sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Percepção


Ao sair do trabalho...em uma esquina da cidade sem esquinas, avistei um homem tingido de azul...
Azuis eram também sua calça, camisa, seu rosto e sua viola.
Era meio dia...e ao fechar o sinal...ele tocava uma música que ninguém ouvia.
Ninguém ouvia porque era meio dia,
Ninguém ouvia porque o sol estava a pino,
Ninguém ouvia porque a cidade não tinha esquinas.
Ou simplesmente, ninguém ouvia porque era apenas um homem pintado de azul, na esquina da cidade que não tem esquinas, com o sol a pino ao meio dia.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Correio Brasiliense

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Cotidiano


Ela escrevia à noite enquanto tomava uma taça de vinho...
Borrifava perfume na cama...
Dormia abraçada com um travesseiro...
Acordava no mesmo horário...
Não tomava café em casa...
Entrava no carro e colocava as mil bolsas no banco do passageiro...
Escolhia as músicas do dia...
Refletia com elas...
Trabalhava e trabalhava...
Mas em qualquer lugar e qualquer momento...fagulhas e relâmpagos na cabeça...
Pensamentos em polvorosa...
A pequena menina...dizia pra si mesma...pra descer...pra pousar...
A pequena menina esqueceu de escutar...
Vaga por aí pisando nas nuvens e se sentindo estrela...
E à noite escreve novamente só pra não perder o hábito...
Texto: Wandréa Marcinoni

Ouvindo essa



Imagem: Samuel Bradley

Vi hoje

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Palavras expostas em parede de concreto


É sério que chove...
É sério que sinto a tua falta...mesmo aqui do outro lado da terra vermelha...
É sério que você mora longe...mesmo estando aqui a todo segundo do pensamento...
É sério que não sinto nada por ti...embora o que falo soe como mentira...
É sério que falamos em saudade...mesmo sem saber qual o sentido dessa palavra ...
É sério que ficamos calados...mesmo com as palavras empilhadas em pensamentos...
É sério que foi um encontro impensado ...mesmo que a expressão fosse de anos de afastamento...
É certo que você me falou em adeus ou até logo...mas eu piamente acreditei no por si só definitivo
É certo que escrevo fragmentações...baseada em interlocutores e pensamentos avulsos...
Sistematicamente, sem substrato, sem alicerce, sem superficialidades...
Mais profunda que uma cova rasa...
Mais amante que potencialmente esposa...
Mais louca que a Maria portuguesa...
Mais repulsiva que pólos iguais de um pequeno imã...
Mais sensitiva...
Menos pragmática...
Fortemente decidida por um sentimento eterno que te guarda...
Porém efetivamente resignada em guardar-te para mim...
Não esquecer, posto que em aura, me cubro de ouro e me despeço em salvas da vã tentativa de não mais lembrar.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Brooke Shaden

O amor é assim

Sintomático


Uma garota em uma redoma de vidro...
Olhava fixamente para um ponto cego...
De perto não via nada...
Andava em círculos em um pequeno espaço...
Havia tentado voar...
Mas a asa quebrada tornava um fardo a pequena tarefa...
Perdia o fôlego à mínima tentativa...
Dentro de si tumulto e confusão...
Passos tortos...luz que ofusca...
Cegueira...falta de entendimento e insanidade...
Procura, falta, vagos pensamentos...
Ela o olhava distorcido no reflexo de um espelho quebrado...
Não havia chão...
Não havia pés...
Não havia o caminhar...
Não havia o sentido...
Não havia a direção...
Não havia o amor...
Não havia o tempo...
Não passavam as horas...
Não passava a dor...
Na verdade...ela sabia...o nome disso...isso que não passa...soletra: s-a-u-d-a-d-e.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Brooke Shaden

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Eu não sei contar o tempo


Não houve tempo.
E a gente não sabia disso.
(…) Não havia tempo,
A gente quase nunca sabe disso.
Texto: Caio Fernando Abreu
Imagem: Benjamin Lacombe

