sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Ouvindo esta


Dessa vez eu vou tentar sorrir
Nem que seja só pra constatar que eu não consegui
E mesmo assim você não estará pra ver em vão
Eu tentar sorrir assim sem jeito em meio à multidão
Cada vez mais longe você vai ficar de saber
Se há motivos pra eu cantar
Ou só pra fazer
Outra canção tristonha, sentimental, sobre você
Se acaso um estranho vier perguntar
Eu finjo que engasguei que engoli o ar
Tiro o pensamento fora de órbita
Invento um circo ou outro lugar
Pois quando for a hora de eu me despedir
Quando o avião partir
Eu vou saber
Composição: Thiago Pethit

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Fora do ar por tempo indeterminado


Por problemas técnicos nos sistemas sinápticos, liberação de neurotransmissores e sistema de condução do estímulo elétrico no nódulo atrioventricular da autora do blog, o mesmo se encontrará em manutenção e fora do ar por tempo indeterminado. Agradeço a compreensão dos meus poucos, mas amados seguidores.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Da arte de escrever


Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura. Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo para fazer afagos. E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços. E estreitar distâncias. E encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez). Uns escrevem grandes obras. Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas.
Texto: Rita Apoena
Imagem: Adolie day

Relojinho


Era a pessoa certa. Na hora certa. Mas os minutos estão sendo errados.

Texto: Vitor Freire
Imagem: Benjamim Lacombe

The boy


Eu não tenho cabelos vermelhos e o meu vestido não é amarelo. Eu sou só uma menina invisível, deitada na grama invisível que a moça que não sabia desenhar, não desenhou. Aquele é o menino que eu não lhe falei. Ele sempre está preso num único instante; o instante em que o moço que sabia desenhar, o desenhou.

O balão que subia as nuvens, com várias crianças chamando, teve de desviar o caminho, pois não fazia parte desse desenho. O avião que trazia uma faixa, com linda declaração de amor, teve de mudar a rota, pois neste céu azul é que não foi desenhado. O pombo-correio que veio voando de fora da imagem, bateu o bico na borda e caiu. Por isso, o menino está sempre só.

Se as crianças do balão não conseguiram. Se o avião também não conseguiu. Se nem o pombo-correio teve sucesso, como é que eu, uma menina invisível, feita de palavras, poderia chegar até ele? Foi o que passei dias e dias pensando. Então, numa de minhas viagens, ouvi dizer que uma imagem valia mais do que mil palavras. Não tive dúvidas. Abri a oficina invisível, acendi as luzes transparentes e comecei a construir este imenso abraço de palavras. De mil e duas palavras. Para, um dia, entregar a ele.

Texto e imagem do blog da Rita Apoena
Ilustração: Jovan de Melo

Outras de Liniers



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às vezes sim, às vezes não


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Imagem: Ricardo Liniers

Gosto do que ilustra a alma


"Não é que o mundo seja só ruim e triste. É que as pequenas notícias não saem nos grandes jornais. Quando uma folha flutua no ar por oito segundos ou a menina abraça o seu melhor amigo, nenhum jornalista escreve a respeito: só os poetas o fazem..."
Texto: Rita Apoena
Imagem: Ricardo Liniers

Crônica


"(...) uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba".
Texto: Paulo Mendes Campos
Imagem: Benjamim Lacombe

Doe sangue


" - Olhei bem em seus olhos e compartilhei minha profunda crença naquelas palavras.

Coração? É só o ínicio. Mas definitivamente não é o órgão do amor. A cabeça, o cérebro? Só porque controla as terminações nervosas? Quando você dói de amor você tem dor de cabeça? Claro que não é na cabeça, apesar de todos os racionais terem argumentos para isso.
O órgão do amor é o sangue. Está em todo lugar. Exceto nas partes mortas, como cabelos e unhas. Quando é pleno, o corpo inteiro vibra, parece um carnaval gritando por dentro. Quando dói, possui essa preciosa habilidade de doer em todo lugar a ponto de você não saber onde dói. O amor não tem dor localizada. O coração é o órgão da paixão, talvez. O ínicio de tudo. O ínicio do amor. Bota pra fora: vai pro resto do corpo e quando voltar me diz se virou amor ou tudo já se acabou.
Por isso menino, nada como doar sangue após uma desgraça amorosa.

- Eu quase não consegui levantar para fazer o teste de sangue".
Vitor Freire

domingo, 16 de janeiro de 2011

Don't worry be happy


Eu te disse a verdade...ela te assusta?

