terça-feira, 31 de maio de 2011

Quino e a lucidez

Esse era o quadro que eu tinha na minha sala



Le Moulin de la Galette-Renoir

Fiquei feliz assim


Na sala de estar do consultório...sentei no sofá azul.
Olhei para as paredes...pra passar o tempo...
Fixei meu olhar num quadro...cópia da "Ponte Japonesa" de Claude Monet.
E as situações geram lembranças. O "flash" que veio foi: quando morava em Taguatinga...apartamento alugado...dividido com minha irmã. Pouco dinheiro no bolso. Lembrei que eu também tinha um quadro assim...comprado no EXTRA...moldura quase branca...Monet...Renoir...e por isso sorri...por achar que não precisa muita coisa pra tratar a alma com carinho...
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: A ponte japonesa(Monet)

Enfeitando a casa...enfeitando a vida


Imagem: Arquivo pessoal

Conversa


Ontem a Dani me falou da casa amarela. Ela sabe que ultimamente ando fixada nessa cor. Fato é que venho até dizendo ser ela minha cor favorita. Abandonei de vez as outras cores. Havia falado da tal porta...e isso foi se misturando com as palavras que eu dizia. Comprei uma dúzia de coisas...com cores...muitas e fortes. Não que eu queira transformar em arco-íris, mas foi algo sem controle...depois falarei com ela do sonho que eu tive...e espero que as palavras sejam iguais e diferentes...como só ela sabe ser.

Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: A casa amarela (Van Gogh)

A vida inteira


(…) Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nas pessoas ao nosso redor? E ir deslizando pelos pequenos detalhes, na beleza não manifesta e, ao mesmo tempo, ofuscante? Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nos olhos do outro, sem qualquer pressa, sem procurar ali dentro o próprio reflexo? Foi esses dias, eu aninhei as mãos de minha avó por dentro das minhas, encostando o meu rosto em seus dedos tão frios, como se ela tivesse acabado de nascer em seu corpinho já envergado pelo tempo e marcado pelos dias. Naquele segundo, eu entendi que nada era mais urgente, nem mais importante, do que ouvir a minha avó reaprendendo a falar… e que eu sequer começaria a ver alguém – além de mim mesma – se não pudesse enxergar as pessoas para as quais olhei a vida inteira.

Texto: Rita Apoena
Imagem: Kazuko Taniguchi

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ficção em mi maior


Hannah queria falar de amor.
Parecia incontestável para si mesma que isso era útil à humanidade.
Ela não sabia simplificar.
Preferia a multiplicação. Quanto mais amplificasse...melhor lhe sairiam as emendas.
Ela hipoteticamente sabia por onde andar.
Ela via. Ela lia. Ela se julgava capaz.
Ela bordou uns trocentos aventais...e fazia questão que fossem brancos...inutilidades fortuitas e desejos de purificação.
As noites em que ela pensou nele...
Os dias que foram noites...
As horas que foram dias...
Os dias que foram meses...
Os meses que foram anos...
Há que passar...
Há que apagar em pedras de cantaria...
Há que ser fogo envolto pela água...
Há que ser dor...sob efeito da morfina...
Há que ser carne...há que ser tudo.
Ela é tudo...e ela acha que viver é isso.
Caso contrário, não valeria à pena.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Masha Sardari

Maneiras diferentes


Achei no Don't touch

Sempre há a primeira vez


Houve o dia em que um corajoso resolveu experimentar...e é por isso que me convenço que a coragem é algo bom...

Ouvindo agora

video

Vídeo tirado do youtube enviado por Daigear
" My unofficial video for Please Please Please Let Me Get What I Want by The Smiths. Created using clips from 1950's social guidance film, 'Overcoming Fear'"

