segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Passamento

O ultrajante descaminho em que me encontro, é fruto da ausência de direito.
Não vou nem venho.
Não sou.
Não falo.
Me resumo ao silêncio sufocante de palavras guardadas por anos.
Náufrago, deserto, fadiga e inspirações.
Tenho um só ouvido.
Um só poço de memórias e mágoas.
Um só porto.
Um só.
Prisão sem grades.
Liberdade imposta.
Barco à deriva.
Mar revolto.
Caminho sem volta.
Escuro da noite.
Eu só comigo só.
Eu sem você.
Eu naquele sufoco de vida sem tempo e sem rumo.
Eu que corro e agito.
Eu na minha aflição de menina mais velha.
Eu com minhas marcas e maus presságios.
Eu sou o inverno.
Eu  calo e engulo.
Eu  e as dúvidas, anseios, pensamentos, ambiguidades, passamentos.
Pequena menina.
Menina sem rumo.
Menina mais velha.
Texto: Wandréa Marcinoni

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