quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Palavras


Belo Horizonte, 19 de agosto de 1945.

Fico besta como morrem os personagens de Shakespeare, nem os passarinhos morrem com mais naturalidade, com mais simplicidade. Exeunt, esta palavra tem algo de misterioso e poético. Vede, o personagem faz um teatrozinho, é ferido (ninguém morre de cama, é tragédia!) e...morre. Morre assim nesta única palavra, dies.

O, I am slain! If thou be merciful
Open the thomb, lay me with Juliet.
(Dies)

É ou não é formidável? Morrem numa palavra.
Trecho de uma carta de Otto Lara Resende a Fernando Sabino no tempo em que se costumava escrever cartas.

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