sábado, 28 de maio de 2011

WMVR



Ontem ela leu nas entrelinhas...
Olhou para o papel...com misturas de branco em negro...
Deu de afastar as palavras umas das outras...
Contou numericamente cada linha...
Deteve-se a multiplicar possíveis citações...
Era o que ela fazia de melhor...
Abriu a gaveta...
Vasculhou pelos cantos...
Encontrou o velho caderno onde anotava pensamentos...
Quando lia não lembrava...
Provavelmente ela vinha em transe...
Seus olhos ainda estavam vermelhos...
Reações normais em uma cidade com ar seco e umidade desértica...
Ela o via nas transcrições...
É que ele permeia seu pensamento enfumaçado...
Pensou no plano de fuga número um...
Achou que seria bom ter um plano alternativo...
Para o caso de tudo dar errado...
Andou com pernas que não eram suas...
Falou por bocas que praguejavam ao relento...
Chorou lágrimas decadentes...
Interveio na hora necessária...
Calçou os velhos sapatos...
Ergueu a pedra que estava a atravancar o caminho...
Olhou para os lados na esperança que houvesse alguém caminhando com ela...
Manteve-se certa de que seu tempo não tardaria...
Catou conchinhas no mar...
Plantou sementes escondidas...
Fotografou a si mesma para que provas tivesse...
Olhou as pegadas na areia...
Por fim...por estar o corpo exausto deitou-se à primeira sombra...
Da árvore que era dela...
Lembrou-se da promessa...
Das escadas...e consternou-se por saber que agora ...era muito mais difícil.
Texto: Wandréa Marcinoni
IMagem: Arquivo pessoal

Coisas que eu leio

É por você que canto


O sonho voltou.
É o meu pequeno me chamando para dentro dele.
Ouço sua voz bem baixinho.
Quando ele fazia parte de mim...o gerei como quem cuida do mais precioso.
Quando ele esteve em meu colo...meus olhos não desgrudavam dos seus.
Hoje ele anda fora de mim.
Hoje eu tento quebrar o vidro.
Hoje eu corro pelos pés dele.
É ele quem me guia no escuro.
É ele que no sonho canta a canção e bate palmas.
É ele que me encaminha até a saída.
E é por causa dele que hoje eu canto.

Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Timothy Archibald

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ouvindo agora:


Shed a tear 'cause I'm missing you
I'm still alright to smile
Boy, I think about you every day now
Was a time when I wasn't sure
But you set my mind at easy
There is no doubt you're in my heart now
Composição : Izzy Stradlin
Imagem: Marina Kochetyga

Eu por mim mesma

video

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
Oh yeah it's true... I was made for you
Composição : Phil Hanseroth
Queria postar em melhor qualidade mas até o momento não consegue carregar. Postei como anexo...mas vou continuar tentando

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Simples assim


Simplifiquei as coisas quando passei a dizer que sou complicada.

Sabe assim?
-Mas por quê?
-Sou complicada.
-Ah, tá.
Muito mais simples.


Tirei daqui:http://tantoscliches.blogspot.com
Imagem: Masha Sardari

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Meus votos pra você


“Pois desejo primeiro que você ame e que amando, seja também amado.

E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde mágoa.

Desejo depois que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos e que mesmo maus e inconseqüentes sejam corajosos e fiéis.

E que em pelo menos um deles você possa confiar e que confiando não duvide de sua confiança.

E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos nem poucos, mas na medida exata para que algumas vezes você interprele a respeito de suas próprias certezas.

E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo para que você não se sinta demasiadamente seguro.

Desejo depois que você seja útil, não insubstituívelmente útil mas razoavelmente útil.

E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante, não com que os que erram pouco, porque isso é fácil, mas com aqueles que erram muito e irremediavelmente.

E que essa tolerância nem se transforme em aplauso nem em permissividade, para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.

Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais,
e que sendo maduro não insista em rejuvenescer,
e que sendo velho não se dedique a desesperar.

Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.

Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, nem um mês e muito menos uma semana,
mas um dia.

Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, talvez agora mesmo, mas se for impossível amanhã de manhã, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes.

E que estão estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.

E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.

Desejo ainda que você afague um gato, que alimente um cão e ouça pelo menos um João-de-barro erguer triunfante seu canto matinal.

Porque assim você se sentirá bom por nada.

Desejo também que você plante uma semente por mais ridículo que seja e acompanhe seu crescimento dia a dia, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano você ponha uma porção dele na sua frente e diga: Isto é meu.

Só para que fique claro quem é o dono de quem.

Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal, não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.

Mas que essa frugalidade não impeça você de abusar quando o abuso se impor*.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra, por ele e por você. Mas que se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.

Desejo por fim que,
sendo mulher, você tenha um bom homem
e que sendo homem tenha uma boa mulher.

E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez e novamente de agora até o próximo ano acabar.

E que quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda tenham amor pra recomeçar.

