sábado, 26 de dezembro de 2009

A arte e ilusões


Um garoto fugitivo.
Uma janela aberta para o mundo.
Um susto?
Façam suas apostas.
Obra: Escaping criticism do catalão Pere Borrell del Caso.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A vida é um doce


Eu sou uma branquinha azeda...mas sei ser bem doce quando quero...

Viagem para caro custou


Agora, volta à terra natal. Cheiro de infância, memórias felizes. Depois te conto, ok?

Embrulhado pra presente


"o correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e inda mais alegre ainda no meio da tristeza! Só assim, de repente, na horinha em que se quer, de propósito - por coragem. Será? Era o que eu às vezes achava. "
(Guimarães Rosa)

Da simplicidade


"O problema é que quero muitas coisas simples, então pareço exigente" (Fernanda Young)

Da intensidade


"Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos ,um livro mais ou menos.
Tudo perda de tempo.
Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo.
O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia."

Martha Medeiros

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Da lucidez


" Ver muito lucidamente prejudica o sentir demasiado. E os gregos viam muito lucidamente, por isso pouco sentiam. De aí a sua perfeita execução da obra de arte".

Fernando Pessoa

O doido da garrafa


Ele não era mais doido do que as outras pessoas do mundo, mas as outras pessoas do mundo insistiam em dizer que ele era doido.

Depois que se apaixonou por uma garrafa de plástico de se carregar na bicicleta e passou a andar sempre com ela pendurada na cintura, virou o Doido da Garrafa.

O Doido da Garrafa fazia passarinhos de papel como ninguém, mas era especialista mesmo em construir barquinhos com palitos. Batizava cada barco com um nome de mulher e, enquanto estava trabalhando nele, morria de amores pela dona imaginária do nome. Depois ia esquecendo uma por uma, todas elas, com exceção de Olívia, uma nau antiga que levou dezessete dias para ser construída.

Batucava muito bem e vivia inventando, de improviso, músicas especialmente compostas para toda e qualquer finalidade, nos mais variados gêneros. Uai aí aquela da mulher de blusa verde atravessando a rua apressada, e o Doido da Garrafa imediatamente compunha um samba, uma valsa, um rock, um rap, um blues, dependendo da mulher de blusa verde, do atravessando, da rua e do apressada. Geralmente ficava uma obra-prima.

Gostava muito de observar as pessoas na rua, do cheiro de café, de cantar e de ouvir música. Não gostava muito do fato de ter pernas, mas acabou se acostumando com elas. De cabelo ele gostava. Em compensação, tinha verdadeiro horror a multidão, bermudão, tubarão, ladrão, camburão, bajulação, afetação, dança de salão, falta de educação e à palavra bife.

Escrevia cartas para ninguém, umas em prosa, outras em poesia, como mero exercício de estilo.

Tinha mania de dar entrevistas para o vento e já sabia a resposta de qualquer pergunta que porventura alguém pudesse lhe fazer um dia.

Ajudava o dicionário a explicar as coisas inventando palavras necessárias, como dorinfinita.

Adorava álgebra, mas tinha particular antipatia por trigonometria, pois não encontrava nenhum motivo para se pegar pedaços de triângulos e fazer contas tão difíceis com eles.

Conhecia mitologia a fundo.

Tinha angústia matinal, uma depressão no meio da tarde que ele chamava de cinco horas, porque era a hora que ela aparecia, e uma insônia crônica a quem chamava carinhosamente de Proserpina.

Sentia uma paixão azul dentro do peito, desde criança, sempre que olhava o mar e orgulhava-se muito disso.

Acreditava no amor, mas tinha vergonha da frase.

Às vezes falava sozinho, Preferia tristeza à agonia.

Todas as noites, entre oito e dez e meia, era visto andando de um lado para o outro da rua, método que tinha inventado para acabar de vez com a preocupação de fazer a volta de repente, quando achava que já tinha andado o suficiente. (Preferia que ninguém percebesse que ele não tinha para onde ir.) Enquanto andava, repetia dentro da cabeÇa incessantemente a palavra ecumênico sem ter a menor idéia da razão pela qual fazia isso.

