terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Série dos armários


Eu me esqueci no armário.
Pensei estar vivendo,
estudando, trabalhando, sendo!
Pensei ter amado e odiado,
aprendido e ensinado,
fugido e lutado,
confundido e explicado.
Mas hoje, surpreso,
me vi no armário embutido
calado, sozinho, perdido, parado.
Texto: Mário Quintana
Imagem: Olivia Bee

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Saudade

Hoje, 30 de janeiro é o dia da saudade. Essa que é uma palavra ímpar, que somente está presente na língua portuguesa e é a sétima palavra de mais difícil tradução.
Qualquer um de nós já sentiu saudade: da infância, dos momentos simples, dos especias, das pessoas que amamos, daquelas com quem nos identificamos, daquelas com quem gostávamos de conversar, dos amigos da escola, de lugares em que estivemos, de alguma sensação em especial, da comida da nossa mãe, do aconchego da família ou do que mais se possa pensar.
Pra brindar esse dia, uma música que traduz bem o sentimento:

video

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Charlie Brown Pergunta


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Da invisibilidade



'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'


Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da
'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas
enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado
sob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou
oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali,
constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres
invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu
comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma
percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão
social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de
R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição
de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode
significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o
pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não
como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP
passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes,
esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me
ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão',
diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma
garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha
caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra
classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns
se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo
pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e
serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num
grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e
claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de
refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem
barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada,
parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar
comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí
eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo
andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na
biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei
em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse
trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O
meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da
cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar,
não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a
situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se
aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar
por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse
passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está
inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito
que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses
homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa
deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são
tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo
nome. São tratados como se fossem uma 'COISA'.
Texto: Plinio Delphino
Imagem: Edward Hopper

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Cantinhos com detalhes

Postei essas fotos para marcar um desafio. É fato notório que não tenho a mínima aptidão para a fotografia. É fato também que eu adoro fotografar. Isso sem contar ser início de ano, época em que todos nós fazemos planos e traçamos novas metas. É importante acreditar nisso para a vida seguir em frente. Hoje meio que de supetão me inscrevi num curso de fotografia. Então, vou marcar aqui uma nova meta: melhorar ao menos em 50% a qualidade das minhas fotos. Espero que dê certo.








segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Eu ao meio dia


Na verdade, minhas dúvidas não estão relacionadas ao homem sobre o patinete na esquina. Essa cena ao sol do meio dia ao lado do cemitério nem parece inusitada. Não olho para a idosa que pede esmolas, mas penso onde ela mora e com quem vive. Pergunto se já foi criança e se ela já sorriu.
Quando paro no sinal, entre o setor militar urbano e o setor hospitalar sul, o sol a pino confunde minha cabeça, mas meu coração de sempre fica teimando em encontrar respostas pra o que não precisa. Ela não precisa de mim, não sabe quem eu sou, nunca perguntou se eu já fui criança nem ao menos se eu já sorri.
Naquele sol ela nem lembra de nós. Eu é que sigo, depois do sinal verde a nunca esquecer que eu um dia a vi.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Jeremy Geddes

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Coat of many colors




Back through the years i go wondering once again
Back to the seasons of my youth
I recall a box of rags that someone gave us
And how my momma put the rags to use
There were rags of many colors and every piece was small
And i didn't have a coat and it was way down in the fall
Momma sewed the rags together sewing every piece with love she
Made my coat of many colors that i was so proud of

As she sewed she told a story from the bible she had read
About a coat of many colors josheph wore and then she said
Perhaps this coat will bring you good luck and happiness
And i just couldn't wait to wear it and momma blessed it with a
Kiss
My coat of many colors that my momma made for me
Made only from rags but i wore it so proudly
I know we had money but i was rich as i could be in my coat of
Many colors
My momma made for me

So with patches on my britiches holes in both my shoes
In my coat of many colors i hurried off to school
Just to find the others laughing and a making fun of me
In my coat of many colors my momma made for me
And oh i couldn't understand for i felt i was rich
And i told them all the love my momma sewed in every stich
And i told them all the story momma told me while she sewed
And how my coat of many colors was worth more than all their
Clothes

But they didn't understand and i tried to make them see
One is only poor only if they choose to be
Now i know we have no money but i was rich as i could be
In my coat of many colors momma made for me
Made just for me
Imagem: Arquivo pessoal

