domingo, 23 de outubro de 2011

Meu pão


Escrever em terceira pessoa...de forma dissimulada...parecia fugir do óbvio.
Inventava tantas personagens quantas fosse capaz.
Quando passava por aqueles caminhos ela lembrava dele...
É verdade que lá nunca estiveram...
E ela só lembra que sua alma inventiva e aventureira não gosta do certo...
O certo é falho e desintegra no ar...
O errado ganha prêmios e louros...
Ela pequena, sensível e sonhadora continuou plantando as sementes...
Todo dia...olhava pro céu...e fazia sol...
Todo dia olhava pro chão e esperava que criasse raiz...
Não cansou...nem entendeu...
Também não aceitou...
Apenas deu um passo atrás do outro...
E quando lhe falavam das dores, ela sentia...
E por sentir evitava falar...
Falar significava consentir...coisa que ela se recusava terminantemente...
E então pensou com seu excesso de imaginação, jogou as palavras ao vento... sorriu seu sorriso sem graça...e andou em desalinho, pois que sem ele o andar é sempre assim.


Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Joe Bonomo

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