Durante o dia o Doido da Garrafa trabalhava numa multinacional, era sujeito bem visto, supervisor de departamento, ganhava um bom salário e gratificações que entregava para a mulher aplicar em fundos de investimento.

No fim do ano ia trocar de carro.

Era excelente chefe de família.

Não era mais doido do que as outras pessoas do mundo, mas sempre que ele passava as outras pessoas do mundo pensavam, lá vai o Doido da Garrafa, e assim se esqueciam das suas próprias garrafas um pouquinho.

Adriana Falcão

domingo, 20 de dezembro de 2009

Figurinhas

Da ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade

O dia de hoje


No dia de hoje, acordamos no horário habitual, da maneira habitual e como de costume. Entretanto, o dia de hoje teve um perfume diferente, suave, chuvoso, comovente. Estivemos em um local de memória. Um pequeno dormitório, com paredes brancas pintadas de poesia. Havia um colchão velho, algo desgastado, porém cheio de pequenas lembranças. Havia espelhos e luzes que apagavam e acendiam. Havia espelhos e havia também a descrição de uma trajetória de vida. Em uma grande sala, encontravam-se pequenas gavetas, nas quais se escondiam preciosas memórias. Podíamos sentar e com calma desvendar a história de uma estrela...e passo a passo reverenciá-la. Ao final um sofá preto e uma antiga máquina de escrever faziam sala à eterna Clarice. Bom... e assim foi, que um dia comum transformou-se em dia de festa.
OBS: Postado em referência à exposição A hora da estrela em cartaz no CCBB.

Genealogia


O que me encanta nos estudos de genealogia, é precisamente esse entrelaçamento de vidas que, ao longo do tempo, vão conduzindo seu mistério, sem saberem o que vai acontecer, com o sangue que transmitem, dali a quatro ou cinco gerações. O futuro é, na verdade, uma barreira cega aonde estaremos projetados daqui a três ou quatro séculos...
Mas em genealogia, o passado é uma riqueza que se pode analisar: quando menos se espera, eis que nos aparece algum avô com seus brasões e glórias, alguma vítima das inconstâncias dos tempos, algumas beldades, alguns revoltosos por entre sombras que se confundem, reduzidos a simples nomes, e que foram, no entanto, como qualquer criatura humana, um complexo de esperanças e alegrias, de sofrimentos e decepções, palpitantes em suas datas de nascimento, casamento, testamento e morte.
No desdobramento da árvore genealógica, vemos as ligações que nos tornam comunicáveis com tantas outras vidas e como, de ramo em ramo, estamos todos aparentados nessa infinita floresta que interminavelmente cresce desde o princípio do mundo.
Parece-me poético saber onde estava o meu sangue por velhos séculos e, em meio aos acontecimentos que dia a dia vão urdindo a história humana, onde se situavam esses antepassados que não previam os seus descendentes, como nós não prevemos os nossos.
À margem, porém, do que possam ter sido esses antepassados, e do lugar certo que lhes coube no seu mundo, há para mim um delicioso encanto em alinhar esses nomes de parentes, nomes que refletem a moda, que recebem influências de Reis e de Santos ou que traduzem apenas um gosto pessoal e às vezes brilham como pequenas jóias solitárias na profundidade do tempo.
Alegra-me saber que uma de minhas avós, no séc. XVIII, se chamava Clara dos Anjos. É toda uma festa esse nome: festa de luz e melodia. Mulher com tal nome não parece ter habitado a terra, mas pairado, apenas, entre nuvens e estrelas, como pequena estampa gloriosa.
Mas, no séc. XVI minha avó Solanda aparece como um símbolo, um aviso, uma predestinação. Vejo Dona Solanda a andar sozinha no seu mundo, no seu século, no mundo de todos, em todos os séculos (Dona Solanda que Solandava...). Sola andaria, malgrado seu marido e seus filhos. A solidão é um fato interior, separado das aparências e, que não impede nem a felicidade nem a alegria.
Dona Solanda fez seu testamento e morreu muito perto ainda de seus pais e avós algo famosos, bafejados ainda pelo convívio do Infante Dom Henrique. Seu nome vale, talvez, na órbita poética, mais do que essas mercês honrosas. Porque as honras da Corte passam, mas a aceitação de um destino é uma lição imortal.
Que pensaria Dona Solanda ao saber que esse era seu nome...E como teria obedecido à imposição que os pais cedo colocaram na sua sorte como um pequeno diadema...
Ai, Dona Solanda, a quatro séculos de distância, envio-vos o meu pensamento como uma flor solidária e solitária. Na verdade, muito havemos solandado! e solandaremos!