Do bem que me faz




Que eu possa respeitar opiniões diferentes da minha. Que eu possa me desculpar antes do ódio. Que eu possa escrever cartas de amor de repente. Que eu possa viajar para adorar a distância. Que eu possa voltar para dizer o que não tive coragem. Que eu pense em meu amor ao atravessar a rua. Que eu pense na rua ao atravessar o amor. Que eu dê conselhos sem condenar. Que eu possa tomar banho de cachoeira. Que eu seja a vontade de rir. Que eu possa chorar ao assistir filmes. Que eu não seduza para confundir. Que eu seduza para iluminar. Que eu não sacrifique a confiança pela covardia. Que eu tenha dúvidas, melhor do que certezas e falir com elas. Que eu faça amizades falando do tempo. Que eu possa amar mais sem contar as horas. Que eu use somente as palavras que tenham sentido. Que eu prove a comida nas panelas. Que transforme a raiva em vontade de me entender. Que eu possa soltar os vaga-lumes que prendi em potes. Que eu me lembre de ser feliz enquanto ainda estou vivo.
Texto: Fabrício Carpinejar
Imagem: Arquivo pessoal

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Observadora



Sofro por causa do meu espírito de colecionador-arqueólogo.
Quero pôr o bonito numa caixa com chave
para abrir de vez em quando e olhar.
Texto: Adélia Prado
Concepção: Alguém que um dia quis ser arqueóloga, mas que desistiu devido ao seu lado extremamente atópico
Imagem: Eugenia Gapchinska

Filme fofinho

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Sunday Morning


Asteróide é um corpo celeste, que deriva do grego "astér" e "oide" , é um corpo menor do sistema solar, geralmente da ordem de algumas centenas de quilômetros apenas. É também chamado de planetoide.
Antagônico é o contrário, o oposto.
Astenia é uma fraqueza orgânica.
Astrolábio é um instrumento naval antigo, usado para medir a altura dos astros acima do horizonte.
Alegoria é uma figura de linguagem, mais especificamente de uso retórico, que produz a virtualização do significado, ou seja, sua expressão transmite um ou mais sentidos que o da simples compreensão ao literal.
Dentre as sublimações e os textos literais. Dentre os significados de palavras soltas. Dentre os significados dos dicionários. Dentre as pesquisa virtuais. Dentre os papas e sapiências formais. Face a face com os escritos antigos. Tentando desvendar o que me aparece como escuro ou turvo. Torcendo para acertar no meu caminho torto. Tentando estudar sem que o tempo permita. Fazendo da ficção um aperfeiçoamento. Fortalecendo as figuras de linguagem. Voando com asas invisíveis. Ouvindo músicas da década passada ou algo com conteúdo pseudo-intelectual. Formatando textos na parte mais difícil. Tateando como escrever nas paredes das pirâmides. Cantando em mi maior. Esperando solstícios de verão. Escrevendo cartas que nunca serão lidas. Tornando-me continuamente uma parte de nada. Torcendo pra que você reforme seu apartamento com a ajuda de uma designer de interiores. Trancando a janela da sala. Abrindo a geladeira pra ver o que há lá dentro. Procurando o controle remoto embaixo do sofá de couro falso. Recobrindo a cicatriz na minha barriga com cores pretas e flores cinzas. Torcendo para o flamengo sem saber o nome de nenhum jogador. Sendo eu. A garota. A que não sabe de nada. A mesma de sempre.
Texto: Wandréa Marcinoni
Texto inicial: Wikipédia
Imagem: Anna Emilia

Sublimação

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Some questions


Tirei daqui: Letterpress

O bom da vida


Sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando, mas quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois.
Texto: Guimarães Rosa
Imagem: Matthew Pasquarello

Fragmentos da nossa vida feliz


Você é especial. O fato é esse.
Quando você chegou, era um pequeno ser que saiu do meu ventre e que eu já amava desde antes.
Passávamos as madrugadas juntos, entre colo, choros, lágrimas, sorrisos e dúvidas.
Víamos juntos o nascer do sol.
Te acalentei.
Te olhei nos olhos.
Éramos cúmplices.
Mas daí veio o teu não falar.
E daí que achei que era só o tempo.
E daí que não era o tempo.
Era o teu jeito.
O jeito que só eu sei.
Que só eu compreendo.
O jeito de me ensinar.
A tua fala.
A tua vida.
O teu sorriso.
A tua inteligência.
Você é minha dúvida também.
Mas você é o meu amor.
Alguém que pisa no meu peito de mansinho.
Alguém me me sorri e me deixa sem jeito.
Eu sou uma fortaleza todo dia.
Eu sou quem te acolhe.
Eu sou quem te cria.
Eu sou o amor.
Isso eu sei.
Tu és minha vida pra todo sempre.
Se o futuro é incerto, me agarro com todas as forças nas tuas asas que é pra gente poder voar e derramar nossa alegria pelo mundo.
Então hoje, canta pra mim. Canta só mais um pouquinho.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Arquivo pessoal

