terça-feira, 29 de março de 2011

Atestado para um dia


Continuar escrevendo significa dar andamento aos meus sentimentos...não há exposição...ao menos não por completo..uso metáforas...me sinto bem...acho divertido, produtivo, consistente...mesmo que não o seja...ler...escrever...me entender...todo dia...coisinha boa demais...não é rotina...é bem estar...
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Imagem pichada em muro da Argentina...do blog don't touch my moleskine

São tantas emoções


Estava o jacaré na beira do brejo
tomando um copo de sol.
Foi o menino
E tascou uma pedra
No olho do jacaré.
O bicho soltou três urros
E quebrou o silêncio do lugar.
Os cacos do silêncio ficaram espalhados
na praia.
O copo de sol não rachou nem.

Texto: Manoel de Barros
Imagem: Nicoletta Ceccoli

Fragmentos de um discurso amoroso


"1. Aquilo que repercute em mim, é o que aprendo com meu corpo: alguma coisa fina e aguda acorda bruscamente este corpo que, nesse intervalo de tempo, estava adormecido no conhecimento racional de uma situação geral: a palavra, a imagem, o pensamento agem como um chicote. Mas meu corpo interior começa a vibrar como se sacudido por trompetes que se respondem e se sobrepõem: a incitação provoca um rastro, o rastro se espalha e tudo fica (mais ou menos rapidamente) arrasado. No imaginário amoroso, nada distingue a provocação mais fútil de um fato realmente conseqüente; o tempo é sacudido para a frente (me sobem à cabeça predições catastróficas) e para trás (me lembro atemorizado dos 'precedentes'): a partir de um nada, todo um discurso da lembrança e da morte se eleva e toma conta de mim: é o reino da memória, arma de repercussão - do 'ressentimento'.

2. Quando as frases lhe faltavam, Flaubert se jogava no sofá: ficava em 'vinha-d'olhos'. Se a coisa repercute com muita força, ela provoca uma tal confusão no meu corpo que sou obrigado a parar tudo o que estou fazendo; me deito na cama, e deixo passar a 'tempestade interior' sem lutar; ao contrário do monge zen, que se esvazia de imagens, deixo que elas me encham, sinto seu amargor até o fim."

Texto: Roland Barthes
IMagem: Nicoletta Ceccoli

Minha timidez ou algo assim como eu



"Shyness is nice, and
Shyness can stop you
From doing all the things in life
You'd like to..."

Trecho da música ASK ( Composição : Morrissey/Johnny Marr )
Imagem: Nicoletta Ceccoli

segunda-feira, 28 de março de 2011

Amo muito tudo isso

Um ano que ainda começa



Talvez este ano eu tenha dormido demais...
Talvez tenha esquecido de calçar meus sapatos velhos...
Talvez tenha ido menos ao cinema do que gostaria...
Talvez tenha cansado de sonhar...
Talvez tenha dado mais atenção às flores alheias...
Talvez este ano não tenha catado conchinhas à beira-mar...
Talvez não tenha lavado os cabelos todos os dias, talvez tenha deixado de lado alguns projetos...talvez tenha caminhado demais, talvez tenha feito mais do que deveria...mas há algo que não é um talvez...
Este ano...meu coração vazio se encheu...e transbordou...e fez de mim...a pessoa que eu sempre fui...àquela da intensidade tão sincera que derrama pelas beiras...mas mesmo assim eu ainda me pergunto: porque é mesmo que eu não sei usar máscaras?

Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Lisa Evans

domingo, 27 de março de 2011

Susto


Se pudesse construiria enormes pontes pra te alcançar
Se pudesse encheria o dia com as canções que te enviei
Se pudesse tiraria cada pedra do caminho
Se pudesse encheria tua vida de alegria
Se pudesse te pediria perdão
Se pudesse ainda que eu pudesse te pediria para ser senhor do tempo e fazer a vida retroceder
Se eu pudesse...ainda que eu pudesse...
Mas não posso...esse é o fato...
Então...me ergo todo dia às 5 da manhã e digo a mim mesma...que o dia vai ser longo...mas que eu vou sobreviver...
E construir de novo...me construir de novo...em galhos, sobras, tijolos e alvenaria...e amor e ternura...e carinho...pois que sem eles não passo de desejo e inquietação...sobras e delírios e atalhos e segredos que não posso revelar...

Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Benjamim Lacombe

Pensando


Imagem tirada do blog Don't touch my moleskine

Poeminha



Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo..."

Texto: Cora Coralina

Imagem: Serena Curmi

A vida é bem assim


"Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras coisas."

Texto: Caio Fernando Abreu
Imagem: Wang ZhiJie

sexta-feira, 25 de março de 2011

Cartas de amor são ridículas?


Eu queria escrever cartas de amor...há um texto de Pessoa no heterônimo de Álvaro de Campos que diz: " Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas"...mas mesmo assim eu queria escrevê-las...para o dono do meu coração...porque amar e não expressar...não me parece o "normal"...ou talvez não me pareça" o louco"..." o alucinado"..."o transbordante"..."o insensato"...o meu...o meu mesmo...o meu jeito de amar.

Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Emiy Martin

quinta-feira, 24 de março de 2011

Ouvindo esta


The Story
All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
Oh yeah it's true... I was made for you

Composição: Phil Hanseroth
Imagem: Holly Clifton-Brown

segunda-feira, 21 de março de 2011

Algo assim...mas não igual


Ela comprou uma pequena caixa e embrulhou pra presente...era 23...entregou a ele...pediu que adivinhasse o conteúdo e num passe de mágica...eis que ele o fez...foi inesperado e feliz...a caixinha de música gasta de tocar...o velho eterno sucesso de outrora...pra transformar o dia em tradução de eternidade...aquela eternidade que dura exatos dias incertos...os exatos dias em que foi total e plenamente feliz...

É isso então...

domingo, 20 de março de 2011

Vixi


Ela se via cercada de festa e sorrisos...ela se achava envolta em nuvem de fumaça...havia perfume e rosas e girassóis...havia músicas e filmes...havia o ego...havia o superego...havia as dúvidas e as certezas...ela gostava de tudo...se sentia bem...tudo fluia como música...como valsa...como contexto enfim...cheio de sorrisos...de desapego...de ironia...e fantasia. Era que nem sonho bom de se sonhar...interminável...com tons de arco-íris...era colorido...mas se fosse em preto e branco ela não se importaria...faz parte dela esse ata e desata...essa cor ou não cor...esse fim sem ter fim. Ela é menina...não cresceu...ela é palhaço...daqueles que sempre têm lágrimas derramadas...ela não esconde...não tem a tal da inteligência emocional...ela é sentido...infindo...intenso...faminto...sedento...mas tem escrúpulos...não sabe fingir e esse é o mal...paga pecados...reza novenas...chora lágrimas initerruptas...fala de amores e sequelas...fala de vida e da não vida...segue em silêncio até onde pode, mas quando ousa falar...esbarra nas verdades que não são fáceis de dizer...mas são mais puras e por isso são mais ela do que falar das futilidades das novelas globais...mas as futilidades às vezes são bem mais bem vindas do que essas coisas do coração...
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Raquel Diaz Reguera

Das tolices do coração


Queria apenas pedir um favor antes que você rasgue este resto do que tivemos. Se algum dia, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando tolices parecidas com estas, escreva também uma carta. Mesmo sem jamais saber o que você irá dizer, sei que ela fará de mim menos ridícula. Neste amor e, por isso, em todo o resto. Pois adoraria que você fosse capaz de tanto - escrever uma carta é um ato de desmedida coragem. E eu ficaria, enfim, feliz comigo, por tê-lo amado. Um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas.Então é isso - como sou insuportavelmente romântica, meu Deus. Termino aqui essa história, de minha parte, contando que estas palavras façam jus ao fim do amor que senti. E deixando este testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável. Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta para mim.

Texto: Fernada Young
Imagem: Scott G. Brooks.

Encontro



Foram alguns segundos...mas me vi em apnéia e meu coração quase parou...

Texto: Wandréa Marcinoni

Imagem: Lisa Evans

sábado, 19 de março de 2011

Entre flores e livros



"Se tens um jardim e uma biblioteca, tens tudo o que precisas."

Essa constatação é perfeita!

