sexta-feira, 26 de julho de 2013

A casa amarela

No dia em que me esqueci de mim, passavam notícias no jornal.
Olhava perdida pras paredes brancas e focava no espaço entre os quadros.
Forjei uma visita que nunca houve.
Talhei em um pedaço de madeira tua marca no meu braço.
27 noites.
Uma receita com comprimidos inacreditáveis.
Uma fala engolida.
A certeza fingida.
No dia em que me esqueci de mim, olhei pra todos os lados.
Procurei em todos os cantos.
Só que a  todo instante vinham as imagens distorcidas da tarde em que te vi dormir.
Daí que houve a  frase não dita.
A frase que nunca esqueci.
Daí que pintei minha casa de amarelo.
Amarelo como a luz
Amarelo como o Sol.
Daí que os cacos juntos não eram mais eu.
Estava no fim.
Pra me erguer foram necessários mil dias, mil noites, mil goles, mil sopros.
Pra voltar foram mil passos.
Para colar mil pontos.
Para entender não deu.
Até hoje não dá.
Não dá porque foi quando me esqueci de mim.

Texto: Wandréa Marcinoni

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