segunda-feira, 30 de abril de 2012

Do enlace



Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como "este foi difícil"

"prateou no ar dando rabanadas"

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.
Texto: Adélia Prado
Imagem: Benjamin Lacombe

“Omnia vincit amor"

Ouvindo agora


Goodbye Lenin


Continuo querendo ver/ter

Da felicidade por dentro


“Miguilim, Miguilim, vou ensinar o que agorinha eu sei, demais:
é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre mesmo com toda coisa ruim que acontece
acontecendo. A gente deve de poder ficar então mais alegre, mais alegre, por dentro!… “
Texto: Guimarães Rosa
Imagem: Loretta Lux

A casa




O diário de Anne Frank narra a curta vida de uma garota judia e sua família escondidos em um anexo secreto em Amsterdã nos anos da segunda guerra mundial. A narrativa inicial é bastante infantil e realística. Com o passar do tempo mostra o amadurecimento da sua personagem principal. Após aproximadamente dois anos foram encontrados pelos nazistas e encaminhados para os campos de concentração. Apenas o pai de Anne, Otto Heinrich Frank, sobreviveu após a captura. Em 1947, decidiu publicar o diário.
Há no entanto, três versões do mesmo, uma vez que Otto excluía partes que considerava inadequadas. Depois de ler o livro, vi inúmeros vídeos no youtube e fiquei com aquela vontade/certeza de que um dia ainda vou lá. Não só por gostar da história, não só porque amo viajar, não só porque tenho vontade de ver tudo e mais um pouco, mas pelo fato exato, inequívoco e inexplicável que um simples desejo pode trazer, afinal, as vontades não precisam de explicação.
Texto: Wandréa Marcinoni

Overdose de Paris







Filmes excelentes ambientados na cidade luz

Será que o ringtone do seu celular diz algo sobre você?


Minha nada mole vida




Ontem o domingo começou como um belo dia de sol e com um monte de problemas pra pensar em virtude do famigerado leão que anualmente sai das florestas e adentra nosso doce lar em busca de uma fatia suculenta da nossa tão suada renda. Mas tudo bem, afinal era domingo e deixando as contas de lado optei por estimular o lado feliz da vida. Primeiro um almoço em ótima companhia, seguido de um cineminha em estilo nerd e pra finalizar um chocolate quente delicioso. Renovei as energias e segui para a labuta, afinal, alguém tem que trabalhar enquanto todo mundo se diverte.
Imagens: Arquivo pessoal

O casal mais lindinho do mundo

Arrumação



“Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na ação.
Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;
Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!
Vou fazer as malas para o Definitivo,
Organizar Álvaro de Campos,
E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre…
Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.
Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir…
Produtos românticos, nós todos…
E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.
Assim se faz a literatura…
Santos Deuses, assim até se faz a vida!

Os outros também são românticos,
Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,
Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,
Os outros também são eu.
Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,
Rodinha dentada na relojoaria da economia política,
Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,
A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida…
Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,
Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,
E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.
Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,
Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,
E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,
E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema…
Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra…”

Texto: Álvaro de Campos
Imagem: Os gêmeos

Será essa a origem da minha dificuldade com números


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sábado, 28 de abril de 2012

Viajar é preciso




Dos males da vida moderna

Música nerd me parece algo perfeito

Mi casa, su casa





Imagens: Arquivo pessoal

Passo


Se por acaso pareço
E agora já não padeço
Um mal pedaço na vida

Saiba que minha alegria
Não é normal todavia
Com a dor é dividida

Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo

Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo
Mais volto depois sorrindo

Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Eu me equilibro e requebro

É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambu-taquara
Eu envergo mas não quebro

Não é só felicidade
Que tem fim na realidade
A tristeza também tem

Tudo acaba, se inicia
Temporal e calmaria
Noite e dia, vai e vem

Quando é má a maré
E quando já não dá pé
Não me revolto ou me queixo

E tal qual um barco solto
Salto alto mar revolto
Volto firme pro meu eixo

Em noite assim como esta
Eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro

Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo, mas não quebro
Composição: Lenine

Conversa de botas batidas


Sobre a intelectualidade que rola nas redes sociais

Outro sábado bem usado



Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado


Texto:Vinícius de Moraes
Imagem: Liniers
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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Dos frequente medos

Da mudança


Imagem: Gabriela Alberti

Dos abraços


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Lego mania




Fotos do arquivo pessoal em auto exposição

Estatizando a matéria


Infelicidade é uma questão de prefixo.
Guimarães Rosa

A menina que roubava livros


Que tal um beijo, Saumensch?
Ficou parado mais alguns instantes, com água pela cintura, antes de sair do rio e lhe entregar o livro. Tinha as calças grudadas no corpo e não parou de andar. Na verdade, acho que ele sentiu medo. Rudy Steiner ficou com medo do beijo da menina que roubava livros. Devia ter ansiado muito por ele. Devia amá-la com uma intensidade incrível. Tanto que nunca mais tornaria a lhe pedir seus lábios, e iria para sua sepultura sem eles.
Markus Zusak

Blackbird

Será que Capitu traiu Bentinho?


— É pecado sonhar?
— Não, Capitu. Nunca foi.
— Então por que essa divindade nos dá golpes tão fortes de realidade e parte nossos sonhos?
— Divindade não destrói sonhos, Capitu. Somos nós que ficamos esperando, ao invés de fazer acontecer.

Machado de Assis

Fim de tarde no CCBB


Imagem via Instagram no facebook do CCBB Brasília

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Para descontrair

Cartas do coração


Carta de Villa Lobos à sua amada

Leitura do dia

Ouvindo agora

Eu sou assim sem você


Se eu te dissesse que o dia em que me encontrastes com o tal vestido amarelo ouro ou talvez verde musgo não foi o dia ideal?
E se eu falasse que o fato de tirar os sapatos não me deixou tão à vontade?
E se eu te falasse do que eu realmente pensei?
Se eu contasse do papo com os outros?
E se na sequência eu aparecesse de calça jeans?
E se não tivesse nada a ver com nada?
E se você não significasse nada mais pra mim?
E se o fato de eu olhar teus olhos verdes me lembrasse da minha terra com praias e algas misturadas em uma cor fúnebre?
E se teus pés soubessem muito bem como trilhar os caminhos?
Se teus braços me envolvessem como tentáculos?
E se eu não lembrasse mais de ti?
O último dia, o sol, a luz, fez com que eu olhasse cada marca no teu rosto e começasse a entender o tanto que a vida é frágil.
Deteriora até as mais simpáticas feições.
Distorce todo um encantar.
E se teu grito só me lembrasse das horas frágeis?
E se eu não dependesse mais de ti?
E se você não vestisse camisas brancas e me pedisse pra esperar no banco da praça?
E se eu não trouxesse uma pasta com e-mail ridículos?
E se não tomássemos café com você pagando a conta?
E se não esquecêssemos do carro em frente ao parque?
E se nós tivéssemos morrido de amor?
E se o livro que me destes não tivesse ficado trancado a sete chaves?
E se você tivesse falado a verdade?
São perguntas que pra mim, hoje, só têm respostas clássicas e romantizadas.
Você foi o que tinha que ser, pelo tempo que tinha que ser.
Você foi a tentativa primeira e a marca mais forte.
Mas você foi.
Hoje, eu sou sem você.
Eu sou eu.
Eu sem você.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Loretta Lux

Vi hoje

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Mini livros


Livros em miniatura feitos pela artesã Cecília Soares
Encontrei aqui: livrosepessoas.com