segunda-feira, 9 de abril de 2012

Brasília-minha morada


Após uma semana de pânico por conta das notícias policiais do DF, me encontro assustada. Saí de um estado nordestino pensando em retornar num período máximo de 2 anos e eis que aqui já se vão 12 deles. Brasília se tornou minha casa, parte da minha identidade, morada dos meus dois filhos, lugar onde fiz amigos e construí uma vida. Na minha cabeça hoje não me passa morar em outros lugares, pois acho que tenho uma forte ligação com essa terra de barro vermelho e clima desértico. Confesso entretanto que não é esse mundo guiado por instintos, drogas, assassinatos, sequestros relâmpagos e distorções que eu desejo para um lar. Torço para uma mudança apesar de todos os fatos apontarem em outra direção. Cabeças vazias, desigualdade social, desemprego, corrupção e a maioria passiva, de mãos atadas. Na tv o assassino responde friamente ao entrevistador. Havia uma criança de 5 meses que ele não viu, havia uma família em crescimento que ele desintegrou, havia sonhos que foram apagados com um único tiro em uma noite de lazer, na semana santa, num lugar qualquer, numa quadra numerada, na última mesa. Hoje essa criança não tem pai, a mulher não tem marido, a cidade não tem luz, porque a luz apagou. Há só o sangue , há só o medo e a insegurança. Há a ausência do Estado e a glorificação do autor em redes sociais por chamar atenção ao movimento de uma categoria. A esperança, a minha esperança, essa vaga comigo e com meu pensamento que sempre gira em torno de todos que amo.
Texto: Wandréa Marcinoni

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