sábado, 23 de abril de 2011

Esperar demais


A primeira vez que te vi, a primeira conversa que tivemos, nossa primeira noite e nosso primeiro beijo. Nunca vou esquecer aquela sensação de querer contar pra todo mundo, gritando e dançando que eu finalmente tinha te beijado. Nunca vou esquecer como podíamos ficar horas conversando num bar, no telefone, no Skype ou na cama sobre qualquer coisa ou simplesmente nem tendo muito o que dizer. Bastava saber que estávamos ali, um do lado do outro. Conversávamos, chorávamos, ríamos e andávamos sem destino naquela cidade que não era nossa. Não precisávamos de muita coisa. Era a vida. Você era vida. Nunca vou esquecer.

E nunca vou esquecer de como eu errei. Errei em planejar o momento de dizer “Eu te amo”. Errei em não dizer isso na hora em que sentia que te amava e preferir esperar um outro momento, por medo ou sei lá o quê. Foi num quarto de hotel barato em Montevidéu, quando resolvi fazer um Censo de todas suas pintas e descobrir a exata quantidade de manchinhas que você tinha no seu corpo que percebi que te amava. Foi aí que errei em não te dizer nesse exato momento “Eu amo você, corazón”.

Planejei a última viagem para te ver e planejei que diria “Eu te amo”. Só não sabia exatamente quando. Talvez quando dormíssemos juntos de “cucharita” ou olhando nos seus olhos quando chegasse na sua casa. Não sei. Mas o plano não deu certo. Uma semana antes você ligou dizendo que expectativas e pressões estavam atrapalhando tudo, que devíamos terminar ali mesmo e eu sem saber o que fazer disse que te amava. Meu “Eu te amo” poderia ter sido feliz, apaixonado e esperançoso, mas acabou saindo desesperado. Eu sei que errei.

Texto: Túlio Pires Bragança
Imagem: Elena Bychkova

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