
Três carros explodiram aqui na rua em uma dessas noites. Um, dois, três. Um deles continua estacionado, só a carcaça. Pela janela, vimos homens de quipá observando a cena sem saber o que fazer e um negão berrando “own, I’m gonna put it on YouTube” a cada nova explosão.
Em uma das estações de metrô, um banheiro foi transformado em banquinha de revista. Vende fofocas, m&m. Ninguém se importou em tirar a plaquinha do banheiro. No Museu de História Natural, vi uma japonesa abrir uma marmita quente e tudo, cheirando a curry, e almoçar em um banco na frente da sala dos dinossauros. Ninguém fez mais do que olhar procurando o cheiro.
Fora nas portas e tal, não vi nenhum segurança espreitando os visitantes do museu como se a qualquer momento fôssemos nos atirar em dos índios do acervo ou raspar uma árvore centenária com um estilete.
Essa falta de instindo de auto-preservação e de qualquer tipo de perfeccionismo que a cidade parece ter me emociona um pouco. No Brasil sinto que estamos sempre preocupados se a visita vai derrubar café no sofá que, no fim das contas, compramos apenas para impressioná-la.
Texto: Juliana Cunha
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