sexta-feira, 26 de março de 2010

Home sweet home


"Senhor, ajudai-nos a construir a nossa casa
com janelas de aurora e árvores no quintal.
Árvores que na primavera fiquem cobertas de flores
e ao crepúsculo fiquem cinzentas como a roupa dos pescadores.

O que desejo é apenas uma casa.
Em verdade, Não é necessário que seja azul,
nem que tenha cortinas de rendas.
Em verdade, nem é necessário que tenha cortinas.
Quero apenas uma casa em uma rua sem nome.
Sem nome, porém honrada, Senhor... "

Manoel de Barros

quinta-feira, 25 de março de 2010

Acts of Random Kindness


"So I have this idea, I´d love you to join me...I´ve started this clothing line with a purpose other than profit. The name, the movement- "Acts of random kideness". The idea- one ark every time the clothing is worn. That it. Buy a stranger a coffe, give up your seat on the bus. Just make someone´s day. It´s up to you how you ark on it".
Texto expresso no site da marca de roupas irlandesa ARC. A idéia é fazer uma gentileza cada vez que usa a roupa. Boa sacada publicitária, boas idéias...bons atos secundários à elas...Faça também uma ato de gentileza aleatória...

terça-feira, 23 de março de 2010

Devaneios


Nesta noite te encontrei de novo e lembrei daquela idéia da amizade. Sorri sozinha, como só faço quando estou comigo só. Lembro que as noites para mim estavam completas, sem tirar nem pôr e isso só pela tua bela companhia. E assim então, te digo convicta que te quero mais, bem menos fraterno e bem mais que um amante.

domingo, 21 de março de 2010

Você é uma luz na minha vida


Luzinha do bem

Existe uma luzinha no seu peito.
Uma luz que os olhos não vêem.
Mas quando ela está acesa, a gente sente.

Quando você a acende, aparecem sentimentos bons em seu peito.
Tudo fica mais bonito e gostoso. Ela faz você se sentir alegre.

Quando você a apaga, aparecem sentimentos maus.
Tudo fica mais feio e dolorido.
Sem ela, você se sente triste.

Quando está acesa e brilhante, ela sai pela boca, fazendo-nos sorrir.
Ela também sai pelos olhos, fazendo-os brilhar.

Luiz Antônio Gasparetto

quinta-feira, 18 de março de 2010

Tantas vezes te falei


... Saber que não se escreve para o outro, saber que as coisas que vou escrever não me farão nunca amado por aquele que amo, saber que a escritura não compensa nada, não sublima nada, que ela está precisamente ai onde você não está- é o começo da escritura."
Roland Barthes em "Fragmento de um discurso amoroso"

sábado, 13 de março de 2010

Amo desde o primeiro momento que ouvi

Do mundo virtual ao espiritual


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos produz felicidade?"

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: "Não foi à aula?" Ela respondeu: "Não, tenho aula à tarde". Comemorei: "Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde". "Não", retrucou ela, "tenho tanta coisa de manhã..." "Que tanta coisa?", perguntei. "Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina", e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: "Que pena, a Daniela não disse: "Tenho aula de meditação!"

Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: "Como estava o defunto?". "Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!" Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é ‘entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!" O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald’s…

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "Estou apenas fazendo um passeio socrático." Diante de seus olhares espantados, explico: "Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: "Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz."

Frei Betto

In memoriam

segunda-feira, 8 de março de 2010

Do amar em demasia



Porque não amo nem de mais
Não amo de menos
Parece que amo.

Amo na medida das coisas...
Parece que passarei esta vida
dentro do cazulo

Tentando ser livre
livre do amar!

se um dia a ciência mudar o rumo
da prosa
da vida
do dia...
quem sabe?

Aí eu deixo de amar
sendo pedaço...
com parte faltando.

Amne

My wings


Para meu coração basta teu peito
para tua liberdade bastam minhas asas.
Desde minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma.
Pablo Neruda

Murphy é meu amigo


1. Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.

2. Um atalho é sempre a distância mais longa entre dois pontos.

3. Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.