Dúvida


Será que o único jeito de estar no teu mundo é mantendo distância?
Imagem: Adolie Day

Chá e palavras


Gostava muito das palavras que minha mãe dizia. Do meu pai, preferia as palavras que ele não dizia.
Vitor Freire

Ouvindo essa...que também é coisa linda demais


Me escreva uma carta sem remetente
Só o necessário e se está contente
Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos
E me pergunte o que será do nosso amor?
Descreva pra mim sua latitude
Que eu tento te achar no mapa-múndi
Ponha um pouco de delicadeza
No que escrever e onde quer que me esqueças
E eu te pergunto o que será do nosso amor?
Ah! Se eu pudesse voltar atrás
Ah! Se eu pudesse voltar.
Thiago Pethit - Mapa-Múndi

Contos da Carochinha



Quando mudei para aquela casa...achei que era minha...coloquei na porta um berloque com uma pequena casa azul onde se via escrito o dizer: "meu recanto de paz". Durante alguns meses na casa em que fui morar, mantive minhas malas e roupas na pequena varanda da sala...e ali...aos poucos usava o que me era permitido. Passado algum tempo, ousei comprar um guarda roupas pequeno...nele não havia prateleiras...apenas três portas onde se amontoavam roupas e pertences. Às vezes...ao abrir as portas...as roupas caíam como a me dizer que não precisava mais delas...como ele me dizia. Chegou um tempo...que por achar que elas não cabiam mais em minha vida...juntei uma por uma...em uma verdadeira catarse e as doei. Passou-se o tempo...e o tempo...ousa transformar o modo como vemos a vida, as regras, os sentidos, a razão...e eu senti falta...não pela materialidade...mas sim pela tendência à nulidade da época...não me percebia com existência. Hoje...com essa intenção de futuro concreto...isso bem que me parece coisa de novela mexicana.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Andreea Anghel

Filezinho


O mundo é pequeno pra caramba
Tem alemão, italiano, italiana
O mundo filé milanesa
Tem coreano, japonês, japonesa

O mundo é uma salada russa
Tem nego da Pérsia, tem nego da Prússia
O mundo é uma esfirra de carne
Tem nego do Zâmbia, tem nego do Zaire

O mundo é azul lá de cima
O mundo é vermelho na China
O mundo tá muito gripado
O açúcar é doce, o sal é salgado

O mundo caquinho de vidro
Tá cego do olho, tá surdo do ouvido
O mundo tá muito doente
O homem que mata, o homem que mente

Porque você me trata mal
Se eu te trato bem
Porque você me faz o mal
Se eu só te faço o bem

Todos somos filhos de Deus
Só não falamos as mesmas línguas
Everyboby is filhos de God
Só não falamos as mesmas línguas
Everybody is filhos de Gandhi
Só não falamos as mesmas línguas

Texto: André Abujamra

Chá verde com piratas


Ele a convidou para um chá...ela vestia camiseta e usava pantufas brancas maiores que seus pés...a noite não estava fria...e não era nem tão cedo...mas pontualmente era uma boa hora para um chá. Ela sentou-se à mesa da cozinha...ele aqueceu a àgua. Ela abriu a caixa de chás e observou pacotinhos coloridos de sabores variados. Havia um único sabor "chá verde"...deixou para ele e escolheu outro. Ela foi perspicaz e supôs ser àquele seu favorito...depois do chá quente e da boa conversa foram dormir...e ela sonhou que a vida bem que podia ser construída com momentos assim...
Wandréa Marcinoni

Só porque lembrei desse filme fofinho

Filhos como não tê-los?


É comum a gente sonhar, eu sei, quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar um sonho lindo de morrer:
Vejo um berço e nele eu me debruçar com o pranto a me correr
E assim, chorando, acalentar o filho que eu quero ter
Dorme, meu pequenininho, dorme que a noite já vem
Tua mãe está muito sozinha de tanto amor que ela tem


De repente, eu vejo se transformar em uma criança igual a mim
Que vem correndo me beijar quando eu chegar lá de onde eu vim
Um menino sempre a me perguntar um "porquê" que não tem fim
Um filho a quem só queira bem e a quem só diga que sim
Dorme menino levado, dorme que a vida já vem
Tua mãe está muito cansada de tanta dor que ela tem


Quando a vida enfim me quiser levar pelo tanto que me deu
Sentir-lhe o cabelo me roçar no derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar num acalanto de adeus
"Dorme, minha mãe, sem cuidado, dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado com o filho que ele quer ter."