Texto: Marco Túlio Cícero

Condições para um tempo estável


Hoje voltei ao nosso lugar...olhei a multidão e achei que te veria em meio à ela ...como naquela tarde de domingo e cinema e pipoca...não te vi...mas achei ter te visto em meio àquelas pessoas...naquele corredor gigante...na escada rolante...nas faixas de acesso...no estacionamento fechado...no local de brincar...mas ledo engano...estavas era aqui...mais que presente...bem dentro de mim.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Kimberley Pope

Resoluções


Da última vez que eu vi o moço, nós fomos a um show releitura do Michael Jackson. É isso mesmo. Quando ele quase morreu, por pouco não fiquei sabendo. Era fevereiro e eu estava apaixonada demais para imaginar que isso fosse acontecer. Com ele, que havia sido um melhor amigo e uma grande paixão – dele, quando eu não retribuía, e minha, quando ele não retribuía. Ensopei de água e delineador uma camiseta e depois tomei uma cerveja – respirei fundo e deixei para lá. Eu e o moço nunca mais nos falamos, mas eu penso nele todos os dias.

Esse ano, e em todos os anos, cuide bem de quem tem por perto. É sorte sua, e não só deles, que lá estejam.

Texto: Fernanda Bandini
Imagem: Ilana Lichtenstein

sexta-feira, 18 de março de 2011

Cumulus Nimbus


O céu era um teto de nuvem...
Mas ela nem percebia...
Todo dia amanhecia com o sol dentro de si.
Texto do blog anivelde
Imagem: Lisa Evans

Eu quero um Moleskine

Controversa


Hoje fez dia de sol.
Ontem foi dia de chuva.
Hoje fez muito calor.
Ontem choveu e fez frio.
A vida esquenta e esfria.
Meu coração pulsa e pára.
Há sístole e diástole.
Há o cheio e o vazio.
Há o sorriso com lágrima no meio.
Há brigadeiro sabor chocolate meio-amargo.
Há confete e serpentina, mas nem sempre é carnaval.
Há fruta do conde...há um ata e desata.
E hoje me vi tatuada...como poesia com fim desconexo.
Texto: Wandréa Marcinoni
IMagem: Benjamim Lacombe

Para não dizer que não fazemos algo de útil


Clique na foto para ampliar

Esse CD é tudo de bom


Música predileta: My worried shoes

Quero pra mim


Mochilas da blablakids.

Será que são libélulas?



Um dia desses estava escorado na janela de um hotel qualquer quando uma libélula pousou a poucos centímetros do meu braço. Na hora, eu não sabia ao certo se aquilo era uma libélula, ou uma cigarra, ou um inseto gigante qualquer. Nunca soube, e os poucos segundos que perdi tentando classificar o bicho foram suficientes para que ele sumisse. Bateu asas e escafedeu-se entre as árvores.

Eu tenho uma ligação especial com libélulas. Foi correndo atrás de uma que eu me estabaquei no chão, fraturando uma costela, perfurando o baço e sofrendo uma hemorragia interna que por pouco não me matou. Tinha cinco anos e, desde então, convivo com uma cicatriz que me atravessa o abdome, lado a lado. Tudo que eu queria era vê-la de perto, justamente para me certificar se o bicho em questão era cigarra, libélula ou “seja-lá-o-que-fosse”.

Se a necessidade de classificar uma libélula me rendeu duas semanas de internação, imagino o que me aconteceria se eu ficasse tentando classificar meus sentimentos. Inclusive, me cansa ver por todo lado gente tentando diferenciar um sentimento do outro. Se é amor, amizade, namoro, rolo, beijo, ficada, passatempo… Não tenho a mínima idéia, e nem quero ter! São inúmeras as espécies de relacionamento e a tentativa de classificar a todo minuto algo que, ás vezes, é simplesmente inclassificável pode resultar em muito mais do que um baço perfurado.

Ás vezes, perdemos a noção de que cada minuto da nossa vida pode ser o derradeiro, de que cada ligação telefônica pode ser a última, bem como aquela pessoa, de quem você ainda não sabe se gosta, pode ser o seu último romance.

Lulu Santos pediu, a gente obedece:

“Hoje o tempo voa, amor
E escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
E não há tempo que volte, amor

Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir!”

