quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Escotomas




Eu sei porque já vivi isto...mas lá no fundo penso que poderia ter feito tudo diferente e penso que o resultado seria igualmente diferente.Ás vezes confabulo com meus botões que de nada adiantariam minhas frágeis tentativas...seriam em vão. Ás vezes sonho com os primeiros dias...ás vezes adormeço pensando nisso. São flashs...algo como os escotomas visuais comuns nas enxaquecas...micro pontos luminosos a pulsar diante dos meu olhos mesmo que fechados. Permaneço inerte...atada a fios de ouro, prata, bronze...ou algodão. Não dá pra flutuar...não dá pra levantar...alçar vôo, nem pensar. Não posso fazer qualquer movimento pois me doem os ossos...Evito pensar...pois isso provoca a disseminação de estímulos nervosos em destino ao meu coração...e isso é mal. Chego à conclusão de que coração deveria ser feito de muros, invólucros, protetores, câmeras, circuito interno, cerca elétrica...de modo à evitar a invasão. Esta, quando efetuada...pode produzir danos irreversíveis....já senti isso...e não direi que jamais quero sentir, pois que apesar da turbulência...a sensação do estar apaixonada...é que nem sorriso de criança.
Texto: Wandréa Marcinoni
Imagem: Raquel Díaz Reguera

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