficar puta comigo?

- Por isso que eu não vou.

Fiquei naquela: Entregar ou não?

Foi então que eu tive a idéia mais genial da minha vida! Inventei um personagem chamado Carteiro Mascarado. Consistia em me mascarar e vestir uma roupa diferente afim de que ela não me reconhecesse quando eu entregasse a carta. E se ela perguntasse algo, eu diria que eu fazia esse tipo de entregas pela cidade.

Arrumei uma roupa bagaceiraça, uma máscara tipo de baile de Veneza, minha caloi Berlineta Dobrável Aro 20, botei uma caixa de plástico de supermercado na garupa, coloquei a carta dentro da caixa e fui.

Da minha casa até a casa dela eram 10 minutos. Demorei uma hora e meia porque eu ia parando no caminho me perguntando se aquilo era a melhor coisa a se fazer.

Finalmente cheguei na casa dela e toquei a campainha. Uma senhora saiu:

- Que que é isso moleque?

Engrossando a voz pra parecer adulto.

- Por favor, a senhorita... (olhando a carta como se eu não soubesse o nome dela) Christiane Borghi está?

- Tá na escola. Por que?


Quer dizer, era pra eu estar na escola também.



- A minha missão é (como eu fui ridículo) sair por aí entregando cartas de amor para os destinatários.

- Pra que essa máscara de Veneza? Você veio numa gôndola?

- Que que é isso?

- Nada, deixa que eu entrego pra ela. Eu digo que quem entregou?

- Diga que foi o... Carteiro Mascarado!

Imaginei uma música de ação rolando, virei as costas, subi na bike pra uma saída triunfal e... a corrente escapou da coroa. Aí eu tive que descer e colocar a corrente de novo no lugar. Minha mão ficou cheia de graxa e o elástico da máscara arrebentou.

- Precisa de ajuda, menino?

- Não, tô acostumado. - Tentando esconder o rosto.

Terminei e fui embora. E ainda cheguei em casa e tomei uma bronca do meu pai porque eu não tinha ido na aula.



A Christiane nunca veio falar comigo sobre a carta que ela recebeu. Eu imagino que seja por dois motivos.

Primeiro porque ela namorava e nunca iria se interessar por mim. Segundo porque eu lembrei mais tarde que eu terminei assinando a carta como Carteiro Mascarado.
Oscar Filho

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