Ela


"Amor impessoal, amor it, é alegria:
mesmo o amor que não dá certo,
mesmo o amor que termina."
Texto: Clarice Lispector
Imagem: Ann Mei

AMO

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Obliviate em mi menor


Amo de paixão o garoto fictício...
Dos olhos mais bonitos...do perfume de incerteza...do abraço apertado...dos poemas com sol a pino...
Onde ele está?
Na luz do sol ou da lua...
No vento e arco-íris...
No quadro negro...
Em um pedaço de giz...
Na porta da escola...
No canto da casa...
No dia feliz...
Nas músicas que escuto...
No caminho pro trabalho...
Nas mensagens no celular...
Nos e-mails ainda não lidos...
Nas fotografias não tiradas...
Nas viagens que não fizemos...
No diário que não escrevi...
Nas cartas que não li...
Nos livros na estante...
Nos filmes de Almodóvar...
O garoto fictício...está em mim.
Quisera eu...por todos os caminhos tortos encontrá-lo e dizer bom dia...
Texto: Wandréa Marcinoni
Inspiração: Dia de visita
Falta de continuidade: Wandréa Marcinoni
Cartas não marcadas: Wandréa Marcinoni
Imagem: Brooke Shaden

domingo, 18 de setembro de 2011

Flutuando


"...e o meu coração que tu não sentes vai boiando ao acaso das correntes..."
Texto: Florbela Espanca
Imagem: Lissy Laricchia

sábado, 17 de setembro de 2011

Ti Bunitim

Teus olhos alma minha


Eu te amei desde antes de estarmos juntos...desde antes do teu sorriso...bem antes do teu beijo...mesmo sem sentir teu abraço...
Eu te amei por circunstâncias metafóricas...por desencontros momentâneos...por causa das fases da lua...
Eu te amei porque não seria eu se não te amasse...
Eu te amei pela representatividade e por causa do teu rosto franzido em frente ao sol...
Te amei por conta dos teus olhos...e porque me perdi dentro deles...
Te amei pelas tuas palavras e pelo teu silêncio...por não querer calar...pela falta de assunto...pelo excesso de sentimento...
Eu te amei pela janela aberta...pela porta fechada...por me mandar entrar...
Eu te amei pelo sonho e pela retórica romântica...
Te amei por ser carta marcada...por ser página virada...por ser falta de ar...
E agora que não estamos juntos eu te amo por tua ausência...e faço dela significado pra continuar a te amar...
Texto: Wandréa Marcinoni

Cânticos e provérbios


Cartões postais, reticências, porta retratos, organização, controvérsias, entendimentos, produtos manufaturados, interjeições, perguntas, argumentos, postagens, orgulho, pastilhas, jujubas, imitações, alegorias, consternação, aleatório, falsos poetas, meias palavras, antagonismos, experiências, sintetizar, amar, fatos exatos, sintomas, sentimentos, fuga, encontro, tato, semáforos, meses, tempo, espaço, sensibilidade, fogos de artifício, intensidade, músicas, filmes, controle, insegurança, tardia, pontualidade, exames, caminhos, encruzilhada, montagens, fotos, alegorias, intuição, força, enredo, fantasia, perguntas, satisfação, falta, imitações, santidade, mentira, passarinhos, paisagem, figuração, intelectualidade, massas, físico, livros, visão, cegueira, hábito, fumaça, hipóteses, antagonismos, situação, socorro, pontuações, alma e vida afinal...
Idéias soltas ao vento: Wandréa Marcinoni
Significância: Wandréa Marcinoni
Palavras e sentidos: Wandréa Marcinoni
Imagem: Brooke Shaden