sábado, 14 de janeiro de 2012

Biblioteca


Não esquece a tua estante. Ela guarda tua cara e teus assombros. Ela é você. Ela te faz distorcida. Ela é tua imagem. Ela fica em tua varanda e resiste à luz e sombra. Ela te protege do frio. É dela tua essência e teu antagonismo. Ela guarda os livros e tua memória fraca. Finca portanto hastes de ferro, pinta de dourado e celebra todo dia tua fala mansa e tua confusão.
Texto: Wandréa Marcinoni
Local: Entre livros fortes e fracas idéias
Tema: Consolação
Perfume: Flores secas
Música: Incidental
Imagem: Jonathan Viner

Rede sem fio

A sala


Dois elevadores. Várias portarias. Adesivos.
A sala com bancos pretos e um sofá marrom. Uma mesa no canto à direita. Duas atendentes: uma loira, outra morena. Uma quase invisível. Duas pessoas. Meu pensamento. A última vez. O mesmo trajeto. A mesma rotina. O momento com um tanto de vidas cruzadas por tantas histórias. Hoje virei as costas e disse: até nunca mais. E eu só sei que foi assim...
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Amanda Cass

Porque eu continuo falando do infinito


Essa música me lembra um momento muito feliz da minha vida.

Imagem: Jonathan Viner

I love LEGO





Notícias da semana

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Esse vídeo me lembra você.

Minha tese hoje


Vão-se os anéis, ficam os dedos.
A imagem achi aqui: http://tuledelo.wordpress.com

Laundry


Minhas roupas balançando na varanda...
Imagens: Sivan Askayo

E a chuva continua em Brasília

Palavras

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O teu pequeno par de botas


Hoje quando te olhei, não deu pra falar.
Mas quando tu voltares, não vai haver espaço pra tristeza.
Nós te amamos, pequena.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A tempestade foi aqui dentro?


Era difícil. Eu não eu sou dessas pessoas que fala fácil ou que pede mais fácil ainda. Eu não sabia dizer “eu te amo, fica aqui, fica comigo”. Eu diria qualquer coisa mais complexa, mais abstrata e menos romântica. Qualquer coisa que ninguém mais fosse entender. Então, isso foi tudo o que consegui dizer, tropeçando nas palavras e respirando fundo:
- Os te-teus es-pa-pa-ços… Deixa eu preencher os teus espaços?

Texto: Camila Costa
Imagem: Arquivo pessoal

Aquilo que colore


Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.
Texto: Luís de Camões
Imagem: Arquivo pessoal

Amizade


Os presentes sem data marcada são melhores em tudo, pois marcam a vida com a alegria da surpresa. Ter amigos é ser melhor a cada dia.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Love you

Rafa hoje me mandou dois links que adorei. Uma fotografia do Woody Allen tocando clarinete em um bar em Nova Iorque e o post abaixo de um blog que ela já havia me mostrado outras vezes e que eu adoro. Na verdade quando me mandou acho que lembrou da gente, daquelas memórias que a gente guarda bem guardadinhas e que quando lembra dá vontade de ser feliz de novo. Desde o taxista italiano, desde que pegamos o trem. Foi feliz ficar em hotel de beira de estrada. Foi divertido procurar no google maps caminhos mais fáceis, foi divertido andar o dia inteiro sem perceber e pensar que faríamos o mesmo mil vezes e melhor. Que bom que agora a gente pode falar disso de novo. Love you chuchu.

Três carros explodiram aqui na rua em uma dessas noites. Um, dois, três. Um deles continua estacionado, só a carcaça. Pela janela, vimos homens de quipá observando a cena sem saber o que fazer e um negão berrando “own, I’m gonna put it on YouTube” a cada nova explosão.

Em uma das estações de metrô, um banheiro foi transformado em banquinha de revista. Vende fofocas, m&m. Ninguém se importou em tirar a plaquinha do banheiro. No Museu de História Natural, vi uma japonesa abrir uma marmita quente e tudo, cheirando a curry, e almoçar em um banco na frente da sala dos dinossauros. Ninguém fez mais do que olhar procurando o cheiro.

Fora nas portas e tal, não vi nenhum segurança espreitando os visitantes do museu como se a qualquer momento fôssemos nos atirar em dos índios do acervo ou raspar uma árvore centenária com um estilete.

