segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Da semente do girassol


(…) Hoje eu comprei sementes de girassol. Há isso de extraordinário no mundo. Quando alguém se sente só ou com saudade de outrem pode comprar sementes de girassol para vê-las crescer. Pode até fazer uma sementeira de tulipas. Nesse caso, é preciso aguar todos os dias, com a ponta dos dedos, deixando cair uma ou duas gotas, apenas. Já as coisas abrutalhadas: máquinas, tratores ou edifícios: deixo aos outros, cuidarem. Também elas precisam de carícias: não vê o homem pendurado nas vidraças com um pano molhado? Não vê a máquina acarinhando a outra com a lixa? Há muitas formas de cuidar. E, felizmente, o delicado e o bruto na esfera do mundo. Se me ocupo da semente é porque escuto o seu silêncio. O silêncio com que ela abraça, tão brandamente, o seu grãozinho de terra.

Texto: Rita Apoena
Imagem: Matt Pasquarello

2 comentários:

  1. Cuidar... de plantas, de bichos, de gente... é só o que importa. Lindo post!

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  2. Gostei do teu blog, voltarei outras vezes! Beijos pintados e abraços alados!

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