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

E assim também

Eu sou assim

Refletindo


Video: Wandréa Marcinoni

Algo que eu não paro de ouvir

Uma crônica


A sala com paredes brancas, dois sofás azuis reformados, cadeiras em tom laranja e preto, uma geladeira antiga à esquerda, um computador à direita e à minha frente uma tv de tela plana passa notícias rápidas e fugazes.
A calmaria temporária contrasta com o movimento do dia.
Estou acordada e ainda em completa sintonia com o ambiente...pensar, agir, escrever, ver o tempo passar sem me levar junto...
A janela da sala aberta contrasta com o ar condicionado central que me faz confundir Brasília com a Sibéria...fazendo uso aqui dos exageros habituais...
A vida lá fora estará como? todos já adormeceram?
Aqueles que gostam da noite provavelmente tardam a chegar...afinal hoje é uma quinta e quinta é véspera de sexta...o que já faz pensar automaticamente em final de semana, descanso e diversão...
Então...eu interrompo minha breve dissertação sobre uma noite comum, em um local incomum, por uma pessoa comum e volto ao trabalho...afinal ainda há muito o que fazer.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Samuel Bradley

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ouvindo essa



Imagem: Brooke Shaden

Há luz na minha varanda


Imagem: Arquivo pessoal

Ouvindo no carro

Coisas que você vê na web


Something old, something new
Something borrowed, something blue
Imagem: Brooke Shaden

Mulheres de Atenas


No quarto havia um armário com roupas amontoadas...
Era um tempo diferente...não havia os grandes impérios...
Em meio a tudo a garota escutava as mulheres com suas estórias...
Aguardava atenta a hora de por tudo de volta em seu lugar...
Elas falavam do difícil desligamento...da violência...da nulidade...
Vestiam blusas...provavam roupas...
O masculino era a proteção que não tinham...
Julgavam melhor tê-los que fazer par com a solidão...
Não importava a alma triste...
Sorriam boquiabertas para a sociedade fanfarrona...
Choravam em esconderijos úmidos e escuros cobertos por lágrimas...
Queriam a felicidade compartilhada...o amor protetor e não lesivo...
Sonhavam como criança sonha...e viviam esse sonho só seu...com um ser extraterreno, fugaz, imaterial, fantasmagórico e burlesco e com este...andavam de mãos dadas pelas ruas largas da praça capital...
Texto: Wandréa Marcinoni baseado em mesa de bar
Imagem: Brooke Shaden

Ouvir Ver Sentir

A casa


Escolheu os acessórios enquanto ouvia música...
Fixou o olhar no espelho buscando detalhes escondidos...
Usou a roupa que lhe cabia em meio àquela situação duvidosa...
Calçou sandálias de couro...
Pensou que seria mais fácil se equilibrar se as usasse...
Colocou o celular no silencioso...andou até a sala...pegou a bolsa que estava sobre a mesa junto com suas anotações...
Naquele dia fazia sol...mas ela não tinha nitidez na alma pra enxergar...
Abriu a porta...e em seguida deu duas voltas na chave...tentativa vã de guardar ali só as lembranças boas...
Não pensou em favorecimentos...na verdade...apesar de pouco falar sobre isso...pensava ser apenas o justo...nem mais nem menos...
Janeiro virá...hoje ela pensa assim...
Como já pensou outras vezes em março, agosto e outubro...
Janeiro virá...e com ele...flores fora de hora...perfumes e incensos...tonalidades fortes, chão de barro, portas de vidro, céu na varanda...caixas de papelão colecionadas das portas dos supermercados...desordem momentânea, fagulhas sem fumaça...livros empilhados.
E quando terminar essa festa...com certeza..já será o carnaval...
Texto: Wandréa Marcinoni baseado em crônicas do novo lar
Conjecturas: Wandréa Marcinoni
Imperfeições e correlatos: Wandréa Marcinoni
Imagem: Broke Shaden