E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar”

Texto: Sérgio Jockymann
Imagem: Masha Sardari

E essa


Quando o sol de cada dia entrar
Chamando por você
Querendo te acordar
Vai ter sempre alguém pra receber
Fazer o seu jantar
Dormir no seu sofá
Alguém pra olhar a casa
E alguém que regue o seu jardim
Até você voltar
E como é normal acontecer
Se num entardecer a dor te visitar
Vai ter sempre alguém pra socorrer
Fazer o seu jantar
Dormir no seu sofá
Enquanto a noite passa por mim
Eu rego o seu jardim
Você já vai voltar
Om mani padme hum


Composição : Herbert Vianna / Leoni

Ouvindo essa


Cê sabe que as canções são todas feitas pra você
E vivo porque acredito nesse nosso doido amor
Não vê que ta errado, tá errado me querer quando convém
E se eu não estou enganado acho que você me ama também

O dia amanheceu chovendo e a saudade me contem
O céu já tá estrelado e tá cansado de zelar pelo meu bem
Vem logo que esse trem já tá na hora, tá na hora de partir
E eu já to molhado, to molhado de esperar você aqui

Amor eu gosto tanto, eu amo, amo tanto o seu olhar
Andei por esse mundo louco, doido, solto com sede de amar
Igual a um beija-flor, que beija-flor,
De flor em flor eu quis beijar
Por isso não demora que a historia passa e pode me levar

E eu não quero ir, não posso ir pra lado algum
Enquanto não voltar
Não quero que isso aqui dentro de mim
Vá embora e tome outro lugar
Talvez a vida mude e nossa estrada pode se cruzar
Amor, meu grande amor, estou sentindo
Que esta chegando a hora de dormir

Composição: Milton Nascimento
IMagem: achei aqui http://www.flickr.com/photos/sam201190/

Devaneio em noite alta


Ela estava certa do que queria. Já havia conversado com ele por muito tempo. No começo...havia uma intensidade sem fim...juras de amor...sentimentos à flor da pele...uma (i)real intenção de concretizar palavras em ações. Ela duvidosa da sua capacidade de amar, tentou ter cautela, mas foi em vão. Quando viu...era pouco o tempo pra tanto sentimento. Ele como um bicho acuado passou a pensar na desculpa...como se do algodão doce houvesse surgido o gosto amargo. Já não agradava-se daquela intenção. Fugiam-lhe as forças fazer de outra maneira. Ele tem raciocínio rápido e segurança. Ela anda a bailar por cima das nuvens. Ele é decidido e racional. Ela só sabe que o amar não é pra qualquer um. Ele colocou as cartas na mesa como quem lê tarô. Ela, na sua inocência achou que tiraria as cartas certas. Ele...ela não sabe porque, tratou-a com o receio de quem se aflige pelo contágio de algo pernicioso. Tratou-a com o nada...o nada infindo que talvez não mereçam os maiores pecadores. Ela...devagar é bem verdade...foi se moldando à situação. Começou a ouvir as canções que ouvia antes...e ver as imagens que vira eternamente. Bebeu a água no mesmo copo...comeu da mesma comida...não chorou. Mas ela acha que é porque as lágrimas já secaram. Há ainda o brilho...há ainda os flashs...há ainda a memória...mas nada é mais certo do que aquilo que tem que ser. Ela prefere que ele o diga. Ela irá fugir, pois quer ser responsável pelo destino...não ousará esperar pela sentença tão evidente...vai buscar se abrigar à sombra...em local ventilado. Não haverá ruído à sua volta...nem um sopro de ternura. Não espera mais...convenceu-se enfim que não se acredita no impalpável. Carregará pra sempre em si a memória, o sentido, o pulsar e tudo aquilo que rime ou não com qualquer coisa que seja dita. É de plástico a sensação? não se degradará com o passar dos anos? Ela provoca arrepios? Ela é feita de argila? Ela provoca compaixão? Ela ...somente ela sabe...que a vida é água, fogo, paixão, tempestade, é terra...ela não sabe o que é...ela não quer nem saber. Ela quer ir ao parque...quer tira os sapatos, quer pisar na grama verde, quer olhar pro céu, quer entrar na água, quer lavar a alma, quer ser grande, quer ser inteira...quer ser como o poeta que diz: "Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive"