Essa falta de instindo de auto-preservação e de qualquer tipo de perfeccionismo que a cidade parece ter me emociona um pouco. No Brasil sinto que estamos sempre preocupados se a visita vai derrubar café no sofá que, no fim das contas, compramos apenas para impressioná-la.


Texto: Juliana Cunha

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Filme fofo

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Combinação de hoje


Chuva + música + eu = o radical do meio termo

Imagem: Shiori Matsumoto

Janeiro




Quando entrei na sala , vi que a orquídea estava sobre a mesa de canto. Por sobre a mesa um tanto de presentes. Próximo à televisão, o cd que te dei ainda na embalagem plástica. Ao lado da porta estavam as malas como se você houvesse chegado de viagem. Ontem havia ouvido o som dos teclados. Não entendi direito. Trouxe os meus presentes. Era natal ou algo similar. Fazia calor. A janela estava aberta com vista pra praça. A praça estava fechada pra gente. Nós estávamos fechados pra vida. A vida se escondia por detrás do parapeito, o som dos passarinhos continuava igual, as luzes não existiam porque era dia. Eu sabia de tudo, mas não disse. Na verdade não entendia, era complicado. Peguei os livros na noite anterior. Guardei-os na caixa de remédios, no fundo do guarda roupas e tranquei-os com a chave azul. Ali eles faziam sentido. Quando à tarde fui te encontrar, depois de muito insistir, abri a caixa, peguei o livro de bolso com dedicatória e o livro branco sem dedicatória, corri até o quarto, imprimi panfletos e frases ao vento. Troquei a roupa branca e segui. Você pediu que eu te esperasse. Eu aceitei e não consegui falar sobre o combinado. Tomamos um cappuccino, você pagou a conta, me levou até o carro e depois de tudo nem olhou pra trás.
Conclui com o tempo que não se atinge essa essência se não se vive e com você isso é essencial.
Máscara, treino, atuação, méritos e glórias e alguém para uma breve análise. Alguém capaz de dizimar pobres instintos. Alguém capaz de contornar o Cabo Canaveral. Alguém capaz de falar de viagens, pobreza, desigualdades. Alguém para julgar que é. Esse é você com os olhos meus. Esse é o espanto daquele tempo. Essa é a clareza totalitária e minha. Essa sou eu depois de você.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Amanda Cass

Chove em Brasília


Tirinha: Liniers
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domingo, 8 de janeiro de 2012

USA ou tema indiano


Somos mais que amigos e amantes.
Somos tipo óleo e água.
Sem mistura.
Nunca poderia ser.
Nunca foi.
Mas não apaguei porque não posso.
Não posso porque não quero.
Não quero porque não consigo.
Vi que você mudou a atitude.
Isso foi bom pra nós.
Te mando um beijo teleguiado.
Nem te espero mais.
Nosso olhar vai se cruzar de novo, pois passou o fim do ano.
Tuas fotos eu ainda guardo.
Teus segredos eu não sei.
Mas já desvendei tudo de ti.
Vi nos teu olhos.
Me mande de novo aquele poema colorido na capa do livro.
Me escreva como um amigo que você nunca foi.
Isso é interessante. Muito interessante.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Tomek Setowski

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Amo essa música

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All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
Oh yeah it's true... I was made for you

Paris na janela


Imagem: Eugenia Gapchinska

Ouvindo essa



Imagem: Amanda Cass

Das delicadezas da alma


O amor mais contundente é o que não precisa ser visto para existir. E continuará sendo feito apesar de não ser reparado.O amor real é secreto. É conservar um pouco de amor platônico dentro do amor correspondido. É reservar as gavetas do armário mais acessíveis para as roupas dela, é deixar que sua mulher tome a última fatia da pizza que você mais gosta, é separar as roupas de noite para não acordá-la de manhã. E nunca falar que isso aconteceu. E não jogar na cara qualquer ação. E não se vangloriar das próprias delicadezas.Buscá-la no trabalho é o equivalente a oferecer um par de brilhantes. Esperá-la com comida pronta é o equivalente a acolhê-la com um buquê de rosas vermelhas. São demonstrações sutis, que não dá para contar para os outros, mas que contam muito na hora de acordar para enfrentar a vida.
Texto: Fabrício Carpinejar
Imagem: Kwon Kyung Yup

Trechos e textos


-Só telefonei para lhe dizer que depois de beijá-lo e antes de novamente beijá-lo é o momento mais lindo do mundo. É claro que eu gosto de você. Nem é preciso perguntar...

Trecho: Clarice Lispector
Imagem: Masha Sardari

Paciência

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Para todos os próximos anos



Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.
Texto: Cecília Meireles
Imagem: Masha Sardari

Meu filme predileto