quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Você


Por razões inexplicáveis, hoje acordei tarde. Nada comum, mas levando-se em consideração os fatos, pode-se dizer que foi algo esperado. Correria, trânsito entre Águas Claras e o plano Piloto, Vai e vem, Trabalho extenuante. Dia a dia. Companhia. Diferença. Perfume. Meio dia. volta tipo feriadão. Dezembro diferente. Muitos e muitos planos. Muitas e muitas idéias. Alegria e a constatação. Caminho torto. Clássica volta em ritmo descompassado. Primeiro tempo. Segundo e prorrogação. Totais são as expectativas. Plenos ainda são os sonhos. A realidade nem parece desenho em carvão. Parece metáfora. Parece névoa. Parece certa à noite. Parece fogo. Não há negativa. Encontro a menina da Asa Norte. Ela ainda tem o coração batendo em ritmo descompassado. Falou do sentir. Tomamos um chá que estava fraco. Não falamos de nada, pois chegou alguém. Depois me falaram que ela é difícil, mas tenho por convicção que nós somos todos difíceis. A verdade é que a vida não é "facinha". Ela é bem atribulada. Mas se a nós cabe o direcionamento, que a façamos mais leve. Dar sorrisos, dizer obrigada, falar um bom dia, dar presentes sem data, sair pra almoçar, ir ao cinema, aquele bem feito chá da tarde sem estilo inglês, a companhia, o perguntar, o querer saber pra confortar, o ser a gente, despidos de máscaras, descalços, sem esnobismo. Dizer que apesar do desconforto somos pessoas, dignas, afetuosas, transbordantes, felizes, capazes, andarilhos, tementes, eloquentes ou tímidos, fartos ou com fome. Ser gente, com camiseta branca, havaianas, vestido de chita, sem saber nada da vida, com vivência de 11 anos, com separação, com sonhos desfeitos, com dúvidas, com sono, com gosto, com palidez, com pele branca, unhas vermelhas em tom meio fosco. Um dia falou-se em tons neutros. Um dia se disse do amor protegido. Sobrou-me a mochila importada e os termos de e-mail. Sobrou-me o transgredir normas delimitadas. Sobrou-me ignorar leis e tratados e ouvir, pois que tenho aparelho auditivo perfeito. Na hora de falar penso nas músicas francesas e na melodia. Então por um breve momento esqueço de esquecer, não lembro de lembrar e falo a ela: Amanhã me traga o seu caderninho.
Texto: Wandréa Marcinoni

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