sexta-feira, 9 de março de 2012

Repetição e falta de voz


O não importar contrabalança os atos. São impensados. Negação.
Postei em letras garrafais e neon para que visses a luminosidade infinda, ofuscante, irrestrita.
Não sou espelho. Poupo-me desta tarefa.
Sou inefável. O fragmento. O pó.
Inexisto por um instante.
Passo do texto à procura.
Confesso na cabine inodora.
Passo as fases.
Tento dar os passos.
Você me impede.
Eu esbarro.
Toca o telefone.
Poucas palavras.
Não te entendes. Só mesmo a ausência.
Me cubro de amor. De abraços e beijos.
De silêncio, mas aquele mais ruidoso.
Aquele que cala e que deixa falar.
E você é que me faz no meio de tanta euforia, dizer palavras breves e sem sentido.
Guardei teu cartão.
A caixinha de música de papel.
Plantei o som e a falta dele.
Ouvi dois. Pois é a marca.
A marca do início, do meio e do fim.
Apaga a luz e vamos dormir.

Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Arquivo pessoal

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