segunda-feira, 18 de junho de 2012

Manhã


Quando ao mesmo tempo o bater das asas de uma borboleta, o piscar dos meus olhos e a minha respiração acelerada ocorreram.
Quando eu parei de perceber se as horas do relógio continuavam a passar depois da meia noite.
Quando parei de andar descalça.
Quando as leituras permaneceram pela metade e deixei um amontoado de livros por sobre a mesa.
Quando passei a comprar flores semanalmente sem mesmo sentir o cheiro delas.
Quando meu pensamento parou no ar e minha escrita se tornou mais rara.
Foi que eu percebi da confusão de mim mesma.
O que sinto, eu falo, mas às vezes não.
Sempre foi mais fácil guardar os sentimentos com tarja preta na parte de cima do armário.
Hoje caixas, conteúdos, fantasias e desejos estão todos misturados e de fato já não sei de nada.
Porque já sonhei demais.
Porque hoje é proibido.
Porque hoje a liberdade já se foi.
Porque hoje não há mais nem os cacos.
Porque hoje eu sou outra.
Sou só a centelha implorando pra viver.

Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Nicoletta Ceccoli

2 comentários:

  1. quando voltas, volta mais livre. Deus te deu um olhar de pureza nos sentimentos q a flor da pele exalas com o tesouro infinito do brilhante dmaior quilate q Deus me premiou como filha e escritora. beijos de sudade. Mami

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