quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A rosa de Hiroshima


No sobe e desce das escadas fiquei meio tonta ao chegar ao topo... Estava perdida, como cego em meio a um tiroteio, mas tentava inultimente seguir em frente...sair dali me parecia ponto pacífico, mas não "ergui a voz", não "chutei o balde", não "derrubei o pau da barraca"...apenas fui seguindo com meus passos apressados e de cabeça baixa com os braços a proteger-me como talvez se faça em uma fuga de um prédio em chamas(posto que nunca estive nesta situação para bem sabê-lo)...verdade é que meu coração dilacerado estava em minhas mãos...coloquei-o em um invólucro estéril tal como se faz para preservar orgãos para doação...mas mesmo assim persistiu aquela dor imensa como se ele ainda pulsasse em meio peito... hoje ela abrandou como se eu estivesse a me apropriar dos potentes efeitos do ópio...mas a bem da verdade ela agora é apenas uma cicatriz de gado marcado...a lembrar-me que é possível brotar uma flor em meio aos escombros...como talvez tenha ocorrido do outro lado do mundo...num dia qualquer...como em Hiroshima e Nagasaki...
Wandrea Marcinoni
Imagem: Marie Desbons

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