Cecília Meireles

sábado, 19 de dezembro de 2009

Ouvindo agora


" Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas trilhas caminham pra gente se achar, viu?
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade"...
Maria Gadú

Lendo com Pedroca: Onde vivem os monstros


Na noite em que Max vestiu sua fantasia de lobo e saiu fazendo bagunça...
Uma atrás da outra...
A mãe dele o chamou de "monstro" e Max disse"olha que eu te como"
E acabou sendo mandado pra cama sem comer nada.
Naquela mesma noite nasceu uma floresta no quarto de Max...
que cresceu...e cresceu...até aparecerem cipós pendurados no teto e as paredes se transformarem no mundo inteiro...e um oceano ondulante surgir com um barquinho só para Max e ele navegou noite e dia...semana vai semana vem durante quase um ano para onde vivem os monstros...e quando ele chegou aonde vivem os monstros...
Eles rugiram seus terríveis rugidos e arreganharam seus terríveis dentes e reviraram seus terríveis olhos e mostraram suas terríveis garras...
Maurice Sendak

E para continuar, só lendo o livro ou assistindo o filme...

Receita de ano novo


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade

Leve como a brisa...


[...]"Não, não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, definida e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto - se tomada com cuidado, verto água límpida sobre as mãos para que se possa refrescar o rosto, mas se tocada por dedos bruscos num segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada. Tenho pensado se não guardarei indisfarçáveis remendos das muitas quedas, dos muitos toques, embora sempre os tenha evitado aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes para despertar a suavidade alheia, e mesmo assim insisto - meus gestos e palavras são magrinhos como eu, e tão morenos que, esboçados à sombra, mal se destacam do escuro, quase imperceptível me movo, meus passos são inaudíveis feito pisasse sempre sobre tapetes, impressentida, mãos tão leves que uma carícia minha, se porventura a fizesse, seria mais branda que a brisa da tardezinha"[...]
Caio Fernando Abreu

Meu pedido


"Me ensina a encontrar minhas asas
a tê-las e vê-las e batê-las assim
como você faz com as suas"
By Poetinha

Como perguntar ou Poeticamente falando



1- Me diga, a rosa está nua ou tem apenas esse vestido?

2- Por que as árvores escondem o esplendor de suas raízes?

3- Quantas igrejas tem o céu?

4- Porque choram tanto as nuvens e cada vez são mais alegres?

5- Para quem ardem os pistilos do sol na sombra do eclipse?

6- Que coisa irrita os vulcões que cospem fogo, frio e fúria?


7- As lágrimas que não choramos esperam em pequenos lagos?

8- Ou serão rios invisíveis que correm para a tristeza?

9- O que dirão da poesia os que não tocaram em meu sangue?

10- Para quem sorri o arroz com infinitos dentes brancos?

11- Quem gritou de alegria quando nasceu a cor azul?

12- Por que fica triste a terra quando aparecem as violetas?

13- Como ganhou a liberdade a bicicleta abandonada?

O livro das perguntas- Pablo Neruda

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Eu


Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

B. Brecht

Igual/desigual


"Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda são iguais.
Todas as experiências de sexo são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais.
E todos, todos os poemas em versos livres são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais iguais iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
Não é igual a nada.
Todo ser humano é um estranho ímpar."

Carlos Drummond de Andrade

A gratidão de Paulo


Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tinheis antes, mas vos faltava oportunidade. Digo isso, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; Tudo posso naquele que me fortalece.