Esta é uma composição de Toquinho e Vinicius de Moraes...modifiquei para se enquadrar na minha história real...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A rosa de Dalí


Ela estudava por horas a fio. Naquele ano e especialmente naquela semana...por conta das provas e do professor mais exigente se dedicou integralmente...uma devoção necessária. Sua irmã chegou e despejou verdades dolorosas...mas ela precisava de calma e sossego...precisava da boa nota para seguir seus planos. A notícia não foi desacreditada...foi sofrida...e na época ela achou que era a dor mais doída...passou a andar na cidade como andam fantasmas que ainda não acharam a luz...desdenhava da vida...até o dia do desfecho inesperado. Mas hoje...diante das mazelas vividas...sorri o sorriso dos justos...por ter a alma pura e porque...dizem por aí que depois da tempestade vem a bonança...e ela acredita.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Salavador Dalí

Como água para chocolate ou tomates verdes fritos


Um dia...ele resolveu viajar sem destino...viver da forma que a vida lhe permitisse...mochila nas costas...sem rumo definido...parando em lugares ermos...distantes e até então desconhecidos. Conseguiu um emprego de garçon...que durou pouco tempo...conseguiu repousar em algum lugar...por alguns poucos trocados...porém a miséria...ou talvez a simplicidade com que se é capaz de viver...incomodou...não deu pra montar ali seu ponto de parada...foi à cidade...comprou mantimentos...usou aquilo que o dinheiro pode permitir...mas o brilho nos olhos em ambos os lados valeu a investida...queria saber como é o mundo do outro lado do muro...o muro das diferenças sociais. Eu queria no fundo saber...e terminar a conversa que teve meio, mas não teve fim.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem : Benjamim Lacombe

Eles e a noite


A noite/1
Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras. Se pudesse, diria a ela que fosse embora; mas tenho uma mulher atravessada em minha garganta.

A noite/2
Eu adormeço às margens de uma mulher: eu adormeço às margens de um abismo.

A noite/3
Eles são dois por engano. A noite corrige.

A noite/4
Solto-me do abraço, saio às ruas.
No céu, já clareando, desenha-se, finita, a lua.
A lua tem duas noites de idade.
Eu, uma.


Texto: Eduardo Galeano
Imagem: Benjamim Lacombe

Palavras ao vento


Sem inspiração não há sentido...
Wandréa Marcinoni
Imagem: Benjamim Lacombe

Constatação


- Na verdade, você não me quer de volta.

Foi preciso todo esse tempo pra reunir os joelhos e organizar o prumo. "Ela está certa" pensou numa voz interna que se tivesse som traria uma entonação pra variar.

"Eu não te quero de volta. Eu quero de volta quem eu era do teu lado."
Texto: Vitor Freire
Imagem: Benjamim Lacombe

Muito linda!




Havia um menino ...
Um menino estranho e encantado.
Dizem que ele vagava muito longe, muito longe
Sobre a terra e o mar,
Com olhos tristes e tímidos
Mas ele era muito sábio.

E então um dia...
Num dia mágico, ele passou no meu caminho.
E falamos de muitas coisas,
Sobre tolos e reis,
Então...ele me disse isso:
"A melhor coisa que você vai aprender
é apenas amar e ser amado em troca ".
Natureboy - Eden Ahbez

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Tempo ?


O tempo que não escrevo já foi exposto em postagens anteriores. É que quando sinto a falta...as palavras me fogem de maneira automática. Elas estão aqui dentro, em uma mente com mil e uma conexões...em um coração que bate em arritmia...para mais ou para menos...mas que no instante em que ele está...não quer parar...quer ser forte e aguerrido...como naquele sonho...acordado...de vida eterna.
Wandréa Marcinoni

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ouvindo essa


Words are flowing out like endless rain into a paper cup,
They slither while they pass, they slip away across theuniverse
Pools of sorrow, waves of joy are drifting through my openmind,
Possessing and caressing me.

Jai guru de va om
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.

Images of broken light which dance before me like a millioneyes,
That call me on and on across the universe,
Thoughts meander like a restless wind inside a letter box they
Tumble blindly as they make their way
Across the universe

Jai guru de va om
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.