Texto: Wandréa Marcinoni
Poema: Ricardo Reis
Imagem: Masha Sartari

Fim de tarde na cidade


Arrumo o meu cabelo e ele ajeita a camiseta. Existe alguma coisa entre nós: uma vontade mútua de não sermos cinzas. Van Gogh nos borrou de verde-água, e agora nos reconhecemos, apesar da multidão. Eu, a moça que sai do trabalho, e ele, o moço que entrega panfletos do dentista. É claro que eu sou muito mais do que uma moça que sai do trabalho e ele é muito mais do que um moço que entrega panfletos na rua. Mas tudo o que sei sobre ele é que uma obturação custa menos de dez reais e tudo o que ele sabe de mim é que meu sorriso é amplo e gratuito. Assim, a nossa relação gira em torno de dentes: fortes e insuperáveis. A multidão me atropela, assim como atropela e pisoteia os seus panfletos, mas eu paro por nove segundos, como se apanhasse a última edição do jornal, leio as suas manchetes odontológicas, sorrio ao meu amigo e digo… muito obrigada! A multidão o atropela, assim como atropela e pisoteia os meus amuletos, mas ele para por nove segundos, como se me entregasse os mais belos poemas camuflados, sorri e me diz… boa noite! E eu vou embora, com o nosso segredo guardado no bolso. Ali está um cavaleiro andante e sua armadura de plástico, colorida, com os preços estampados.

Texto: Rita Apoena
Imagem: Masha Sardari

Dicionário e poesia


Em francês, “adieu” são as quatro ou cinco voltas que uma folha dança no ar, ao tentar em vão alçar vôo, antes de cair no leito de um rio.
Texto: Rita Apoena
Imagem: Masha Sardari

Agora dei pra viajar



Crianças têm um entusiasmo incrível...uma curiosidade que não cessa...um querer saber e viver intensos...um brincar e divertir por nada...tudo é bom...interessante e merece ser descoberto. Olhando aqui pra dentro , eu percebo que apesar do vendaval eu não deixei morrer isso em mim. Continuo curiosa...quero ver tudo ao mesmo tempo...sentir tudo ao mesmo tempo...a grande maioria das coisas que eu vejo me interessa...quero ir atrás, ver como é...como se faz...continuo olhando o céu e achando o azul, as nuvens, o tempo, o sol...coisas que devem ser vistas e sentidas todos os dias. Saio de carro e agora dei de tirar fotos das árvores, flores e cantos da cidade. É só ver um semáforo vermelho que olho pros lados e tiro fotos toscas. A verdade é que nunca vou deixar de ser criança...nunca vou deixar de gostar das coisas simples...nunca vou deixar o entusiasmo ir embora. Por fortes motivos...que guardo pra mim e para as poucas pessoas que moram no meu coração eu poderia estar maldizendo a vida, mas enfim...só consigo continuar a sonhar...e isso traz o meu mundo de volta ao eixo...bem devagar.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Masha Sardari

terça-feira, 24 de maio de 2011

Não que eu queira perder a ternura, mas ei de resistir



Quando eu perder todas as partidas
Quando eu dormir com a saudade
Quando se fecharem todas as saídas
E a noite não me deixar em paz
Quando eu sentir medo do silêncio
Quando me custar manter-me em pé
Quando as recordações contra mim se rebelarem
E me puserem contra a parede
Eu resitirei, erguido frente a todos
Me cobrirei de ferro para endurecer a pele
Apesar dos ventos da vida soprarem forte
Sou como o junco que se dobra
Porém sempre segue em pé
Resistirei, para seguir vivendo
Suportarei os golpes e jamais me renderei
E ainda que os sonhos se rompam em pedaços
Resistirei...
Quando o mundo perder toda a magia
Quando meu inimigo for eu mesmo
Quando me apunhalar a nostalgia
E não reconhecer nem minha voz
Quando a loucura me tomar
Quando o diabo me der as contas
Ou se alguma vez me faltar você
Resistirei...
Composição : Duo Dinamico canção do filme Ata-me
Imagem: Masha Sardari

Sensações inusitadas


Andar com areia nos olhos...nem vou te falar como é que é...
Imagem: Masha Sardari

Um coração


Alguém a tocar um piano.
Alguém apaixonado.
Embora estivesse com um nó na garganta por tocar aquelas músicas, não queria chorar.
Tudo ali fazia lembrar dela.
Eu pensava que mesmo com as palavras presas, nada seria melhor do que sentir-se amado.
E se o coração dele batia apertado...
E se seus olhos tinha só uma direção...
E mesmo achando tudo muito difícil...
E mesmo que não tê-la era como se lhe fugisse o chão...
Ainda assim...valeria à pena tocar...porque de tudo nessa vida...o que não se perde em pó e cinzas...é o amor.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Masha Sardari

