segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Mundo

A profecia dizia que passados 4 anos a terra estremeceria, os vulcões entrariam em erupção, os sinos tocariam   som estridente, a fala sumiria, qualquer apego materialista tomaria novo rumo, sentiríamos falta de ar, torceríamos por   luz, correríamos de encontro a uma encruzilhada, faríamos oferendas, rezaríamos terços, louvaríamos, teceríamos planos infindáveis, nos torturaríamos, fugiríamos, trabalharíamos, descansaríamos, seríamos, dominaríamos. A vida dizia que o sonho não basta, que  a vontade não é senhoria, que os tantos percalços são só consequências . Ninguém teimaria. Não levantaríamos a voz. Mas no fim seríamos donos de nossa própria desgraça e nos consolaríamos uns aos outros, como crianças que não se importam com a mesa mal posta, com a escrita mal feita, com a história e sua deturpação. Sonharíamos que não éramos nós mesmos e dormiríamos em berço esplêndido e daríamos vivas à liberdade e à nossa eterna capacidade de seguir em frente.
Texto: Wandréa Marcinoni

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