quarta-feira, 31 de julho de 2013

Do instante que mudou nossas vidas

Se não fosse por hoje.
Se não fosse por esta marca definitiva.
Se não fosse há 7 anos atrás.
Se não fosse a vida.
Se não houvesse o desencontro.
Se eu tardasse ou você.
Se tivéssemos pressa.
Se não houvesse tanta coisa.
Se o passado insistisse em nos rondar.
Se passássemos os anos indispostos.
Se não quiséssemos amar de novo.
Se não fosse o acaso.
Se não houvesse a tentativa.
Se não fosse o primeiro encontro, a flor e o guarda chuva.
Se não fosse o alarme.
Se não houvesse a viagem, o retorno, o encontro e todos os outros dias.
Mas especialmente se não fosse há 7 anos atrás.
Nós talvez nunca teríamos nos encontrado.
E talvez eu nunca pudesse experimentar a sensação única de ter certeza.
Essa certeza de que você foi feito pra mim.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Maísa Coutinho

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A casa amarela

No dia em que me esqueci de mim, passavam notícias no jornal.
Olhava perdida pras paredes brancas e focava no espaço entre os quadros.
Forjei uma visita que nunca houve.
Talhei em um pedaço de madeira tua marca no meu braço.
27 noites.
Uma receita com comprimidos inacreditáveis.
Uma fala engolida.
A certeza fingida.
No dia em que me esqueci de mim, olhei pra todos os lados.
Procurei em todos os cantos.
Só que a  todo instante vinham as imagens distorcidas da tarde em que te vi dormir.
Daí que houve a  frase não dita.
A frase que nunca esqueci.
Daí que pintei minha casa de amarelo.
Amarelo como a luz
Amarelo como o Sol.
Daí que os cacos juntos não eram mais eu.
Estava no fim.
Pra me erguer foram necessários mil dias, mil noites, mil goles, mil sopros.
Pra voltar foram mil passos.
Para colar mil pontos.
Para entender não deu.
Até hoje não dá.
Não dá porque foi quando me esqueci de mim.

Texto: Wandréa Marcinoni

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Ouvindo agora

Das coisas que eu sei

E agora já é meia noite.
E agora já esqueci os meus planos.
E agora que falei sem pensar.
Cato os cacos e arrumo na prateleira branca da sala de estar?
E os fios soltos por fora do painel?
Quem achará a solução?
E ao atender o telefone e misturar as mensagens SMS com palavras ao vento?
E se alguém enxergasse dentro de mim?
Iria perceber toda confusão?
Da felicidade ao impacto e impotência.
Alguém percebe?
Alguém vê que não suporto mais?
Alguém vê as algemas invisíveis com luz neon?
Alguém olha além do umbigo do centro de si?
Alguém me dá a mão?
Senão ele, quem o faz?
As migalhas caem e já não estou disposta à juntá-las e digerí-las.
Não posso mais.
Desisto e essa não é minha glória.
Essa de fato, não é.
Texto: Wandréa Marcinoni