quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Sonho

Ontem sonhei que o mundo ia, num desentrave sem fim.
As sombras meios apagadas diziam para não mexer comigo.
O susto ao acordar me trouxe as lembranças mais próximas.
Tendenciosamente tento rememorar os fragmentos perdidos das frases desconexas, do tempo irrestrito, do anjo que se foi.
tentei comentar algo hoje pela manhã.
Dizem que assim fazendo não vira realidade.
O que foi e o que é se misturam e eu já nem sei mais como é.
O fruto, a retórica perdida em mil palavras abafadas na fumaça.
O voo da águia, uma encosta, terra, argila, barro, negro, turvo, tosco, inefável, cicatriz.

Texto: Wandréa Marcinoni

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