quinta-feira, 3 de maio de 2012

O grito


Uma versão de O Grito, do pintor norueguês Edvard Munch, foi leiloada nesta quarta-feira(02/04/2012) por US$ 119,9 milhões, na casa Sotheby's, em Nova York, tornando-se a obra de arte mais cara já vendida em um leilão.

Quando Munch criou a primeira versão de "O Grito", o artista alcoólatra e fumante inveterado estava num estado de desespero: acabara de fazer 30 anos, não tinha dinheiro, recuperava-se de um caso de amor desastroso e tinha pavor de sucumbir aos problemas mentais que corriam na família, diz Sue Prideaux, uma especialista em Munch. O artista colocou sua figura amebóide num local da baía de Oslo que era conhecido pelos suicídios. De lá, os passantes podiam ouvir os gritos de um matadouro e um manicômio próximos, diz Prideaux, acrescentando que a irmã de Munch, que foi diagnosticada com esquizofrenia, ficou internada naquele asilo. Uma possível interpretação errônea sobre seu trabalho pode ser sobre o grito em si: muitos historiadores da arte dizem que a personagem não está berrando, mas bloqueando o som da gritaria ao redor.

Os historiadores da arte consideram "O Grito" a reação de Munch ao impressionismo, que parecia entediá-lo — ele dizia que o movimento só mostrava pessoas lendo ou tricotando — e que abriu uma nova era de expressionismo em que os artistas tentavam dissecar suas próprias essências psicológicas. Quando ele pintou "O Grito", Munch já estava lendo os mesmo livros e participando das mesmas palestras em hospitais que Sigmundo Freud, diz Prideaux. Anos antes do primeiro "O Grito", Friedrich Nietzche havia lançado sua famosa ideia filosófica de que "Deus está morto", abrindo o caminho para as explorações modernas da alienação.

A imagem atraiu rapidamente a atenção da turma mais progressista da arte europeia. Para espremer o máximo desse entusiasmo, Munch criou litografias em preto e branco para que a imagem pudesse ser impressa em revistas europeias e vendida individualmente. Ele se recusou a explicar o quadro, alimentando ainda mais a fascinação do público.

Mais recentemente, a figura esquelética já foi reproduzida várias vezes e em vários lugares, de formas para cubos de gelo a pôsteres de campanha política.

Fragmento do texto de ELLEN GAMERMAN para o http://online.wsj.com em 29/04/2012

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