terça-feira, 23 de maio de 2017

Borboletas

Todos os dias eu ouço as coisas engraçadas que você diz
Meu dia já começa assim
Sentados na mesa
Crianças acordam
Há beijos e abraços
Geralmente não me recordo do que veio antes
Somos assim
Combinamos sempre
Você e seu mau humor
Eu e minha melancolia
Ouvimos de longe o jornal
Falamos de política em meio tom
Esperamos o dia de ir embora
Temos café quente
Você não quer o leite
Suas frutas cortadas em frente ao prato
Nosso ritual
É de manhã
É da gente pra gente mesmo

Wandréa Marcinoni

terça-feira, 16 de maio de 2017

Desconstrução

Minha perna que dói
Meus ossos fracos que estalam
Minha alma que vagueia no meio do caminho
A encruzilhada, os percalços, os pensamentos
Meus pés que já não têm pra onde ir
Os meus olhos e todo o meu sentimento derramado
Deito na maca e digo 33
Mas já passo dos 40
Eletrodos instalados
Músculos que contraem sem intenção
E ainda os tremores
O tempo que passa
O relógio conta as horas
Já passa das duas
E eu já vou embora

Wandréa Marcinoni

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Promessa de vida

Que bom poder  dançar em local público, parar em barracas de flores e sair com buquês, mandar 500 quadradinhos comemorativos, fazer bonecos de neves e topos de bolo, andar sobre pétalas amarelas, fotografar ipês, subir três lances de escada, comer nhoque de abóbora demorado, ir num show após o trabalho, receber declarações de amor, fazer viagem inesperada pra ver a banda preferida, mudar de casa, correr pra sempre, segurar na mão por medo de avião, passar uma tarde de sábado debaixo das cobertas, fazer uma vida, andar de bicicleta, descobrir o plano. Que bom poder saudade ter.

Wandréa Marcinoni