segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Da consciência


O SONHO DE UM HOMEM RIDÍCULO

Por exemplo, ocorreu-me de repente a estranha consideração de que, se eu vivesse na lua, ou em Marte, e lá cometesse o ato mais canalha e mais desonesto que se possa imaginar, e lá fosse achincalhado e desonrado como só se pode sentir e imaginar às vezes dormindo, num pesadelo, e se, vindo parar depois na terra, eu continuasse a ter consciência do que cometi no outro planeta e, além disso, soubesse que nunca mais, de jeito nenhum, voltaria para lá, então, olhando a lua da terra – tudo me seria indiferente ou não?
Dostoiévski

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