domingo, 8 de julho de 2012

Flashs


Confortável seria uma palavra.
Mas nada do que eu busco em dicionários ou objetos poderiam contornar as figuras e fazer sentido.
Nada é como antes e as perspectivas já são outras.
Algo como nunca o canto seguro.
Algo como um lar faltando um pedaço.
Algo como calçar o sapato que não serve mais.
São os desencontros da vida.
Representam a aceitação de que nunca mais você fará parte do seu sonho de criança.
O castelo de areia na praia.
Vem a onda e leva o castelo.
Vem o vento e sopra mansinho no teu rosto.
Vem o sol e queima tua pele branca.
Da dor, com todas as letras que possam representá-la você já não lembra.
Só que ele te avisou.
Nada de sonhos.
Nada de construções e manobras arquitetônicas.
Nada de janelas ou portas.
Só paredes cinzas.
Só a fresta por onde vem a luz.
Só a sensação de um dia poder ser o que não foi e que não é e que não será jamais.
Nunca mais viver de convenções.
Só nunca mais.

Texto: Wandréa Marcinoni
Baseado em fragmentos do meu dia
No quarto à meia luz
Num tempo frio
Em julho

2 comentários:

  1. Que importa se os sonhos de criança agora parecem impossíveis? É tudo uma questão de como se encara o que eles ainda podem ser. Posso não ser um jogador famoso, mas ainda posso jogar bola. Posso não ser um astronauta, mas posso admirar as estrelas. Posso não ganhar uma medalha olímpica, mas ainda posso completar uma maratona. Ainda é uma vitória. Posso não fazer parte de um comercial de margarina mas, cá entre nós, aquela família de margarina só existe no comercial de margarina. Não se trata de não sonhar. Trata-se de acordar quando o sonho se transformou em pesadelo para então, refeito do susto, adormecer novamente e sonhar outro sonho bom, ainda que o sonho seja o mesmo de então.

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  2. Moreco...que fofo! só hoje que vi. Te love pra chuchu

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