segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Poemas breves


Às vezes teu olhar parece poemas breves. Eu, na minha parca ignorância, não tento entender. Se tu queres eu vou, se te afastas, eu aceito. Tramas, encontros, subterfúgios, entendimentos, já não fazem mais sentido. Os sonhos, há algum tempo que os afasto. Esperanças, parecem crianças brincando na praia. O lago que se interpôs entre mim e a sobriedade continua lá. Só há água parada. Só há o recanto onde te vi na primeira tarde. O dia teve horas curtas. A noite sumiu. Nem a lua brilhou, nem houve relâmpagos quando choveu. Só houve a névoa e por trás dela, tua figura deformada. Meus olhos se são lágrimas é da poeira. Meu coração nunca foi duro, mas minha mente está. Catei os últimos papéis, coloquei na fogueira e vi a fumaça subindo e desenhando figuras irreconhecíveis. Nessa hora, olhei pra você e não vi mais nada.

Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Nicoletta Ceccoli

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