Entregue a mim...por uma amiga querida...me caiu muito bem.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

I know you by heart


Naquelas noites de inverno
Quando o fogo ardente
Iluminava seu rosto com cores laranja e dourado
Eu via seu doce sorriso
Brilhando na escuridão
E pra sempre o seu jeito ficaria gravado em minha memória
E daí em diante ...o meu desejo foi conhecer você de cor.
Nas manhãs de setembro
As quais escolhemos para dividir nossos segredos
e nas quais ficamos conversando até o amanhecer
Fomos feito crianças
Rindo por horas...
E o prazer que você me deu ... continua ....
Porque agora parece que eu lhe conheço de cor.
Eu ainda ouço sua voz
Nas noites quentes de verão
Sussurrando feito o vento.
Você partiu no outono
Quando as folhas estavam mudando
E eu caminhei por estradas laranja e dourado
E eu vi seu doce sorriso
Eu ouvi sua gargalhada e sei que
Você continua aqui ao meu lado, todo dia
Porque eu sei que eu lhe conheço de cor.

Versão para a melodia mais suave...em uma noite muito quente...do mês de dezembro

domingo, 13 de dezembro de 2009

Meus desejos para o ano que vem chegando



1. Amor de todas as formas
2. Amizade sincera
3.Dias de sol
4.Dias de chuva
5.Noites enluaradas
6.Brincadeiras no parque
7.Saúde pra mim e para todos
8.Felicidade para mim e para todos
9.Sorrisos sinceros
10. Um ombro amigo para quando quiser chorar
11.Um dia no spa
12.Muitos dias pra estudar
13. Outros pra ficar de pernas para o ar
14.Agasalho nos dias de frio
15.Flores
16. Perfumes
17.Presentes
18.Doação
19. Justiça
20. Lealdade...
Bom, uma lista sem fim...em construção...continuarei depois...

Você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui

sábado, 12 de dezembro de 2009

All we need is love


Nessa época em que o fim do ano vem chegando...e que a grande maioria das pessoas preserva como o término de uma jornada e onde muitas...muitas e muitas projeções para o próximo ano são feitas...me vem à lembrança um filme delicado...despretensioso...que marcou um momento feliz da minha vida: Love actually...ou Simplesmente amor. O filme mostra o dia a dia de pessoas comuns e outras nem tanto na época do natal...encontros, sentimentos de amor...amizade...decepção...e uma trilha sonora lindinha de doer...já assisti várias vezes...mas continuo apaixonada...então eu indico...bem água com açúcar...pra adoçar a minha vida e a sua também.
OBS1: Postando uma foto...de uma das cenas mais lindinhas.
OBS2: Eu e os meus clássicos diminutivos.

A pergunta que não quer calar


No desenho Bobby Pai e Bobby Filho, o que aconteceu com a Bobby Mãe?

Outros timbres


"E você, meu amigo galvanizado, você quer um coração?
Você não sabe o quão sortudo és por não ter um.
Corações nunca serão práticos,
enquanto não forem feitos para não se partirem..."
Do filme "O mágico de OZ"

Do milagre da multiplicação



“Multipliquei-me, para me sentir. Para me sentir, precisei sentir tudo, Transbordei, não fiz senão extravasar-me, Despi-me, entreguei-me, E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente”
Álvaro de Campos

Testando a fortaleza


Tenho de passar por cem degraus,
Tenho de subir e escuto vocês falarem:
"Você é duro; então somos feitos de pedra?"
Tenho que passar por cem degraus
E ninguém quer ser degrau.
Friedrich Nietzsche - a Gaia Ciência

Meus pensamentos têm um fundo musical

Do que é permitido


Me permito florecer...
Enfeitar,
Permito amar.
Permito o que for:
Brincar
Colorir
Não se levar a sério,
Rir.
Permito-me Leveza,
Beleza,
Delicadeza,
Entrega em mãos
com cartão:
Eu, para o meu Amor
Com um beijo.
NSA

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Coisas que fazem minha cabeça

Românticos S/A


"Eu sou tão romântico que casaria comigo mesmo"
Mike Wazowski

Para ser feliz


"Felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz estão em harmonia"
Pensamento de autoria desconhecida. Ao menos para mim...