Vi hoje

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Vida


A garota do girassol tem intensidade dos raios solares.
Vive em eterna confusão de pensamentos.
Ela não sabe fingir.
Não sabe mentir...é algo que não funciona e sempre dá errado.
O excesso do politicamente correto já a colocou em alguns apuros.
Ela percebeu que as coisas não iam bem.
Ela quis fingir que iam.
Ela pulou do alto do décimo terceiro andar.
Para espanto da multidão lá embaixo, ela saiu caminhando.
Mas é bem difícil pra ela manter as aparências.
A transparência é a exposição.
Faz dela nada menos do que a comoção nacional.
A verdade é que isso pra ela pouco importa.
O que importa realmente...é saber...crer...ter certeza...de que tudo que hoje inunda sua alma...vai transbordar...inundar...percorrer...e enfim desaguar...até que reste vida sobre vida...alma em cima de alma...força por sobre força...e a dignidade tão propagada se faça eterna...porque disto é feito o caminho pro céu.

Ouvindo essa

video

O sonho


O sonho falava da pele de vidro...e eu lutava pra chegar até você apesar dela...porque hoje você é a razão da minha vida inteira.

domingo, 22 de maio de 2011

Infinitivamente pessoal



Bom...primeiro vamos perguntar qual a sequência lógica das coisas. Depois...se há realmente a necessidade dela...e após, paremos para constatar que tudo que se diz pode não ser a verdade. Como em MATRIX...pode haver um mundo paralelo e não cabe a nós estabelecermos uma sentença quanto aos fatos. Eles acontecem. Fogem ou não ao nosso controle. O sentir, é algo irrefreável. É fora do controle normal do ser humano. Pode-se gostar, amar, venerar, desejar, sem que haja reciprocidade. A vida é indomável. Você quer?...Não é o que basta. Não basta o querer. É mais do que isso. Quando não há o encaixe das peças...vc não pode simplesmente montar o quebra-cabeças aleatoriamente. O fato é: O mundo tem a evolução independente da tua individualidade. Portanto, apesar de viver no teu nicho...fixo...imóvel e "seguro"...tenha a certeza que virá o furacão a varer tuas redomas e a expor tuas entranhas e víceras. Estejas atento...pois apesar das palavras te soarem como encantamento...apesar de ouvires as mesmas em tons doces ...a vida carrega em si mesma a tensão dos dias atuais...onde você...não tem que ser apenas uma criança...tem que se adaptar a ser figura decorativa da sociedade contemporânea...você será testada, avaliada , investigada...e se aprovada...receberá a condecoração por suas benfeitorias. Salve, salve!...esteja pronta a receber cetro, faixa e coroa, esteja glamurosa...para não fazer desfeita às intempéries do destino.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Arquivo pessoal

Sentimento é isso

Sonho de Ícaro


Achei aqui: http://pequenademais.blogspot.com

E agora José

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Cegueira branca


Eu curto bastante o programa CQC da BAND. Em um programa de 2008, foi realizado um quadro chamado: teste de honestidade. Foi realizado nesta que eu considero também minha cidade: a capital da República Federativa do Brasil. O repórter Danilo Gentili se fazia passar por cego e em alguns momentos " perdia " uma nota de 50 Reais e em outros fazia compras com auxílio dos vendedores. Espantoso observar o que o bicho homem tem a capacidade de fazer quando supostamente "ninguém está olhando". Em determinados momentos, até mesmo policiais se apossavam do dinheiro "perdido" e vendedores entregavam ao pobre ceguinho o troco errado...já que ele não seria capaz de perceber.
Somos dotados de qualidades e defeitos e estamos sujeitos a erros durante nosso percurso por aqui...porém o fato de poder dormir à noite sabendo que mesmo quando ninguém "vê" somos capazes de ser éticos e respeitosos é muito bom. Ser correto é um aprendizado construído aos poucos ainda na infância...agir corretamente é o que nos livra da cegueira espiritual...e é o que faz o coração bater tranquilo. E vendo as imagens...dá vontade de dar um viva às pessoas e comerciantes que agiram com honestidade e respeito diante da cegueira artificial.
Texto: Wandréa Marcinoni

