segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Entre estranhezas e mistérios


Não que chegue a duvidar do que foi dito. Apenas manteve-se cautelosa frente as afirmativas. Ela acha que paira dúvida e que há o medo.
O mesmo que a entorpeceu uma semana atrás.
O medo é bom quando induz reação.
Descarga de adrenalina na circulação sanguínea com todas as suas consequências descritas em livros e tratados.
Ela vai percorrer o caminho. Apertar o botão do segundo andar no elevador da direita.
É bem provável que se pense perdida.
Ela lida com os signos expostos.
È provável que se sinta indefesa.
Tem lidado com isso.
Mas também é fato que desde a última sexta feira fez mais afirmativas que interpelações.
Ouve frases mais intensas. Recebe as críticas como quem semeia.
Doce e pausadamente expele palavras.
Não quer ser a dona, mas sabe que impera.
Torce para o que já foi dito.
Entende que nem sempre é real.
Deixou de sonhar há dois anos atrás.
Tornou-se raiz fincada em solo arenoso.
Tem hora que ameaça desabar.
Tem horas que não estremece em meio aos tornados.
Às vezes é franca demais.
Às vezes se esconde no silêncio.
Torce por seu time.
Canta canções de ninar.
Floresce em meio ao deserto.
Se entorta frente ao sol.
Se diz farta da ditadura social.
Acha que as futilidades permeiam o mundo.
Percebe que isso é fato indissolúvel.
Tenta em vão se manter intacta.
Não se movimenta.
Finge ser estátua.
É reflexo de si mesma.
É fogo.
Água que desmancha.
Meio açúcar.
Meio fada.
Nada definida.
Dúvida quase sempre.
Farta de hipocrisia.
Lida de maneira inadequada com a mentira social.
Não sabe dar sorrisos factuais.
Se perde em labirintos.
Tem fácil acesso, mas tem passos lentos.
Ouviu dizer que o mundo é dos espertos.
Sabe disso, mas prefere a descrença.
Tão bom seria dias doces e brisa do mar.
Sol ao abrir a janela.
Chuva pra estar junto deitada na cama.
Ama o delicado.
Acha inteligência a maior essência.
Adora a religiosidade alheia.
Passeia em local público.
Esquece dos temores.
Se há rosas, pensa que é a vida.
Dos espinhos busca esquecer.
Santifica.
Enobrece.
O passado é instrumento.
O amor é a sua busca.
As palavras são sua abertura.
Sua sede, sua fala, sua língua.
Só Deus entende.

Texto: Wandréa Marcinoni baseado em contos do submundo
Tirinha: Liniers

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