Por não querer acordar


Noite passada deitei-me pra dormir com aquele velho sonho de criança...Passei toda a noite engendrando planos para o final perfeito, algo triunfal...Sorria pelos cantos escuros seguindo a luz lá adiante...com minha lanterna iluminava um caminho de pedras bem pequenas. Para sentir melhor...tirei meus sapatos para caminhar. De fundo tocava a trilha sonora de uma vida...e sentia como sempre o perfume que os momentos têm. Um sentimento misto de alegria e ansiedade me tomava por dentro pela proximidade da realização final. Mas, eis que não mais que derrepente o despertador tocou...e ao encontrar-me com a realidade percebi que vou ter que esperar então pelo dia de amanhã...e torcer por um novo encontro com meu velho sonho de criança.

Procurando Nino Quincampoix

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Just for you




Sentimento que aquece o coração


Amo ouvir o som de um piano...amo o vôo dos pássaros...e o seu canto também...amo um sorriso de criança...amo tudo que é natural e espontâneo...amo a conversa sem hora pra acabar...amo a sinceridade de um olhar...amo a doação...sem pedir nada em troca...amo atos familiares...coisas simples...amo poesia...amo o expressar...amo os sentimentos...principalmente os bons de fato...amo a noite e o dia...o sol e a lua...as estrelas também...a luminosidade e a escuridão...os opostos e os iguais. O amor é assim...não escolhe quem...não escolhe o que ...ama apenas...sente apenas...vive de ilusões...vive do prazer...vive pra ser assim...simplesmente assim.
OBS: E para todos que aqui chegaram e que tem uma boa percepção: Amo reticências...

Perdida em um mundo de metáforas ou calçando os chinelos da humildade


Era uma vez um jovem. Ele sabia que, se se tornasse humilde, seria uma pessoa melhor, mais feliz e mais conectada a Deus e ao sagrado. Um dia, esse jovem foi a um mosteiro e perguntou a um velho sábio que lá vivia:
- Sábio, o que devo fazer para me tornar uma pessoa humilde?
- Se quiser realmente encontrar essa resposta, deve ir ao cemitério e criticar os mortos – disse-lhe o sábio.
Sem questionar, o jovem foi ao cemitério e pôs-se a criticar os mortos.
Depois, voltou à presença do sábio, que lhe disse:
- O que os mortos fizeram diante de suas críticas?
- Nada. Não aconteceu absolutamente nada enquanto eu os criticava – respondeu o jovem.
- Muito bom – disse o sábio. - Agora você deve voltar ao cemitério e elogiá-los bastante.
Novamente, seguindo a orientação do sábio, o jovem foi ao cemitério e passou várias horas elogiando os mortos.
Depois, voltou à presença do sábio, que lhe perguntou:
- O que os mortos fizeram diante de seus elogios?
- Nada. Não aconteceu absolutamente nada enquanto eu os elogiava – respondeu o jovem.
Então, o sábio disse-lhe:
- Se quiser ser um homem humilde, vai precisar aprender a reagir como os mortos reagiram aos elogios e às críticas que você lhes fez. Ou seja, deve manter-se indiferente perante elogios ou críticas, mantendo, porém, a capacidade de perceber a verdade que pode existir na crítica sem deixar que isso lhe traga sofrimento.

Autor desconhecido
Alguns conceitos...só para refletir...

Por não estarem distraídos


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Clarice Lispector

OBS1:Eu amo Clarice.

OBS2: Algo extremamente óbvio.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Epigrama


Encostei-me a ti, sabendo que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino, frágil,
Fiquei sem poder chorar quando caí.
Cecília Meireles

Não precisamos de muita coisa para encontrar a felicidade



Ouvindo agora:

back through the years i go wondering once again
back to the seasons of my youth
i recall a box of rags that someone gave us
and how my momma put the rags to use
there were rags of many colors and every piece was small
and i didn't have a coat and it was way down in the fall
momma sewed the rags together sewing every piece with love she made my coat of many colors that i was so proud of

as she sewed she told a story from the bible she had read
about a coat of many colors Josheph wore and then she said
perhaps this coat will bring you good luck and happiness
and i just couldn't wait to wear it and momma blessed it with a kiss
my coat of many colors that my momma made for me
made only from rags but i wore it so proudly
i know we had money but i was rich as i could be in my coat of many colors my momma made for me

so with patches on my britiches holes in both my shoes
in my coat of many colors i hurried off to school
just to find the others laughing and a making fun of me
in my coat of many colors my momma made for me
and oh i couldn't understand for i felt i was rich
and i told them all the love my momma sewed in every stich
and i told them all the story momma told me while she sewed
and how my coat of many colors was worth more than all their clothes

but they didn't understand and i tried to make them see
one is only poor only if they choose to be
now i know we have no money but i was rich as i could be
in my coat of many colors momma made for me
made just for me

