quarta-feira, 4 de julho de 2012

Se eu me chamasse Raimundo seria uma rima e não uma solução


Quando os seus sonhos caíram por terra(o que se deu efetivamente bem antes do mês de agosto daquele ano) ela buscou escondê-los com mimos em jarros de plantas. Colocou-os na varanda da sala na tentativa de adubá-los e vê-los crescer novamente. Tentativa frustante em um mundo inventado. Estranhava todo dia não haver colheita e se enfurnava no quarto ou em outro canto da casa para que não a vissem chorar. Tomou para si todas as dores do mundo e era difícil verbalizar suas verdades. Árdua tarefa essa de plantar ilusões. Andava e se perdia. Encontrava sempre o que não era de se achar. Corria à noite pra descansar de dia. Empilhava copos de vidro para vê-los cair ao chão. O tempo, cicatrizante natural para males de todos os tipos pareceu não funcionar. Entediada, ela via aborrecimento na face dos outros, mas tratava-se apenas dos reflexos naturais. Tarde nublada, noite sem lua, dias com frio, o avesso do avesso do avesso. A vida antes ensinada se traduzia em rebeldia do não saber lidar. Fronteiras destruídas e um livre acesso para o nada. O nada que a acompanhou por um breve/longo caminho e que hoje a deixou. Hoje não há o nada, mas há o mundo, o mundo com seus prós e contras, o mundo, o vasto mundo.
Texto: Wandréa Marcinoni
Em repetições e elegias
Imagem: Arquivo pessoal

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