segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Das coisas que escrevi pra ele




Quantas vezes me vi na sala com uma fala já treinada por vezes e na hora H nada saía?
Quantas vezes as palavras entraram como flechas rasgando a parte do meu coração que já sangra há tanto tempo?
Quantas vezes tive que calar quando a vontade era gritar e agredir?
Quantas vezes o choro fiel veio me fazer companhia?
Quantas vezes me levanto pra no instante seguinte me ver cair?
É como um filme que não tem fim.
É dor.
É real.
É ele em mim.
Ele sou eu.
O eu melhor.
Eu serei ele.
Serei a capa e a conexão com esse mundo que de tão desentendido me deixa vagando na noite sem fim.
Texto: Wandréa Marcinoni
Em: Dores sem cores
Imagens: da vida

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Ouvindo agora

Vai lá

Foi de tão longe que eu vim. Foi do tempo onde nem tinha mais lembranças. Foi lá da andança com mangas de camisa. Era seda. Era branca. Do lugar onde eu vim, mal me sustentavam as pernas. Foi tão longe de onde eu vim. Saber andar. Minhas mãos sem lugar. Saber olhar no espelho. Branca. Branca de neve. Essa ficou. Essa parece parada naquele tempo.  São lembranças que nunca somem. São o pesadelo da criança que não cresceu. Sentir-se sempre subjulgada e desfigurada. Pouco dona de si. Pouco sua nem de ninguém. Ela hoje é copo cheio ou vazio. Ela sou eu.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Nicoletta Ceccoli