Dolly Parton

Pra quem ama o vôo das borboletas


As borboletas

Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas

Brincam
Na luz
As belas
Borboletas

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então . . .
Oh, que escuridão!

Vinícius de Moraes

Amor é fogo que arde sem se ver


Paixões são coisas que a gente não termina... elas se apagam ou se transformam em amor eterno.
Geraldo Chaves

sábado, 5 de dezembro de 2009


Quando me perguntas quem sou eu, mergulho num oceano abissal. Sou um ser misterioso...cheio de segredos que até de mim mesma escondo. Pra me definir...quem sabe algo como sentimental ou emocional...na plenitude da palavra...eu sou assim...até queria mudar, mas todos os dias penso que a única certeza é a impossibilidade. Sou sempre emoção: quando ouço uma música, quando assisto um filme, quando converso com alguém com idéias admiráveis, nas situações menos espetaculares e mais dentro do comum...consigo transformar com minha imaginação melodiosa em poéticas fantasias...desde criança...desde sempre...e às vezes me questiono se há essa necessidade iminente da mudança...porque eu não sei...porque eu não quero...porque eu não entendo...

Da saudade que eu sinto da minha infância querida


No planalto central...e com vontade de sujar o pé na areia da praia...

sujar o pé de areia pra depois lavar na água
lavar o pé na água pra depois sujar de areia
esperar o vaga-lume piscar outra vez
ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima
sujar o pé de areia pra depois lavar na água

respirar
sentir o sabor do que comer
caminhar
se chover, tomar chuva
não esperar nada acontecer
ser gentil com qualquer pessoa

sujar o pé de areia pra depois lavar na água
lavar o pé na água pra depois sujar de areia
esperar o vaga-lume piscar outra vez
ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima

respirar
sentir o sabor do que comer
caminhar
se chover, tomar chuva
ter saudade no final da tarde
para quando escurecer esquecer
ao se deitar para dormir, dormir.
Arnaldo Antunes

Pensamentos e segredos



"Lentamente, vou compreendendo o absurdo da tarefa que me propus. Tenho a sensação de tentar ir a algum lugar, como se soubesse o que quero dizer, mas quanto mais longe vou, mais seguro me sinto de que o caminho rumo ao meu objetivo não existe. Tenho de inventar a estrada a cada passo e isso significa que nunca posso ter certeza de onde me encontro. Uma sensação de andar em círculos, de sempre voltar atrás pelo mesmo caminho, de partir em várias direções ao mesmo tempo. E, mesmo que eu consiga fazer algum progresso, não estou nem um pouco convencido de que vá me levar aonde penso estar indo. Só porque vagamos sem rumo no deserto não significa que exista uma terra prometida.

...

Pareço atormentado, assolado por alguma incapacidade mental de me concentrar no que estou fazendo. Vezes seguidas vi meus pensamentos se desviarem do objeto à minha frente. Tão logo penso uma coisa, ela evoca uma outra, depois outra, até que há um acúmulo de detalhes tão densos que sinto que vou sufocar. Nunca antes estive tão consciente da fenda que separa pensar e escrever. Nos últimos dias, de fato, comecei a sentir que a história que tenho que contar é de algum modo incompatível com a linguagem, que o grau de sua resistência à linguagem dá a medida exata do quanto me aproximei de dizer algo importante, e que quando chegar o momento de eu dizer a única coisa verdadeiramente importante (suponho que ela exista), não serei capaz de dizê-la"

Paul Auster(A invenção da solidão)

Olhando a humanidade


Uma vez perguntaram a Buda:
O que mais te surpreende na humanidade?
E ele respondeu:
" Os Homens", porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperarem a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver o presente e nem o futuro.
E vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivesse vivido.
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