terça-feira, 13 de setembro de 2011

BIUTIFUL


Os girassóis possuem heliotropismo...dizem que representam sorte , sucesso, fama, felicidade...
Ganhei meu apelido por conta do cabelo: amarelo, bagunçado, embaralhado...eu me auto-apelidei...com tendências poéticas, tentativa furtiva de ter dupla cidadania terrestre...
A personalidade é a mesma, mas a garota do girassol é ainda mais emotiva e fantasiosa...
Vive do escrever, ler, conversar, amar, viver...
O escrever passou de necessidade pra prazer em pouco tempo...e o desabafo tomou ares de felicidade e resignação...
Quando me leio...me vejo em todas as situações reais ou não...
Tem dias que sou ficção...mas nem sempre é assim...
Pra quem me conhece...sou aquela que gosta de carícias na alma...que gosta de flores...de letras desbotadas...de cores fortes...de vida farta...mas também sou aquela que carrega segredos meio infantis dentro de caixas mal lacradas...que titubeia em decisões...que não quer magoar...e que no naufrágio...entrou em um bote...deixando pra trás estórias fortes que nem os filmes do Iñárritu
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Brooke Shaden

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Baseada em lenda


Eu tenho alma de poeta...
Tenho jeito de menina...
Tenho marcas tatuadas...
Demoro a distinguir o certo do errado...
Acredito piamente em muitas coisas que me dizem...
Não enxergo bem...
Não uso os óculos como deveria...
Rejeito a perfeição...
Intuo muitas vezes...
Busco razões para o que não entendo...
Quando estou curiosa, pergunto...
Quando estou triste, me calo...
Quando estou feliz, não sei fingir...
Quando amo, amo muito...
Quando não gosto, sei perdoar...
Queria ser forte, mas não é assim que me sinto a maioria das vezes...
Espero em mim...mas sinto saudades...
E a bem da verdade eu não sei o que fazer com ela...
Se estou sozinha eu desabafo...
Gosto de ver a vida...e não quero que ela passe sem razão...
Tenho andado entretida com minhas pequenas coisinhas...
Nem lembro que são só minhas...
São mais bonitas quando sou dois...
E por conta disso, teço comentários ocasionais sobre a lua cheia ou sobre programas culturais...
Algo bem mais prático que minhas tantas sentimentalidades...
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Masha Sardari

Ouvindo agora




Imagem: Katia Chausheva

Preenchendo meus momentos com pequenos textos


Texto: Cecília Meireles
Imagem: Arquivo pessoal

Simples assim 2


Amor palavra que liberta
Frase solta nos muros de concreto de São Paulo: Gentileza
Imagem: arquivo pessoal

Simples assim


Imagem encontrada em Recife por Thiago Soares( Vi em um dos meus blogs favoritos o Don't touch my moleskine).

domingo, 11 de setembro de 2011

Dois


Paixão e amor...
A paixão estado agudo...intenso...conturbado...que tira o fôlego...que pára a respiração...que age só pela vontade e desejo ...algo sem explicação...sem sentido ...tendência para exclusão de cálculos ou sentenças definitivas.
O amor...aquilo que vem depois...com algo de paz...que é de tamanha intensidade...mas de tamanha calmaria...que permite racionalizar...e agir de forma bem pensada...
Eu sei dos dois...sei da paixão e do amor...
Eu sou os dois...nem um nem outro...nem mais nem menos...apenas...os dois.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Arquivo pessoal

Vi hoje

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Canto de passarinho


Às vezes ela ouvia o canto dos passarinhos...
E quando ela ouvia, lembrava da música e do CD de capa preta que ele deu a ela e que ela deu a ele...
Da segunda vez que o viu...ainda não tinha aberto...estava envolto no plástico do mesmo jeito...
Ela, detalhista ao extremo notou de imediato, mas fez cara de paisagem bucólica dos arredores franceses...algo definitivamente blasè.
Da última vez que o viu voltou a questionar: se os passarinhos têm asas...por que algumas vezes desaprendem de voar?
A imagem e sensação derradeira foi a da porta aberta...que na demora pra fechar bem que podia significar fica comigo...mas que na real sempre teve o tom da despedida...
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Lissy Laricchia

Fotografias


Cartas, papéis, fotografias em caixas empilhadas por entre as roupas...
Guardam lembranças do passado fictício...
Memórias e fidelidade...
Linhas tortas em traços irregulares...
Força que falta...
E agora ela se permite as poucas lágrimas e a sutileza do sentir...
O que ela vai fazer com tais memórias não tem resposta...
Vai guardar...pra ter marca dos momentos...
Pois outro dia quando ousou relembrar...havia um rastro desbotado em preto e branco do que um dia ela já foi.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Shiori Matsumoto