Sounds of laughter shades of earth are ringing
Through my open views inviting and inciting me
Limitless undying love which shines around me like a
Million suns, it calls me on and on
Across the universe

Jai guru de va om
Nothing's gonna change my world,
Nothing's gonna change my world.
Letra :Lennon & McCartney

Televisiva


Ás vezes não entendo o fato de chorar por bobagens...tipo quando assisto programas melodramáticos da tv brasileira...feitos única e exclusivamente com esse intuito: sensibilizar...e gerar audiência. Eu entendo plenamente quando me emociono com alguns filmes...esses mais rebuscados e com apelo artístico e dramático...penso que são dignos de minhas lágrimas. Entendo nitidamente quando choro de alegria ou decepção...coisas comuns do dia-a-dia de qualquer pessoa. Lágrimas são verdade...transparência...fragilidade...fortaleza...imensidão de emoções...são fato e constatação...são verdade...pureza...um certo revelar...do que passa na alma e no coração.
Wandréa Marcinoni

Ah...o meu allstar vermelho


Sabe aquele meu allstar vermelho que ficou na tua casa? Eu queria ele de volta. Não que eu ache que tu não vai devolvê-lo, mas é que, sabe, eu não costumo comprar muitos calçados, eu só tinha dois pares de tênis, e como o allstar vermelho está retido na tua casa, agora só tenho um, e pode chover. E tem outra: tu sabe que eu gosto daquele calçado, e eu ando pensando que eu deveria gostar mais de mim do que tenho gostado ultimamente, então achei que reaver o meu allstar vermelho podia ser um começo. E eu tenho andado tanto por aí mas parece que estou sempre indo para o lugar errado ou para o mesmo lugar ou então procurando algo que eu nem sei o que é. Talvez com meu allstar vermelho eu encontre um rumo ou ao menos meu caminho fique menos sem graça, porque às vezes mesmo quando a gente não sabe direito para onde está indo pode haver uma surpresa no caminho e esta surpresa pode ser boa mas não é o que tem acontecido. Mas para a surpresa ser boa a gente tem pelo menos que estar aberta a ela e para isso é preciso estar gostando de si mesmo. Quem sabe com meu velho allstar vermelho... Pensei que de repente tu pudesse me convidar pra ir à tua casa buscar meu allstar vermelho. Mas é claro que me vendo depois de tanto tempo tu me convidaria para entrar um pouquinho e eu titubearia um pouquinho mas aceitaria. E tu iria me oferecer uma cerveja e a gente ia conversar tanto e ia entender aquelas coisas do outro que ninguém entende. só a gente. Então a gente ia rir tanto e ia ser tão bom que eu iria embora tão embriagado, não só do álcool, que esqueceria do meu allstar. Daí eu iria te telefonar e antes de eu falar qualquer coisa tu diria já sei, esqueceu teu tênis aqui, pode voltar qualquer dia menos tal dia porque eu tenho uma reunião lá na ONG, quem sabe sábado, daí eu preparo uma janta para te esperar. E até sábado chegar eu não iria fazer nada direito, só esperando o grande dia e planejando o que te falar, mesmo sabendo que não adiantaria nada porque na hora eu nunca sei o que falar e acabo falando alguma bobagem ou então ficando quieto demais. Até que chegaria sábado e eu iria chegar cedo demais na tua casa e não entraria logo, ficaria andando pelo teu bairro até chegar a hora. E o jantar seria ótimo, e tantas bebidas tantas conversas tantas risadas que ficaria muito tarde. E tu diria que eu não precisava gastar em táxi, que passasse a noite na tua casa, assim ainda poderíamos assistir a um filme que tu alugou. Então tu faria para mim uma cama no chão ao lado da tua só que essa cama improvisada amanheceria intacta e nós apertados na tua cama de solteiro acordaríamos tão tarde e tão felizes que eu de novo esqueceria meu allstar vermelho, mas também, nem teria mais tanta urgência porque eu já estaria de novo gostando tanto de mim e também já não precisaria andar por aí sem rumo porque logo voltaria para junto de ti e me encontraria em teus braços como está perdido meu allstar vermelho na gaveta,entre os teus sapatos.
Texto: Wagner Machado
Imagem: Vilmar Madruga

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Eu consumo


Eu consumo coisas que me tocam...intensamente...incontrolavelmente...e geralmente elas "pendem" para o lado da música...da arte...dos filmes...essa semana mais uma vez fui à cultura e encomendei o DVD do Arnaldo Antunes "Ao vivo lá em casa"...é assim...e depois que chegar...ficarei curtindo de maneira repetida, infindável e tão feliz...
Faixas prediletas do CD:
1o lugar: faixa 10
2o lugar: faixa 1
3o lugar: faixa 4

O quinto elemento


Há a terra, o fogo, a água e o ar...e há o amor...é isso.

