quarta-feira, 9 de maio de 2012

Costumes


Eu nem sei mais dar os passos.
Não sei mais caminhar.
Eu não sei mais como se faz pra não tropeçar.
Acho que tudo terminou, mas não foi assim.
Tudo terminou como um fardo, mas como sentimento parece que aviva a memória a cada novo contato.
Eu tinha esse jeito de não dizer nada.
Eu procurava até aceitar o que não se aceita.
Eu não torcia o nariz.
Eu não dizia um "ai".
Meu dia a dia era traçado entre um ir e vir de coisas.
Um dia fui à feira e comprei uma pequena placa azul com uma casa desenhada em cores azul e branca.
A casa dos sonhos na porta do meu lar.
Dizia: " meu recanto de paz".
Um desejo apenas.
Uma busca enfim pelo meu descanso.
Só que ele nunca vinha.
Só tropeço.
Só trapaça.
Só desilusão.
Nada do recanto.
Apenas sonhos desfeitos como cama mal arrumada.
Quando ele partiu, dei de chorar por noites sem fim.
Quando ele partiu, de verdade, dei de sorrir.
E hoje, sorrir é a a melhor parte da vida.
Sorrir é saber de tudo de mim.

Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Loretta Lux

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