domingo, 18 de novembro de 2012

Adeus


Ela corre muito. Acorda apressada. O despertador coloca pras 05 e 30 da manhã, mas vai apertando a função soneca até não poder mais. Até a hora que tem que levantar.
Banho, roupa, sair. Não toma café. Tem que trabalhar. Sempre chega ao serviço antes da hora, mas com passo de quem está atrasada. Parece o coelho da Alice. Trabalha, fica no vai e volta do Plano-Águas Claras-Asa Norte. Quer fazer o tempo se esticar. Quer respirar. Quer voar por sobre os carros. Quer que não existam barreiras. Ninguém está junto. Ninguém sabe o que é. Ninguém sente como ela. E é um tal de atar nós. Atar e desatar. E é um tal de dizer não. Ela diz não. Ela diz sim. Nem sabe do que sente. Nem sabe ousar. " A vida é combate que aos fracos abate". Ela é assim: ponto sem nó, divagações, medo. Tem vezes que ela pensa a vida diferente. Tem vezes que ela acha que é um sonho. Pode acordar, pode empunhar uma espada e destemida atacar o que vier pela frente. Tem horas que é estátua, tem horas que se sente gente, tem horas que anda descalça, tem horas que sente, ou sempre é assim. Ela eternamente será a princesa sem castelo. Será quem sempre sonhou um momento eterno. Será quem desejou o soldado no quadro. Será quem teimou em amar. Será...será como quem diz às vezes fadada ao destino impuro. Será...ela será.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imgem: Arquivo pessoal

sábado, 17 de novembro de 2012

O pulo do gato



Onde?


O amor



Text: Pitigrilli

Meu jardim


Querido diário
Esta manhã plantei os pés de couve que a minha avó me deu, pus a salvo as alfaces que sobreviveram à maldita praga de caracóis, orientei as trepadeiras, mudei as violetas de sitio, arranquei as ervas daninhas.
Enfim, estive duas horas entretida a ser a pessoa mais feliz do mundo.
Do blog Anita no alfarrabista

O passado


Entre os sonhos espalhados e as imagens disformes, amparada por meia dúzia de rostos apagados, tropeçando em cacos, tentando desviar aqui e ali, cambaleou e caiu sobre as páginas do livro alaranjado. Os olhos cheios de lágrimas tornavam mais imperceptíveis as imagens. É que estava tudo borrado, sem cor, sem nada. Eu, juntei os restos que havia, não pedi apoio, não é o meu costume. O hábito é que faz o monge. Caí mais vezes, pois não é fácil quando se teme qualquer coisa que se assemelhe. Já não sei tanto das lágrimas como sabia antes. A quem falei, falei por vontade e confiança. O arrependimento que houve foi pela inocência que por vezes pode ser desacreditada. Meus ombros ainda carregam o peso das cruzes que me impus carregar. Há marcas que não somem. Não me parece útil tentar removê-las, pois sua remoção pode levar-me à vulnerabilidade. O medo passou a ser um sentimento constante. Agora estou em cinco e cada abalo parece terremoto. Cada incerteza, palavra ou ação me parece o futuro desintegrado. Me dá vontade de voltar pra o local seguro de onde por vezes penso não deveria ter saído. E quando o seguro não é o certo e a vida se impõe assim? o que fazer? O costume é deixar a vida ser dona dos meus passos. Não os dou. Sento e aguardo. Aguardo o tempo. O tempo senhor da vida.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Ann Mei

sábado, 10 de novembro de 2012

Como é longe

Longe é um lugar onde eu ainda não posso ir.

Fica depois do fim do mar, atrás de umas montanhas muito altas que vão até o céu do cartão postal.

Não sei bem como meu pai chegou lá.
Uma vez minha mãe disse que foi de navio.
Mas outro dia perguntei de novo, e ela falou que foi de avião.

Fiquei pensando: acho que primeiro ele viajou de navio e depois tomou um avião.
De tão longe que Longe deve ser.

Texto: Silvana Tavano
Imagem: Mariana Newlands

Ainda buscando inspirações


Tarja

Tirinha: Felipe Portugal

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