O amor é uma libélula que pousa na nossa janela pouquíssimas vezes. Corra atrás da sua libélula, sem medo de se machucar. Viva o seu romance. Viva o seu último romance.
Texto: do blog romanceemapuros.wordpress.com
Imagem: Lisa Evans

Coisa linda!


Foto do blog: http://madamecomlimao.wordpress.com/ Fotos com Stella McCartney
Clique na foto para ampliar.

Texto em tom menor



Caso você queira posso passar seu terno,
aquele que você não usa por estar amarrotado.
Costuro as suas meias para o longo inverno...
Use capa de chuva, não quero ter você molhado.
Se de noite fizer aquele tão esperado frio
poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro.
E verás como a minha pele de algodão macio,
agora quente, será fresca quando for janeiro.

Nos meses de outono eu varro sua varanda,
para deitarmos debaixo de todos os planetas.
O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda
- Em mim há outras mulheres e algumas ninfetas
-Depois plantarei para ti margaridas da primavera
e aí no meu corpo somente você e leves vestidos,
para serem tirados pelo seu total desejo de quimera.
- Os meus desejos, irei ver nos seus olhos refletidos.

- Mas quando for a hora de me calar e ir embora
sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim.
Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola,
mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.

(Nem vou deixar – mesmo querendo – nenhuma fotografia.
Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda minha poesia.)
Texto: Fernanda Young
Imagem: Nicoletta ceccoli

quinta-feira, 10 de março de 2011

Para rir um pouco

Preguicinha

A metamorfose


"Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de insecto."

É deste modo que Kafka inicia a história de Gregor Samsa, um caixeiro-viajante "obrigado" que deixou de ter vida própria para suportar financeiramente todas as despesas de casa.
Numa manhã, ao acordar para o trabalho, Gregor vê que se transformou num inseto horrível com um "dorso duro e inúmeras patas". A princípio, as suas preocupações passam por pensamentos práticos relacionados com a sua metamorfose.
Depois, as preocupações passam para um estado mais psicológico e até mesmo sentimental. Gregor sente-se magoado pela repulsa dos pais perante a sua metamorfose. Apenas a irmã se digna a levar-lhe a alimentação, mas mesmo assim a repulsa e o medo também começam a se manifestar. A metamorfose de Gregor vai além da modificação física. É sobretudo uma alteração de comportamentos, atitudes, sentimentos e opiniões.
Gregor passa a analisar as coisas que o rodeiam com muito mais atenção. Outra metamorfose ocorre no seio familiar: o pai volta a trabalhar, a irmã (Grete) também arranja um emprego e passam a alugar quartos na própria casa onde habitam. As atitudes dos pais perante o filho retratam ao leitor a idéia que este era apenas o "sustento" da casa. A metamorfose de Kafka não conta apenas a história de um homem que se transformou num inseto. É sobretudo uma história de alerta à sociedade e aos comportamentos humanos. Nesta história, Kafka presenteia-nos com a sua escrita sui generis, retratando o desespero do homem perante o absurdo do mundo.
Interessante perceber que em nenhum momento da obra Gregor se dá conta realmente que se transformou num inseto. Apenas observa seus novos membros, órgãos e hábitos, mas com o tempo se acomoda na nova condição sem realmente entender no que se tornara.
Fonte: Wikipédia
Imagem do livro de Peter Kuper

quarta-feira, 9 de março de 2011

A letra A do teu nome


Amou tanto, tanto que doeu tanto, tanto e ainda mais. Optou então pelo caminho que parecia mais fácil. Nunca mais. Decidiu não merecer sofrer e expurgou a dor até deixar de sentir. Até esquecer. Até não saber mais como sentir quase nada. Volta e meia se deparava com as inconvenientes lembranças do sentimento enterrado. Às vezes vacilava, mas sempre conseguia colocar uma nova pá de cal.

Depois que o tempo (sempre o tempo) foi diluindo qualquer boa lembrança do amor falecido, sobrou medo e uma razão descabida, exagerada para tudo quanto fosse emoção. Mas foi como se nada de importante acontecesse (e é sempre desse modo), como um choque, se deparou novamente com a aflição e deleite de viver como quem está sempre pronto pra fazer sorrir. Lembrou como é bom se doar de graça, dormir pouco mesmo tendo que acordar cedo, ceder sem sentir dor, mudar de opinião, admirar imperfeições, sorrir a tôa, dormir suspirando, lembrar do outro pelo cheiro e fazer planos. Sim, fazer planos. Não há nada mais delicioso do que fazer planos pra dois.