Ouvindo agora e pensando na primavera

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Além da lenda


A Fênix é um passáro da mitologia grega que ao morrer entra em combustão e após renasce das cinzas. Queria ser uma fênix ...viver quinhentos anos...ter lágrimas curativas...ser a ave de fogo que carrega elefantes...e brilha...pois ter alma que brilha é o essencial.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem...Tirei daqui sempreacrescer.blogspot.com

sábado, 21 de maio de 2011

Ouvindo essa


Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
O sal viria doce para os novos lábios
Colombo procurou as índias mas a terra avistou em você
O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário
Estranho é gostar tanto do seu all star azul
Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras
Satisfeito sorri quando chego ali e entro no elevador
Aperto o 12 que é o seu andar
Não vejo a hora de te reencontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem
Ficou pra hoje
Estranho mas já me sinto como um velho amigo seu
Seu all star azul combina com o meu preto de cano alto
Se o homem já pisou na lua, como eu ainda não tenho seu endereço?
O tom que eu canto as minhas músicas para a tua voz parece exato
Estranho é gostar tanto do seu all star azul
Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras
Satisfeito sorri quando chego ali e entro no elevador
Aperto o 12 que é o seu andar
Não vejo a hora de te reencontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem ficou pra laranjeiras
Satisfeito sorri quando chego ali e entro no elevador
Aperto o 12 que é o seu andar
Não vejo a hora de te reencontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem, ficou pra hoje
Composição : Nando Reis

Toca no meu carro

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Manias


Lavar o cabelo todos os dias.
Ouvir música bem alto.
Ler devagar.
Usar a internet.
Brincar de esconder.
Comer uva passa.
Tirar fotos no espelho.
Sonhar.
Sapatos de salto.
Andar descalça.
Amar as flores.
Viver de amores.
Usar mil bolsas.
Tomar café.
Fazer piadinhas.
Gentilidades...
Enfim...de perto ninguém é normal...

Momento diversão


Achei essas dicas muito engraçadas...fala o que o jovem deve fazer para ter sucesso na vida...

Confira, a seguir, os 39 passos da revista Country Life
1. Poder cozinhar um jantar com três itens
2. Saber dizer ''você pode me ajudar, por favor'' em outros idiomas além do inglês, como árabe, cantonês, urdu, espanhol e russo
3. Tocar um instrumento musical, mesmo que seja apenas tambor ou gaita
4. Montar a cavalo de forma adequada
5. Ser capaz de dominar os mais recentes artefatos tecnológicos
6. Conversar sobre cinco obras clássicas da literatura inglesa com autoridade e paixão
7. Realizar ressuscitação de alguém que parou de respirar
8. Aprender a cultivar cenouras, identificar cinco árvores nativas e 20 flores e saber fazer um buquê
9. Manejar uma espingarda, tirar a pele de um coelho, limpar um peixe e depenar um pombo
10. Consertar um pneu furado de bicicleta e a corrente
11. Poder dançar uma dança folclórica, uma valsa de Strauss e uma música de Lady Gaga
12. Saber discernir entre um Sauvignon Blanc e um Chardonnay e saber preparar um mojito ou uma margarita
13. Escrever um carta de agradecimentos memorável
14. Reconhecer músicas de Mozart, Elgar e Handel
15. Montar uma estante e consertar uma tomada
16. Fazer o nó de uma gravata borboleta e dois diferentes laços de gravata
17. Conduzir um barco através do Solent (o estreito que separa a Inglaterra da Ilha de Wight)
18. Saber cortar um pedaço de carne
19. Saber diferenciar as arquiteturas gótica, barroca e paladiana
20. Fazer um discurso, entreter uma palestra com um piada ou história e saber cantar pelo menos duas canções de memória
21. Dirigir um trator, dar marcha-ré em um trailer, trocar o óleo e trocar um pneu
22. Saber se orientar em pelo menos cinco grandes cidades
23. Ser anfitrião de uma festa e fazer com que todos os convidados se sintam à vontade
24. Ser capaz de devolver dez bolas seguidas jogando tênis
25. Saber fazer fogo e montar uma fogueira
26. Conhecer três bons truques com cartas
27. Identificar cinco constelações e saber distinguir a Estrela Polar
28. Manter a pontuação em uma partida de críquete
29. Falar com conhecimento de cinco marcos da Grã-Bretanha
30. Saber abrir e servir uma garrafa de champanha
31. Passar uma camisa, coser um botão e costurar uma bainha
32. Entreter crianças pequenas por pelo menos uma hora com truques de mágica e histórias
33. Saber ler um mapa, montar uma barraca e empacotar uma mochila
34. Demonstrar familiaridade com ao menos uma obra de da Vinci, Constable, Degas, Turner e Canaletto
35. Controlar uma conta bancária
36. Escapar de uma briga em um estádio de futebol
37. Saber se dirigir a um membro da família real
38. Reclamar de forma eficaz, mas educadamente em um restaurante
39. Realizar o parto de um cordeiro

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Treinamento individual

video
Vídeo do começo de 2011...será que tem algum curso pra fazer filme de verdade?

