sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Ainda dos ares de Portugal






A menina dorme.
Sossega enfim.
A noite é enorme.
Não chega p’ra mim…

Quero inda mais grande
A noite que há
Para que eu não ande
Onde nada está.

Que a menina quer
Dormir sossegada…
Sonha malmequer,
Muito, pouco, nada.

Texto: Fernando Pessoa
Imagem: Arquivo Pessoal

Irrealidade



A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta

Texto: Fernando Pessoa
Imagem: Arquivo pessoal

Princesinha

A vida?
A vida é assim...um eterno esperar por algo que nunca vai vir...

Inútil


Pegou um pequeno número de cubos coloridos os quais encaixava aqui e ali
Sentou no chão e começou a montar castelos
Eram irregulares, multicores, estranhos, sem escadas, sem formato
Eventualmente caíam e desmontavam
Mas ela persistia nessa brava tentativa da construção
Às vezes sumia daquele lugar
E divagava nos pensamentos
Era então que ela via
O espaço sem arestas
Com paredes brancas
Com duas luminárias na parede
Janelas com grades parciais
Lá fora algum espaço livre
Umas árvores
Ela entrou meio que em alvoroço
Olhou aqui e ali
Projetou
Entrou por um corredor que dava em um quarto com armários brancos com múltiplos compartimentos
Correu os olhos com pressa
Pura dissimulação
Ela pensava que tudo tinha que ser assim
Era o costume em alguma época nem tão remota
Ao andar para a cozinha tropeçou em algo ainda não identificado
Daí que acordou e viu pedaços de LEGO espalhados na sua sala, na sua vida, na sua mente sem encaixe
E aí, mecanicamente voltou a construir os mesmos castelos coloridos
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Daniel Shiu