terça-feira, 3 de novembro de 2009

Carta de Camille Claudel a Rodin


Senhor Rodin,
Como não tenho nada pra fazer, estou lhe escrevendo mais uma vez. Não pode imaginar como está bonito o tempo em Islette. Hoje comi na sala do meio que serve de estufa, de onde se vê o jardim dos dois lados. A Sra. Coucelles me propôs( sem eu lhe ter dito absolutamente nada) que, se fosse do seu agrado, você poderia comer aqui de vez em quando, e até mesmo sempre.(Creio que ela tem muita vontade que isso aconteça). E é tão bonito, e é tão bonito. Tenho passeado no parque, tudo está podado, feno, trigo, aveia, dá pra andar por toda parte, é um encanto. Se você for bonzinho, e cumprir sua promessa, vamos conhecer o paraíso. Você terá o quarto que quiser pra trabalhar. Acho que a velha vai adorar. Ela me disse que eu devia tomar banho no riacho, onde a filha dela e a empregada tomam banho sem perigo nenhum. Com sua permissão, farei a mesma coisa, pois é um grande prazer, e isso me permitirá deixar de ir aos banhos quentes em Azay. Você seria muito gentil se me comprasse um pequeno traje de banho azul escuro com debruns brancos, de duas peças, blusa e calça(tamanho médio), de sarja, no Louvre ou no Bon Marché ou em Tours!
Eu durmo nua para imaginar que você está aqui...mas quando acordo, não é mais a mesma coisa.
Um beijo.
Camille
Sobretudo não me engane mais.

Um comentário:

  1. O quão doloroso e trágico pode ser o amor...
    O quão doente pode ser o amar...
    O quão libertador pode ser a morte.

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