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Eu em você



"Fico com medo. Mas o coração bate.O amor inexplicável faz o coração bater mais depressa. A garantia única é que eu nasci. Tu és uma forma de ser eu, e eu uma forma de te ser: Eis os limites de minha possibilidade."
Texto: Clarice Lispector
Imagem: Sam Taylor Wood

Eu e os girassóis


Desabafo no agreste do planalto central


Setembro aqui na cidade concreto está de matar.
O ar é tão seco que nossa pele, nossos olhos e até nossas palavras só desejam que caia uma gota d'água desse céu.
Hoje está pior, pois o cerrado vem ao longo da saga "secura total" "ardendo em brasa" e "virando cinzas"...
Eis...que hoje abro a janela e dou de cara com o cinza misturado com a fumaça, misturado com o ar irrespirável...e nem sombra daquele céu azul Brasília...
Então escrevo textos, posto que não quero que o clima desértico atinja minhas já parcas palavras.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Wilson Dias

Saldos e balanços




Imagens/bugigangas/mimos: Wandréa Marcinoni

Ouvindo essa



Minhas idéias e eu


Ela sentou-se em frente ao computador, ajustou o foco da webcam inúmeras vezes indo do mais nítido ao total "desfoco"...
Era um ato sem nexo...quase que só pra acompanhar a compilação do seu imaginário.
Desviou o olhar...
Pareceu esquecer...
Ajeitou-se na cadeira, passou o olhar por sobre a mesa, observou cada tecla com letras brancas no fundo preto...
Abriu a agenda azul que comprara na Liberdade...olhou para o texto de Drummond que colou na contra capa e passou a enumerar idéias...
Tentava impedir o movimento em queda que elas faziam tal qual moedas sem valor que se espalhavam pelo chão...
Era o tempo que esperaria para postar o novo vídeo...
O vídeo que havia achado em meio à balas e elefantes...
Tosco, caro, artesanal...
Mas que a fez pensar...que suas idéias são iguais a ele: toscas, caras e artesanais...
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Evelina Oliveira

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Impactos


Noites atrás eu tive a impressão da porta aberta....
Era como se você estivesse a um passo de me falar algo...
Talvez nada daquilo que minhas expectativas fantasiosas desejassem, mas algo...
Algo de bom...ou não, mas algo...
Mas senti que você perdeu a voz e o jeito...
E ficou tão no ar quanto eu...
E o término do dia foi tão inesperado, mas tão sensorial...que misturei todas as imagens e perfumes e sentidos com a mania de flutuar...
Depois olhei tudo lá de cima...
Senti tudo como antes...
Antes dos flashs...
Antes do hoje...
E pensei que minha primavera foi melhor que muitos outros verões.
Texto: Wandréa Marcinoni com alguma dose de felicidade
Imagem: Brooke Shaden

O que é o amor pra você hoje


Liberdade na vida é ter uma amor pra se prender.
A gente reclama muito da dependência...mas como é maravilhoso confiar no outro...
Confiar a ponto de não só repartir a memória, mas também as fantasias...
Confiar no outro a ponto de se esquecer quem se foi...sem que o outro esteja junto...
É talvez chegar em casa e contar como foi seu dia...
E só sentir que teve um dia quando a gente conta como foi.
É como se o ouvido da outra pessoa fosse nossos olhos.
Amar é uma confissão.
Amar é justamente quando o sussurro funciona muito mais do que o grito.
Amar é não ter vergonha das nossas dúvidas.
É falar uma bobagem e ainda assim se sentir importante.
É lavar louça e nunca estar sozinho.
É arrumar a cama e nunca estar sozinho.
É aquela vontade danada de andar de mãos dadas durante o dia...e de pés dados durante a noite.
Texto baseado no vídeo do Carpinejar.
Imagem: Criswey

Vi hoje