Ouvindo essa: linda demais


i loved you in the morning,
our kisses deep and warm,
your hair upon the pillow like a sleepy golden storm,
yes,
many loved before us, i know that we are not new,
in city and in forest they smiled like me and you,
but now it's come to distances and both
of us must try, your eyes are soft with sorrow,
hey, that's no way to say goodbye.
i'm not looking for another as i wander in my time,
walk me to the corner,
our steps will always rhyme you know my love goes with you as your love stays with me,
it's just the way it changes,
like the shoreline and the sea,
but let's not talk of love or chains and things we can't untie,
your eyes are soft with sorrow,
hey, that's no way to say goodbye.
i loved you in the morning, our kisses deep and warm,
your hair upon the pillow like a sleepy golden storm,
yes many loved before us, i know that we are not new,
in city and in forest they smiled like me and you,
but let's not talk of love or chains and things we can't untie,
your eyes are soft with sorrow, hey, that's no way to say goodbye.
Leonard Cohen

Lembranças


Para ela que era a princesa do olhos dele...restou a sensação da ausência quando ele se foi. Ela lembrava que no último dia não havia dado o beijo demorado de sempre...nem o abraço apertado...nem havia dito quanto o amava. Na verdade...não sabia que aquela seria a última vez...então após o acontecido apenas se recolheu e nunca mais ousou sorrir. Também não permitiu-se chorar...e aquele foi o ano mais longo e tortuoso de tudo aquilo que um dia ela chamou vida...mas que sem ele...bem que poderia se chamar apenas solidão.
Wandréa Marcinoni
Imagem: Benjamin Lacombe

domingo, 9 de janeiro de 2011

Pedro e Gabriel ou minha luz


É sempre por amor que a gente se faz mais forte...quando os vejo...em seus primeiros anos dessa vida compartilhada até a última gota...só penso em quanto é dádiva poder tê-los como parte...e plenitude. Estou plena deles e assim quero estar por toda minha existência.
Wandréa Marcinoni

Lendo também

Lendo de novo ou lindo demais

Folhetim


Aconteceu um dia...não tão distante...em um local no meio do nada...dele encontrar com ela...ela quis ser forte e relutou enquanto pode...ele se fez paisagem...por-do-sol...céu azul...mar também...provocou...instigou...queria ver até onde ela ia...ela, no entanto...presa às correntes do passado...perdeu a vez...e perdeu-se aí um final digno de novela das oito...
Wandréa Marcinoni
Imagem: Gustav Klimt

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Céu de Brasília traço do arquiteto gosto tanto dela assim


Na minha cidade não há clima de montanha, não há praia, não há verde o ano inteiro, não há praças onde todos se reunem pra bater uma pelada, pra jogar conversar fora, pra falar da vida alheia. Na minha cidade há o predomínio do concreto...das linhas retas...e das cores sóbrias. Na minha cidade há uma mistura dos sotaques mineiro com goiano...e aqui se fala trem e véi. A bem da verdade não nasci...nem me criei aqui...mas finquei uma identidade...e acho que daqui não saio mais...
Wandréa Marcinoni

Dá pra acreditar?


Quando eu era pequeno, não acreditava em beijo de cinema. Achava que eles não podiam estar se beijando de verdade, nos filmes de censura livre. Aquilo era um truque. Me contaram que usavam um plástico, que a gente não via, entre uma boca e outra. Isso no tempo em que as pessoas só se beijavam de boca fechada, pelo menos no cinema americano. Não sei quem me deu essa informação. Alguém ainda mais confuso do que eu.
Luis Fernando Veríssimo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

domingo, 2 de janeiro de 2011

Das pequenas grandes coisas


Gosto de amanhecer contigo e ouvir o canto dos passarinhos na tua janela...

Trocadilhos


Minhas palavras estão guardadas no criado-mudo

Ouvindo essa


Meu coração, bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Meu coração, bate sem saber
Que meu peito é uma porta que ninguém vai atender
Quem sente agora está ausente
Quem chora agora esta por fora
Quem ama agora esta na cama doente
Só corre nunca chega na frente
Se chega é pra dizer vou me embora
Sorriso não me deixa contente
E todas as pessoas que falam pra me consolar
Parece um bocado de boca se abrindo e fechando
Sem ninguém pra dublar
Eu já disse adeus antes mesmo de alguém me chamar
Não sirvo pra quem da conselho
Quebrei o espelho, torci o joelho, não vou mais jogar
Arnaldo Antunes