Vasculhando


Certa vez, numa conferência sobre religião no Japão, um filósofo social de Nova York disse a um monge xintoísta: "Já estive em algumas cerimônias e já vi vários dos seus templos. Mas não entendi sua ideologia, e não entendi sua teologia". O japonês refletiu por alguns instantes e respondeu: "Não temos ideologia, nem teologia. Nós dançamos".
O texto achei aqui: afontedavida.blogspot.com
Imagem: Teiji Hayama

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Google maps

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Crônicas da capital



No meu caminho de toda quarta até à Asa Norte do avião...gosto de ficar olhando o caminho...já que geralmente faço a viagem no horário do rush. A seca já se iniciou por aqui...mas antes de ontem choveu...acho que foi um fenômeno isolado, mas também suficiente para que eu pudesse ver folhas verdinhas e flores próximo ao Sudoeste...e assim...a vida vai seguindo...como se ela fosse feita só dos pequenos bons momentos.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: tirei daqui http://www.flickr.com/photos/matheusgf/

terça-feira, 17 de maio de 2011

A mudança



Já estou dominando a técnica exata. Consegui nos últimos dias agir com a simplicidade que a situação requer. É algo que exige um certo esforço e que portanto não é tão fácil, mas é passível de execução. Há necessidade de tempo...é ação e reação como me parece haver uma lei da física. Catei alguns cacos e coloquei nas caixas. Arrumei os livros na estante. Forrei a mesa com toalha branca e coloquei ao centro um jarro com flores pequenas. Me desfiz de algumas roupas. Ousei selar cartas e enviá-las pelos correios mesmo sabendo que hoje isso é um tanto incomum. Fiz alguns pequenos cálculos...fáceis é bem verdade. Retirei o lixo...arrumei os porta-retratos que estavam próximos à televisão...ainda não troquei as fotos. Recolhi o excesso de papéis que ficavam por cima da impressora e tirei algumas cópias. Tratei de organizar as chaves em um único chaveiro. Assim...venho me preparando para a mudança. A casa onde passei os últimos 8 anos vai me dando adeus e eu a ela. Ali entre as paredes vão ficar guardadas vozes e estações...semanas e meses...descanso e perguntas...causa e efeito...emoções e desencanto. Dali partirei em fuga...e acho que um dia...quando olhar pra trás e rememorar...vou pensar com convicção que esse trecho foi apenas uma pequena parada do resto da minha vida inteira.
Texto: Wandréa Marcinoni

Guerra dentro da gente


(…)

- Quer aprender a arte da guerra?

Sem esperar resposta, o velho disse:

- Esteja aqui amanhã, quando a cor da água do rio passar da cor da asa do estorninho para a cor do nenúfar.

O garoto foi pra casa, pensando: amanhã.

(…)

Manhã cedinho, à primeira luz e ao primeiro passarinho, o menino acordou e saiu devagar, todo mundo dormindo.
Lá estava o velho.
Caminhou até a ponte, aproximou-se do homem e disse:
- Estou pronto.
- Você não serve para a arte da guerra.
- O que foi que eu fiz de errado?
- Qual é o seu nome?
- Baita.
- Você não serve para a arte da guerra, Baita. Não te disse para estar aqui na hora em que a cor do rio passa da cor da asa do estorninho para a cor do nenúfar?
- Estorninho, eu sei o que é, meu pai me disse. Mas o que é nenúfar?
- Não interessa. Porém, se você ainda quiser aprender a arte da guerra, esteja aqui amanhã, quando a voz do vento deixar de dizer adeus e começar a dizer venha.