Outro golpe. Uma rasteira sem aviso prévio. Outra vez aquele buraco profundo que surge no chão, engole e leva para o vazio. Doeu. Dói. Não dava para enterrar dessa vez. Não dava pra comprar um sapato, mudar de cidade, mudar o cabelo, pintar as paredes, mudar de profissão. Precisou assumir a dor, deixá-la transparecer no olhar, nos gestos, na boca do estômago. Como gente grande, que não mostra, mas também não esconde as cicatrizes.

Sem certezas, com as pernas ainda fracas e ainda algumas mil lágrimas atrás dos olhos, desistiu de desistir. Deseja então, profundamente, tentar fazer alguém feliz sem hesitar. Nem que seja só enquanto durar. Nem que seja até doer outra vez. E dói.

Texto: Clarissa Amorim
IMagem:Andreea Anghel

Noite alta


Algumas vezes ficava acordada até tarde para assistir os episódios de Lost...hoje ainda perdida...ainda até tarde...me encontro aqui...
Imagem: Benjamim Lacombe

O pastor amoroso


Fernado Pessoa tem os seus heterônimos...com todas as características específicas de cada um. Eu...gosto de Alberto Caeiro...quando ele fala coisas assim:

o amor é uma companhia.
já não sei andar só pelos caminhos,
porque já não posso andar só.
um pensamento visível faz-me andar mais depressa
e ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
e eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
todo eu sou qualquer força que me abandona.
toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
Imagem: Brett Manning

Incolor


O que ela está sentindo?
Nem sabe o que está pensando...
Escreveu cartas em profusão...igual sua cabeça, pensamentos e indagações...andou ouvindo/vendo vários vídeos nostálgicos...andou sorrindo no meio do nada...algo meio enegrecido...ou em tons preto e branco tingidos no máximo com a cor azul.
Procurou as latas, pincéis, lápis...cores...algo tal qual o arco-íris...derramou no chão...derramou em si...embora saiba que no momento...apenas o rubro intenso tinge o céu.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem do Balé Nacional da China

Bom humor


Achei no don't touch

Bela nostalgia

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Coisa Fofa

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Vídeo da Canon

Saudade



OBS: Nova imagem do blog: Lisa Evans

terça-feira, 8 de março de 2011

O problema é esse




É que eu poderia ser feliz de quaisquer outras maneiras – menos sem você, você sabe.

porque meu interesse é disperso. e se estou escrevendo um artigo, quero logo dissecar um cérebro. e se disseco um rato, quero organizar uma passeata na paulista. e se viro gosthwriter de político, ainda que respeitável, quero desistir de tudo e correr atrás do começo do fio da meada.

e é porque eu poderia ser feliz de qualquer jeito – socióloga ou jornalista, médica ou advogada, chef de cozinha ou secretária executiva – que me perco tanto. faço da vida labirinto.

Texto: Bárbara Castro
Imagem: Lisa Evans

Intensidade



É sentimento forte...que pinta...colore...e não sai...

Vi hoje

segunda-feira, 7 de março de 2011

Mensagem para Francisco



Sei que tantas vezes tu tens muito a dizer, mas sentes quase como se fosse impossível fazê-lo.
E todas as vezes que queres falar e não consegues...fazes uso da tua rotina do choro escondido...
Mas tu só queres me fazer sonhar...não queres me ver envolta com tais sentimentos e por isso tu tentas escondê-los inutilmente.
Tu queres dizer que não há nada melhor do que ser amado, mas mesmo quando não falas...eu consigo perceber tuas verdades pelo olhar.
E a verdade é que nunca vais esquecer...e que teu coração quase que flutua em meio à insegurança...
Lembra-te então...que ao sentares ao piano...terás que tocar a nossa canção tornando-a viva em ti como ela já está em mim...
E não esqueças que tu podes reescrevê-la de outra forma e cantá-la em outro tom...mas que pra sempre lembrarei dela como que da primeira vez. Te amo!
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Raquel Díaz Reguera