quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Do que quero te dizer


Por dentro teu coração não está mais emoldurado. Parte porque se quebrou e outra porque os rejuntes não ficaram bem feitos. Tua voz que antes era fraca e rouca, hoje parece um grito abafado. Tuas mão estão calejadas. Tua costa não suporta o peso do mundo. O teu fardo, tu pensas que é o mais pesado. Te olhas no espelho na ponta dos pés. Ele não foi feito pra ti. Ele está torto na parede. Ele sempre esteve assim, só que antes tu não reparavas. Quando sentaram na sala, ela te falou da dor que tu não queres suportar e pela primeira vez na vida tu tivestes dúvidas e quase praguejou contra toda humanidade. Tu não sabes como te portar. Ages como alguém que ficou cego há um minuto. Por mais que te digam que és capaz de suportar os infortúnios, tu não tens bem a certeza. Achas que tudo é superável e talvez como o dito popular: tudo passa. Agora tu te vês de joelhos, mãos atadas e tão inerte como uma estátua de museu. Agora é um tempo. Agora não será para sempre. apenas isso.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Arquivo pessoal

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