(…)


Texto: Paulo Leminski
Imagem: Nenúfares de Monet

Pequenina


Só caibo em corações grandes.
Breve texto leve: Leandro Quintanilha
Imagem: Adolie Day

A luz


Eu existia como sessão de cinema em noite de estréia.
Eu sentia como comemoração de 50 anos ou metade da vida.
Eu me enxergava como quem vê algo embaixo d'água.
Eu respirava como se existisse em perfume de flores.
Eu caminhava como quem sabe do evidente destino.
Eu amava como quem é para sempre.
Mas eu...eu não entendia.
Por não entender confirmei a sentença.
E hoje é por uma fresta na janela que eu vejo o Sol.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Adolie Day

Convicção


Eu entendi...e por isso fiquei muda...
Imagem: Adolie Day

Salve salve


"E canto aleluia para o ar assim como faz o pássaro. E meu canto é de ninguém. Mas não há paixão sofrida em dor e amor a que não se siga uma aleluia"

Texto: Clarice Lispector
Imagem: Adolie Day

A garota do girassol



Eu tenho a mente clara...e meus pensamentos são bem limpos. Tenho a exata idéia de todos os últimos acontecimentos. É que pra mim tudo se encaixa. O que eu não sei é da verdade dos outros...e isso me incomoda muito. Será que se pensa como eu...será que se sente como eu sinto? Houve uma sequência de acontecimentos que foram marcantes...traumáticos...e que fizeram meu coração...não afeito aos maus sentimentos...viver em um um pulsar descompassado...mas isso eu guardei pra mim. Sempre usei uma armadura. É bem verdade que ela não é intransponível...não funcionou todas as vezes que precisei...e por conta disso ainda tenho na pele algumas lesões mal cicatrizadas. Por poucas vezes e com poucas pessoas ousei falar sobre tudo. Não convém...não é útil...não modifica os fatos...não é curativo...não é indolor. Carrego comigo a idéia do sonho desfeito...do sonho que era maior que eu mesma...e que me fez lutar de forma desenfreada contra toda veracidade muitas vezes "esfregada" em meu rosto. Tenho alguns arrependimentos por isso...porque não basta usar de imaginação...de desejo...de alegrias incontidas...da vontade de crescer e vivenciar para que as coisas se construam. É preciso muito mais...muito mais do que ser sozinho. É preciso a companhia...é preciso a aceitação...é preciso ser diferente.
Hoje...tenho a visão um pouco nublada...o coração ainda machucado...o medo que antes não tinha...mas eu não perco a esperança na propriedade curativa do tempo...e acredito que os fardos pesados...são dados a quem tem força para carregá-los. Abandono aqui os ares de clarividente...mas sei que lá no fundo...eu sou ainda sou a mesma que eu era antes.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Four Cut Sunflowers - Vincent van Gogh

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Antes ou depois


"...A vida muda rápido...a vida muda num instante..."
Trecho do livro O ano do pensamento mágico
Imagem:Lisa Evans

domingo, 15 de maio de 2011

Fanatismo


Minh' alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver
pois que tu és já toda minha vida
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história, tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina, fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como um deus: princípio e fim!...
Texto: Florbela Espanca
Imagem: Lisa Evans

Metralhadora giratória


O sentido da vida está na curiosidade constante...na busca por novos momentos...tirar alegria das coisas mais bobas...se encher de energia com um sorriso...ver beleza onde ninguém vê...amar aquele que está do seu lado ou não...olhar pro céu azul e pensar que nada pode ser mais lindo...ganhar dinheiro, mas sempre achar que a felicidade está em outras coisas bem mais duráveis que o carro do ano...acreditar que após a tempestade vem realmente um dia sem nuvens e com sol brilhando...gostar do perfume das flores...do gosto das coisas...do cheiro de criança...enfim...o sentido talvez esteja em tudo que já não faz mais sentido pra ninguém...
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem:Anne Julie

Água turva


Houve uma certa relutância da parte dela em colocar o ponto final em tudo aquilo. Parecia que o fato de cultivar a lembrança o manteria por perto. Guardava mesmo uma pequena esperança de que enfim seus desejos como que por encanto do pó se transformassem em muralhas e castelos...com ela saindo ilesa após o terremoto. O tempo foi passando...e ele é senhor da razão...mostra que algumas vezes...por mais que tenhamos certeza do que sentimos...não basta sentir sozinho. Na verdade...ela nunca saberá das reais circunstâncias e fatos que levaram a tudo isso. Não está certa nem ao menos de que seja a real culpada. Guarda questionamentos inúteis...perguntas sem respostas...pensamentos diários que vinha cultivando. Ela acha que eles permanecerão em sua cabeça por longo tempo...mas desistiu de sofrer...e por isso tirou toda e qualquer lembrança material de sua frente...embora saiba que o conteúdo cravado no coração e mente requer um esforço maior...mas há a inquestionável necessidade de reconstrução...e essa...precisa vir em algum momento...e para ela...esse momento deve ser agora.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Lisa Evans

sábado, 14 de maio de 2011