quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O nome dela é Gabriela


No final do século XVI, Kepler faz nascer a cosmologia barroca. Sua descoberta foi a de que os planetas não operam em torno do sol e do universo um movimento que se julgava perfeito à razão: o círculo - tal como o quadrado, figura harmônica e regular segundo a ordem universal da Razão.

É uma figura extremamente controversa e irregular que faz girar o universo: a elipse. Desprovida de um único centro que lhe confira a Unidade perfeita da matemática, a elipse, para existir, traz a dualidade, o conflito ao mundo. É de dois centros que a elipse se faz.

A música de Bach, por exemplo, é perfeita na imperfeição. A atenção se alterna livremente entre dois focos centrais: ora o modo focalizado, ora o não-focalizado trazem um estranho conforto, por uma suave oscilação da percepção, permitindo uma espécie de ginástica mental, consciente e inconsciente, sem que haja um rompimento mútuo violento de um centro a outro.

Dois centros, dois movimentos diferentes e integrados: o bem e o mal, a razão e a loucura, a ordem e o caos, o avanço e o retrocesso, o mito e a razão, Apolo e Dionísio. Não há hierarquia. São centros. Que Deus nos proteja...

Muito bom!!!

Do blog Demora pra Riobaldo Tatarana da Gabriela
Imagem: Anne Julie

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