terça-feira, 17 de maio de 2011

A garota do girassol



Eu tenho a mente clara...e meus pensamentos são bem limpos. Tenho a exata idéia de todos os últimos acontecimentos. É que pra mim tudo se encaixa. O que eu não sei é da verdade dos outros...e isso me incomoda muito. Será que se pensa como eu...será que se sente como eu sinto? Houve uma sequência de acontecimentos que foram marcantes...traumáticos...e que fizeram meu coração...não afeito aos maus sentimentos...viver em um um pulsar descompassado...mas isso eu guardei pra mim. Sempre usei uma armadura. É bem verdade que ela não é intransponível...não funcionou todas as vezes que precisei...e por conta disso ainda tenho na pele algumas lesões mal cicatrizadas. Por poucas vezes e com poucas pessoas ousei falar sobre tudo. Não convém...não é útil...não modifica os fatos...não é curativo...não é indolor. Carrego comigo a idéia do sonho desfeito...do sonho que era maior que eu mesma...e que me fez lutar de forma desenfreada contra toda veracidade muitas vezes "esfregada" em meu rosto. Tenho alguns arrependimentos por isso...porque não basta usar de imaginação...de desejo...de alegrias incontidas...da vontade de crescer e vivenciar para que as coisas se construam. É preciso muito mais...muito mais do que ser sozinho. É preciso a companhia...é preciso a aceitação...é preciso ser diferente.
Hoje...tenho a visão um pouco nublada...o coração ainda machucado...o medo que antes não tinha...mas eu não perco a esperança na propriedade curativa do tempo...e acredito que os fardos pesados...são dados a quem tem força para carregá-los. Abandono aqui os ares de clarividente...mas sei que lá no fundo...eu sou ainda sou a mesma que eu era antes.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Four Cut Sunflowers - Vincent van Gogh

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