4. Tudo leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível.

5. Você sempre encontra aquilo que não está procurando.

6. Quando te ligam: a) se você tem caneta, não tem papel.
b) se tem papel, não tem caneta.
c) se tem ambos ninguém liga.

7. Quase tudo é mais fácil de enfiar do que de tirar.

8. Toda a idéia revolucionária provoca três estágios:
1º. é impossível, não perca seu tempo.
2º. é possível, mas não vale o esforço
3º. eu sempre disse que era uma boa idéia.


9. Não se dorme até que os filhos façam cinco anos.

10. Não se dorme depois que eles fazem quinze.

11. Assim que tiver esgotado todas as suas possibilidades e confessado seu
fracasso, haverá uma solução simples e óbvia, claramente visível a qualquer
outro idiota.

12. O dia de hoje foi realmente necessário?

13. A luz no fim do túnel, é o trem vindo na sua direção.

14. A fila do lado sempre anda mais rápido.

15. Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda, e o que não sai.

16. Se você não está confuso, não está prestando atenção.

17. "Pilhas não incluídas"

18. Toda partícula que voa sempre encontra um olho.

19. Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.

20. Todo corpo mergulhado numa banheira faz tocar o telefone.

Das meias verdades

sábado, 6 de março de 2010

Aos pedaços


"E a vida vai tecendo laços
Quase impossíveis de romper:
Tudo o que amamos são pedaços
Vivos do nosso próprio ser."
Manuel Bandeira

Do amor que nunca acaba


Ardendo de amor, as cigarras
cantam. Mais belos porém são
os pirilampos, cujo mudo amor
lhes queima o corpo!
Canção de camponeses do Japão

Ah...as mulheres

Ser sincero

Quando estou aos teus pés


“Mas se amo os seus pés
é só porque andaram
sobre a terra
sobre o vento
e sobre a água
até me encontrarem.”
Pablo Neruda

Da simplicidade de amar



Um homem sozinho não é nada.
Duas pessoas que pertencem uma à outra fazem um mundo.
Hans Margolius

Postado aqui, por uma romântica inveterada que costuma ver tudo cor de rosa e azul da cor do mar...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Da despedida


E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

Rubem Braga

segunda-feira, 1 de março de 2010

O garoto que não sabia amar e a pequena bailarina




Havia um garoto que não sabia amar e por isso sua vida mais parecia uma ausência. Se alguém lhe demostrava afeto, ele mal reconhecia, se ofereciam presentes pelo simples fato de evidenciar sua importância, dizia tratar-se apenas de uma compra...Se lhe sorriam, dizia ser sarcasmo. Uma foto bonita...pra ele era mal enquadrada...um dia de sol, nada mais que acentuava seu tédio.
E assim transformava um dia lindo em noite de tempestade e aquele que se aproximasse bem de perto para enxergar a verdade por trás das suas várias camadas e por assim dizer representar uma ameaça à sua frágil segurança estaria fadado à vingança. Nunca foi feliz. Então porque traçar momentos de sonho?...pra que dizer que a vida é bela? pra que se encantar com o canto dos passarinhos e sorrir como criança?

Mas eis que cruzou o seu caminho a menina sonhadora...mas eis que ela achava tudo belo...e se encantava com borboletas coloridas e amava pequenas coisas e brincava de bailarina.
Como ela podia atravessar seu pequeno mundo? Tentou mostrar à ela a imperfeição e a melancolia...tentou dizer à ela que as sombras na parede eram da mais pura perfeição. E eis que a escuridão cegou os olhos da alegre menina...e o que ela lembrava era sua face mais negra...seus dias mais tristes. E isso durou alguns anos. Mas veio a chuva e infiltrou as paredes da escura caverna. E um dia uma parte caiu. E de uma pequena fresta surgiu o clarão de luz que alumiou seus olhos...e ela viu de novo a luz do sol, as borboletas coloridas, as flores que invadiam o jardim...e viu que dentro dela havia uma vida inteira de possibilidades ainda não vividas e experimentadas...e foi então que de novo, a pequena sonhadora, sonhou. E sonhou cada dia mais forte...como nunca havia feito...e tirou seus velhos sapatos...e caminhou descalça...e deu de costas para a tristeza...e sorriu sem sentido...como sempre, como sempre havia feito.